Selecção e tradução de Júlio Marques Mota
A propósito de imagens sobre uma Europa que assim não queremos
Uma informação do grupo parlamentar GUE/NGL
Hoje o Grupo GUE / NGL recebeu uma delegação de trabalhadores de França (Florange), da Bélgica e do Luxemburgo, trabalhadores da Arcelor Mittal. Nesses encontros, organizou-se uma manifestação de 2.000 pessoas sobre os despedimentos e sobre as perdas globais de postos de trabalho (7000 ao todo na Europa), no grupo Arcelor Mittal.
A discussão mostrou os perigos da estratégia do grupo Mittal. Procurando dar cabo da indústria do aço na Europa enquanto que a investigação e as necessidades são importantes. Assim por exemplo, pela primeira vez se começou aço em França. E todos os especialistas prevêem que muito em breve será então a vez da Europa. Mostraram-se os truques de contabilidade para colocar numa situação o próprio grupo… “Em suma, declarou um interveniente, um responsável sindical: “nós dirigimos-nos aos eleitos locais e estes disseram-nos que nada podem fazer, dirigimo-nos aos ministros e estes dizem-nos a mesma coisa, dizem-nos para irmos ter com a Europa e quando nos dirigimos à Europa , dizem-nos que nesta matéria não podem fazer nada… “”
Então, é preciso que os políticos cumpram o seu papel…
” Na discussão Jacky Henin mostrou-se ao lado de deputados de outros países, mostrou como o nosso grupo estava ao lado deles. Como é hoje extraordinariamente importante a luta para a defesa da indústria e do emprego.
A discussão estava em boa andamento quando os trabalhadores perceberam que a polícia carregava sobre os seus camaradas. Eles decidiram parar a reunião, anularam todos os encontros previamente marcados (eles deveriam também ser recebidos pelo o Presidente do Parlamento Europeu) para irem para a frente dos manifestantes com os deputados presentes para pôr fim à violência.
Aqui está o comunicado de Jacky Henin a este respeito:
Arcelormittal em Estrasburgo:
Àqueles que levantam a questão do futuro responde-se-lhes com as matracas e com o gaz lacrimogénio!
Quero expressar minha revolta face ao tratamento que tem sido infligido aos trabalhadores das siderúrgicas que vieram defender os seus empregos em Estrasburgo diante do Parlamento Europeu.
Bloqueados e revistados nos seus autocarros a 10 km de Estrasburgo, os sindicalistas foram, em seguida, impedidos de desfilarem como o pretendiam.
Os sindicalistas também nos relataram fatos que, se foram comprovados, serão indignos, indecentes, tais como o uso de Tasers até dentro dos próprios autocarros. Durante a manifestação, verificaram-se também vários tiros de flashball.
Esta violência é inaceitável, ela de resto deu origem a várias reacções de cólera, em que os custos de mobiliário urbano são visíveis.
É uma armadilha que foi estendida aos sindicalistas. Agindo desta forma, as autoridades fecharam a porta ao diálogo e à concertação social.
Após os acontecimentos em Paris é a segunda vez que o Estado francês responde com violência às legítimas reivindicações dos metalúrgicos.
Alguns assalariados fizeram várias horas de carro para simplesmente expressarem aos deputados europeus que o AÇO pode e deve viver na Europa e também para protestarem contra o sacrifício dos seus instrumentos de trabalho.
À luz do que se passou neste dia pode-se ainda afirmar que são os trabalhadores que defendem hoje em França e na Europa o emprego e certamente não os empregadores. Os poderes públicos, aparecem completamente desligadas da realidade, incapazes de assumir as suas responsabilidades no que diz respeito a estes patrões altamente desonestos.




