POESIA AO AMANHECER – 126 – por Manuel Simões

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Depois da antologia da lírica medieval  galego-portuguesa, apresentamos uma breve amostragem da chamada poesia palaciana, mais concretamente da que foi compilada por Garcia de Resende no “Cancioneiro Geral” de 1516. Aqui reuniu o compilador a poesia produzida na corte portuguesa desde o reinado de D. Afonso V até à data da edição.

ÁLVARO DE BRITO

Pregunta

Dama que fez gasalhado

e favores

a galante por amores

que é com outra casado,

pregunto se faz pecado

ou virtude:

todo cortesão m’ajude,

sem falar afeiçoado.

COUDEL-MOR (FERNÃO DA SILVEIRA)

Resposta

Quem mais perde por servir

mais obriga sua dama

pelo qual rezão a chama

a seu mal não consentir.

Mas antes todo favor

lhe deve ser outorgado,

que dito temos d’autor:

«que Dios al buen amador»

nunca demanda pecado.

Seguindo o esquema pergunta/resposta com que se abre o “Cancioneiro” – extenso poema que ficou conhecido como o “Cuydar & sospirar” – , uma espécie de corte de amor organizada à semelhança de um tribunal, aqui se defende a qualidade do bom amante

Glossário: “fez gasalhado”: acolheu; “falar afeiçoado”: sem afectação; “demanda”: imputa.

 

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