Pentacórdio para Segunda-feira 11 de Fevereiro

por Rui Oliveira

 

 

 

1 itinéraires2 Christophe Otzenberger - Copy   Esta Segunda-feira 11 de Fevereiro, como vem sendo hábito, não é marcada por nenhum evento de vulto ficando, de original, a assinalar a actividade de ciclos de cinema como o Ciclo “Grande Crise, Pequenos Remédios” que o Institut Français de Portugal organizou onde, às 19h deste dia, no seu Auditório, exibe o filme “Itinéraires” (França, drama, 2006) de Christophe Otzenberger (foto), com  Yann Trégouët, Céline Cuignet, Jacques Bonnaffé, Hélène Vincent e Jacques Spiesser nos principais papéis.

   Deste filme premiado pode fazer-se a seguinte sinopse :

3 itineraires 2   Após uma adolescência conturbada, Thierry procura integrar-se, trabalhando nos campos e  ajudando a sua avó, à espera de um dia ser proprietário da quinta. Mas depois de um incidente é condenado a sete anos de prisão por cumplicidade em assassinato. Ele sai da prisão em liberdade condicional com uma licenciatura em Inglês, uma tatuagem, e uma culpa enraizada para sempre … mas a adversidade continua a persegui-lo quando presencia um novo homicídio e a polícia o pretende incriminar. Não lhe resta outra solução …

   Não sendo possível transferir o seu filme-anúncio, a única forma de o localizar é recorrer a :

http://www.allocine.fr/video/player_gen_cmedia=18411270&cfilm=59696.html

 

 

   Aproveitemos esta escassez noticiosa para lembrar, como prometemos, os espectáculos teatrais em palco, em particular aqueles cujo final se aproxima.

 

4 ILHAS_IMAGEM-net   No São Luiz Teatro Municipal estreou na passada Sexta-feira 8 no palco da sua Sala Principal a produção da Karnart C.P.O.A.A. (com outras entidades) intitulada “Ilhas” que aí permanecerá até Domingo 17 de Fevereiro (excepto exactamente a Segunda 11), às 21h.

   Concebida, dirigida e narrada por Luís Castro, é interpretada por Bibi Perestrelo, Mónica Garcez, Filomena Cautela, André Santos e André Uerba.

   “Ilhas” inspira-se na obra «As Ilhas Desconhecidas» que Raúl Brandão escreveu em 1926, após uma viagem de dois meses, em 1924, aos arquipélagos dos Açores e da Madeira.

5 ilhas 3 +   Cada uma de cinco “ilhas” é constituída por duas mesas (uma mesa-armazém onde estão organizados os objectos, e uma mesa-palco onde as instalações são montadas) e um actor/actriz. Estes, inspirados nas paisagens descritas por Raúl Brandão, nos seus personagens, e em parte da alma açoriana recolhida durante uma residência artística na ilha do Pico, instalam objectos criando composições que remetem para Pintura ou Cinema e cuja composição sublinha, antagoniza ou ironiza a acção do texto que se ouve, em off, narrado por uma voz masculina.

   Esta é uma experiência integrada no conceito de perfinst que propõe aos espectadores uma escolha de pontos de vista e lhes proporciona a descoberta de narrativas individualizadas: ouvindo sempre, o público desloca-se entre zonas de representação simultânea, escolhendo o que quer ver, encontrando o seu próprio sentido ao espectáculo.

 

 

 

   Também no São Luiz Teatro Municipal, agora no Foyer do 1º Balcão desde a passada Quinta 7 até à próxima Quinta-feira 14 de Fevereiro, às 23h30, decorre “Entrelinhas”, uma produção de “Mundo Perfeito”, em que um texto de Tiago Rodrigues é interpretado pelo actor Tónan Quito, numa co-criação de ambos, com imagem de Magda Bizarro.

imgs_fevereiro_homepage_300x150_6_1359395295   Diz o programa que “retrato da longa e enigmática relação entre o autor e o actor, esta peça é uma picareta a esburacar o muro que divide a realidade da ficção”. Na realidade, é um espectáculo que varia entre a ficção e a realidade, onde os intervenientes representam o que são na realidade: o dramaturgo Tiago Rodrigues e o actor Tónan Quito. A partir da obra clássica “Rei Édipo”, dramaturgo e actor contam as peripécias de uma equipa que não consegue levar a palco uma peça e as aventuras que podem surgir do desafio enquanto colegas de trabalho e amigos.

