PAULO DE CARVALHO CANTA AGOSTINHO DA SILVA

Imagem1Logo, na próxima sessão da noite, concluímos a homenagem a Agostinho da Silva, homenagem que temos vindo  a prestar ao longo das últimas sessões que dedicamos a quem por gostar da noite ou por não conseguir adormecer está acordado e atento à realidade. Deixamo-vos com Paulo de Carvalho cantando versos de Agostinho da Silva no  Cine Teatro Messias, na Mealhada. Mas antes, leiam este outro poema – “Queria que os portugueses”…

Queria que os portugueses
tivessem senso de humor
e não vissem como génio
todo aquele que é doutor

sobretudo se é o próprio
que se afirma como tal
só porque sabendo ler
o que lê entende mal

todos os que são formados
deviam ter que fazer
exame de analfabeto
para provar que sem ler

teriam sido capazes
de constituir cultura
por tudo que a vida ensina
e mais do que livro dura

e tem certeza de sol
mesmo que a noite se instale
visto que ser-se o que se é
muito mais que saber vale

até para aproveitar-se
das dúvidas da razão
que a si própria se devia
olhar pura opinião

que hoje é uma manhã outra
e talvez depois terceira
sendo que o mundo sucede
sempre de nova maneira

alfabetizar cuidado
não me ponham tudo em culto
dos que não citar francês
consideram puro insulto

se a nação analfabeta
derrubou filosofia
e no jeito aristotélico
o que certo parecia

deixem-na ser o que seja
em todo o tempo futuro
talvez encontre sozinha
o mais além que procuro.

(Agostinho da Silva, in Poemas)

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