REFLEXÕES SOBRE A MORTE DA ZONA EURO, SOBRE OS CAMINHOS SEGUIDOS NA EUROPA A CAMINHO DOS ANOS 1930

Selecção e tradução de Júlio Marques Mota

Arcelor-Mittal - II

A propósito de imagens sobre uma Europa que assim não queremos

Uma informação do grupo parlamentar  GUE/NGL

Hoje o Grupo GUE / NGL recebeu  uma delegação de trabalhadores de França (Florange), da Bélgica e do Luxemburgo, trabalhadores da Arcelor Mittal. Nesses encontros, organizou-se uma manifestação de 2.000 pessoas sobre os despedimentos  e sobre as perdas globais de postos de trabalho  (7000 ao todo na Europa), no grupo  Arcelor Mittal.

A discussão mostrou os perigos da estratégia do grupo  Mittal. Procurando dar cabo da indústria  do aço na Europa enquanto que a investigação e as necessidades são importantes. Assim por exemplo, pela primeira vez se começou aço em  França. E todos os especialistas prevêem que muito em breve será então a  vez da Europa. Mostraram-se os truques de contabilidade para colocar numa situação o próprio grupo… “Em suma, declarou um interveniente, um responsável sindical: “nós dirigimos-nos aos eleitos locais e estes disseram-nos que nada podem fazer,  dirigimo-nos aos ministros e estes dizem-nos a mesma coisa, dizem-nos para  irmos ter com a Europa e quando nos dirigimos à Europa , dizem-nos que nesta matéria não podem fazer nada… “”

Então, é preciso que os políticos cumpram o seu papel…

” Na discussão Jacky Henin mostrou-se  ao lado de deputados de  outros países, mostrou como o nosso grupo estava ao lado deles. Como é hoje extraordinariamente  importante  a luta para a defesa da  indústria e do emprego.

A discussão estava em boa andamento quando os trabalhadores perceberam  que a polícia  carregava sobre os seus camaradas. Eles decidiram parar a reunião, anularam  todos os encontros previamente marcados  (eles deveriam  também ser recebidos pelo o Presidente do Parlamento Europeu) para irem  para a frente dos manifestantes com os deputados presentes  para pôr fim à violência.

Aqui está o comunicado de Jacky Henin a este respeito:

Arcelormittal em Estrasburgo:

Àqueles que levantam a questão do futuro responde-se-lhes com as matracas e com o gaz lacrimogénio!

Quero expressar minha revolta face ao tratamento que tem sido infligido aos trabalhadores das siderúrgicas que vieram defender os seus empregos em Estrasburgo diante do Parlamento Europeu.

Bloqueados e revistados nos seus autocarros a  10 km de Estrasburgo, os sindicalistas foram,  em seguida, impedidos de  desfilarem como o pretendiam.

Os sindicalistas também nos relataram fatos que, se foram comprovados, serão indignos, indecentes, tais como o uso de Tasers  até dentro dos próprios autocarros. Durante a manifestação, verificaram-se também vários tiros de flashball.

Esta violência é inaceitável, ela de resto deu origem a várias reacções de cólera, em que os custos de mobiliário urbano são visíveis.

É uma armadilha que foi estendida aos sindicalistas. Agindo desta forma, as autoridades fecharam a porta ao diálogo e à concertação social.

Após os acontecimentos em Paris é a segunda vez que o Estado francês responde com violência às legítimas reivindicações dos metalúrgicos.

Alguns assalariados  fizeram várias horas de carro para simplesmente expressarem  aos deputados europeus   que o AÇO  pode e  deve viver na Europa e também para protestarem  contra o sacrifício dos seus instrumentos de trabalho.

À luz do que se passou neste dia pode-se  ainda afirmar  que  são  os trabalhadores que defendem hoje em França e na Europa  o emprego  e certamente não os empregadores. Os poderes públicos, aparecem completamente desligadas da realidade, incapazes de assumir as suas responsabilidades no que diz respeito a estes patrões altamente desonestos.

Arcelor-Mittal - III

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