 

 

 

 8 Capa_-FB_Fev'13 - Copy (2)7 TR- Copy   Como já aqui algumas vezes mencionámos, o Teatro Rápido, aberto desde 1 de Maio de 2012 em pleno coração lisboeta (Rua Serpa Pinto, nº 14, ao Chiado), é um espaço cultural que apresenta espectáculos de microteatro (com 15 minutos de duração em 6 sessões diárias) cuja programação parte de um tema que muda mensalmente. Oferece portanto uma proposta “nova e intimista”, na qual o espectador é convidado a entrar. Não existindo a distância comum entre plateia e palco, o público vê-se apanhado no meio da acção, partilhando sensações com as personagens que lhe são apresentadas.

   No presente mês de Fevereiro, por ser o mês em que se comemora o Dia de São Valentim, o tema é «Por Amor» e a programação distribui-se da seguinte forma :

 

9 Capa_-FB_Fev'13 - Copy (3)   SALA 1 – “Onde é que julgas que vais” com autoria, encenação e cenografia de Tiago Torres da Silva e interpretação de Fernanda Neves e João Passos.

   Horário das sessões de Quinta a Segunda : 18h00 | 18h30 | 19h00 | 19h30 | 20h00

   Tema : Uma prostituta sente-se inexplicavelmente tocada pela gentileza de um cliente. Vivendo entre o sonho de um amor e a realidade da rua, a mulher não aceita dinheiro ao cliente que sente perder o controlo da situação. Gera-se então uma luta violenta pelo poder, onde amor, sexo, solidão, passado e futuro se misturam. No final, ambos perderam, ambos estão mais sós, mais tristes e têm de voltar ao seu quotidiano sem outra cúmplice que não seja a solidão.

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   SALA 2 – “Não sou eu, és tu” com texto de Ana Saragoça, encenação de Rosa Villa e interpretação de Hugo Costa Ramos e Rosa Villa.

   Horário das sessões de Quinta a Segunda : 18h05 | 18h35 | 19h05 | 19h35 | 20h05

   Em “Não Sou Eu, És Tu” é posta à prova a solidez de uma relação amorosa entre um homem jovem e uma mulher mais velha. Quem ama quem, quem deseja quem, quem foge de quem, quem usa quem? As aparências podem ser enganadoras…

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   SALA 3 – “Goodbye” com texto de José Pinto Carneiro, dramaturgia e encenação de João Ricardo e interpretação de Cristina Areia.

   Horário das sessões de Quinta a Segunda : 18h15 | 18h45 | 19h15 | 19h45 | 20h15

   Sinopse : Uma mulher, mãe de dois filhos, na sua última noite de férias no Algarve, deixa-se levar por um perspicaz jogo de sedução de um jovem rapaz, que a leva a reviver emoções adormecidas.

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   SALA 4 – “Onde é que estavas quando te vi pela última vez” com texto e encenação de Miguel Graça e interpretação de Lídia Muñoz.

   Horário das sessões de Quinta a Segunda : 18h20 | 18h50 | 19h20 | 19h50 | 20h25

   Descrição : A acção desenrola-se num espaço abstracto onde uma jovem mulher aguarda que o homem perfeito se materialize ao seu lado, no momento em que ela tira uma fotografia. Até chegar a esse momento, ela vai inventando um passado dúbio para os dois ao mesmo tempo que as incertezas sobre o presente vão crescendo dentro dela.

 

 

 

   Para encerrar o panorama cénico, no Teatro Villaret, estreada a 31 de Dezembro, representa-se até 31 de Março próximo, de Quarta a Sábado às 21h30 e Domingo às 16h, a peça do autor brasileiro Paulo Pontes intitulada “Isto é que me dói”, comédia clássica que há 35 anos Raul Solnado interpretara com extraordinário sucesso no Teatro Variedades.

13 isto é que me dói   Esta acutilante e muito actual comédia, que mostra em palco as peripécias do internamento de um actor num hospital público, reúne um elenco composto por José Raposo, Sara Barradas, Fátima Severino, Miguel Raposo, Ricardo Raposo, Joel Branco – que já em 77 tinha feito parte do espectáculo – como actor convidado e participação especial de Joaquim Nicolau.

