POESIA AO AMANHECER – 133 – por Manuel Simões

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JOÃO ROIZ DE CASTELO BRANCO

Cantiga sua partindo-se

 

Senhora, partem tão tristes

meus olhos por vós, meu bem,

que nunca tão tristes vistes

outros nenhuns por ninguém.

 

Tão tristes, tão saudosos,

tão doentes da partida,

tão cansados, tão chorosos,

da morte mais desejosos

cem mil vezes que da vida.

Partem tão tristes os tristes,

tão fora d’esperar bem,

que nunca tão tristes vistes

outros nenhuns por ninguém.

 

Um dos mais conhecidos e celebrados poemas de toda a lírica portuguesa, trata com rara felicidade o tema da partida, exprimindo de forma particularmente sugestiva a nostalgia gerada pela separação. As aliterações e o ritmo dos versos contribuem para a dolência que na cantiga se inscreve.

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