ESCRITO NA AREIA… OU TALVEZ NÃO – Entusiasmo e criatividade – por António Mão de Ferro*

A situação que atravessamos apela a uma visão diferente das coisas e a um profissionalismo muito mais acentuado. Quando a maré está a favor todos parecem bons navegadores, o pior é quando vem a tempestade e o navio fica à deriva. É nessas circunstâncias que se vê a coragem do comandante e o valor da equipa, que terão de ser traduzidos na capacidade de superarem o perigo, o infortúnio e o medo. É nestas alturas que se verifica se os métodos de trabalho dão resultado e se cada um colabora até ao limite das suas forças para que o barco seja conduzido a bom porto.

Neste momento uma grande parte das nossas empresas anda à deriva e muitos responsáveis não conseguem aguentar, muitas vezes por falta de competência, mas outras porque numa boa parte dos casos a equipa é fraca e os seus elementos não se complementam nem revelam qualquer iniciativa, funcionam um bocado como o ditado, “aqui estás João, faz o que te mandam, come o que te dão”

Os tempos que correm não são para acomodados, exigem para além da coragem e da firmeza nas decisões uma grande capacidade criativa. Se se ponderar bem verifica-se curiosamente que a criatividade parece atingir o seu auge nas situações de crise. À medida que se põem em prática novas ideias, a perspetiva vai-se modificando.

O mundo é como ele é e não como gostaríamos que fosse, contudo a visão que dele temos varia de acordo com a observação que dele fazemos. Muitos consideram que é um “mundo cão” onde não vale a pena descruzar os braços, porque quando o mundo que têm na sua cabeça mudar, a sua vida mudará com ele. É-se ganhador ou perdedor, de acordo com o destino do mundo.

Outros nunca cruzam os braços e acreditam que é possível chegar àquilo que idealizaram. Consideram que parar, esperar ou recuar é próprio dos fracos e que, se as coisas estão mal, é preciso assumir cada vez mais riscos, aceitar cada vez mais desafios e empurrar para a frente, até se conseguir atingir os objetivos que se pretendem. Consideram que o impossível ainda não foi tentado e que as coisas só são impossíveis até alguém as fazer a primeira vez. Mesmo quando o esforço empreendido não dá os frutos pretendidos, e os projetos a que dedicaram durante bastante tempo o fruto do seu trabalho e do seu dinheiro, se esboroam, continuam a dizer que a pessoa não está acabada quando fracassa, mas quando desiste.

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* Nota da Coordenação – António Mão-de-Ferro

António Mão de Ferro, sociólogo e director de um instituto de Formação Profissional, inaugura esta rubrica que se publicará às quartas e sextas-feiras às 20 horas. Falará, não só de temas relacionados com a sua formação académica e com a sua actividade profissional, mas de um leque abrangente de temas. Argonauta desde o primeiro dia, inicia hoje uma colaboração assídua. O título da sua secção – “Escrito na areia… ou talvez não” espelha bem o que aqui todos fazemos – exprimir ideias, areias que o vento dispersará. Porém, há sempre a esperança (e isso nos leva a  porfiar) de que alguma coisa fique. De que alguém retenha alguma das ideias que expendemos ou que, concordando ou discordando, algo do que dizemos desencadeie a criação de alguma ideia – se assim for, o nosso trabalho estará justificado.

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