   A encenação está a cargo de outro nome conhecido do teatro ligeiro, Francisco Nicholson, que conta com a assistência de Frederico Corado.

 

 

 

   Concluindo na área das artes plásticas, lembramos que duas exposições projectam o seu encerramento na próxima Sexta-feira 15 de Fevereiro.

 

  

   Uma é a mostra “Um, Nenhum e Cem Mil” na galeria do Edge Arts (no Espaço Amoreiras, em Lisboa) que assinala estreia individual de Joana Ricou em Portugal.

14 joana_ricou   A artista, radicada nos Estados Unidos e a viver actualmente no bairro de Bushwick (Brooklyn, New York City), explora em “Um, Nenhum e Cem Mil” a tensão entre a necessidade de continuidade e o estado natural de multiplicidade do corpo e da mente, entre mudança e constância, identidade e efemeridade, utilizando a biologia como ponto de partida para o estudo das fronteiras e da fragmentação do corpo humano.

agenda_joana_ricou_2   Tendo estes eixos temáticos como ponto de partida, Joana Ricou apresenta nesta mostra a série de pinturas figurativas “Multitudes”, trabalhos abstractos da série “Henrietta Lacks ou células imortais HeLa” e as instalações 62 Kilos e Memory Lane, desenvolvidas como peças site specific para o Edge Arts. A exposição conta também com um vídeo-performance de Beatriz de Albuquerque, artista portuguesa a residir em NYC, o vídeo-documentário “The Orpheus Variations”, criado pelo The Desconstructive Theatre Project de NYC, sob a direção de Adam J. Thompson e Upside Duck, de Glenn Wonsettler. Sobre o tema da memória, destaca-se ainda a presença do filme de João Chaves In-perfect Memory (giving birth to a world)” (2010).

      15 joana ricou 2       16 Joana_Ricou_1

 

 

 

17 pedrosousavieira   Outra é a exposição “Preto e Branco” na galeria Chiado 8 Arte Contemporânea (Largo do Chiado, nº 8), com curadoria de Bruno Marchand, onde o artista Pedro Sousa Vieira (segundo o programa) “… recorrendo a meios tão diversos como o desenho, a pintura, a fotografia, a colagem, a escultura ou, mais recentemente, o vídeo, nos recorda que à concepção que defende que o conhecimento só é verdadeiramente possível por via de uma busca sistemática, progressiva e focada, existe uma alternativa que opta por se aproximar dos mistérios do mundo na base da sua diversidade, da sua amplitude e do seu intrínseco fascínio. Sem culpa e sem arrependimento, o método de trabalho deste artista está assente numa total disponibilidade para acolher, inspeccionar, perceber e inter-relacionar os mais díspares signos e fenómenos visuais, fazendo do seu processo criativo um ágil e singular dispositivo de teste à resistência das imagens face a esse suposto regime de excepção a que chamamos «experiência artística».

   A peça mostrada tem como legenda  “If I ever catch that ventriloquist I’ll squeeze his head right into my fist” (pormenor) 2012.

 

 

 

18 joão queiroz   Entretanto a exposição “Afinal era uma Borboleta” do pintor João Queiroz, composta por seis pinturas a óleo de grandes dimensões, concebidas especificamente para o espaço do Pavilhão Branco no Museu da Cidade (Campo Grande, nº 245) e que ocuparam o artista durante todo este ano, num minucioso processo de trabalho, a qual tinha como data inicial de encerramento este Domingo 10 de Fevereiro, poderá ser vista até ao dia 3 de Março.

   João Queiroz (Lisboa, 1957 −), licenciado em Filosofia, expõe os seus primeiros trabalhos de pintura e desenho na primeira metade dos anos 80. A conjugação destes dois interesses, a Filosofia por um lado, e a Pintura e o Desenho por outro, estão bem espelhados por toda a sua  obra, onde encontramos a sua reflexão sobre o papel da imagem na contemporaneidade e as abordagens experimentais a problemas antigos da linguagem da arte através de representações sensoriais da paisagem.

   A entrada é livre.

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(para as razões desta nova forma de Agenda ler aqui ; consultar a agenda de Quarta aqui)

 

 

 

 

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