EDITORIAL: O HOMEM CERTO

Diário de Bordo - II

 

Franquelim Alves é o homem certo para o Governo. Não tenham dúvida. Ora pensem um pouco na política do actual governo. Para escolher alguém para uma pasta como a do Empreendedorismo, Competitividade e Inovação, nada como um homem com um currículo tão variado, que parece ter uma carreira sempre em lugares de direcção de empresas de nomeada, e que até já tinha estado no governo, como secretário de estado adjunto de Carlos Tavares, no XV Governo, sob a liderança de Durão Barroso, em 2003.  Como chama a atenção a  Visão, no seu número 1040, saído a semana passada, num texto de Sónia Sapage, com Clara Teixeira e Paulo Pena, ele é um homem com uma carreira política já longa, iniciada na Federação dos Estudantes Marxistas-leninistas, do MRPP.

Portanto, estamos perante um homem com uma carreira típica. Não é preciso ir buscar Os Donos de Portugal para o perceber. Uma carreira começada pretensamente à esquerda (não se leia nesta frase qualquer hostilidade em relação ao MRPP; de outras forças políticas que se diziam de esquerda saíram igualmente figuras públicas hoje altamente bem vistas pela oligarquia que nos governa), carreira em empresas de renome (então o senhor aos dezasseis anos já era assessor da Ernst & Young! por muito que o senhor tenha dourado o currículo não é para qualquer um, mesmo que fosse só para servir cafés).

Este governo é típico de um país pequeno e dependente, com uma história complicada, e que está desde o século XIX nas garras de um capitalismo impiedoso. O BPN foi um caso típico do capitalismo financeiro. Os seus gestores serviram-no incondicionalmente. Franquelim Alves está bem no governo. O governo é que está mal em Portugal. Como o estaria em qualquer outro país.

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