DOIS LIVROS SOBRE A GUERRA COLONIAL

Imagem1Continuando a não privilegiar aaaas novidades, falamos hoje de dois livros saídos há tempso atrás, mas que são de grande importância para a compreensão da Guerra Colonial  – Depois das obras Memórias de um Guerreiro Colonial, de José Talhadas, e Estranha Noiva de Guerra, de Armor Pires Mota, a colecção Guerra Colonial fica enriquecida com dois novos títulos, em que os autores contam as suas experiências no conflito colonial de Angola.

São dois importantes contributos para a História, que chegam aos leitores no ano em que se assinala o cinquentenário do início da guerra colonial. –

Angola – O Conflito na Frente Leste, de Benjamim Almeida

Em 1966, o MPLA iniciou a luta no Leste angolano, com vista à ocupação de uma vasta área e respectiva ligação à frente norte através da chamada Rota Agostinho Neto. Falhou ambos os objectivos devido à forte oposição, não apenas das Forças Nacionais mas também da UNITA, graças à Operação Madeira. Esta operação marcou o relacionamento das autoridades militares com aquele movimento durante longo período. Nesta obra é realçada, com algum detalhe, a natureza dessas relações, suportada por documentos inéditos. Entre estes destaca-se alguma correspondência trocada entre o presidente da UNITA e o autor, bem como o relatório do encontro entre ambos, que teve lugar em 20 de Outubro de 1973. Sem qualquer atitude ficcional, este livro é o relato autobiográfico da odisseia de um capitão miliciano na guerra colonial.

  A Última Estação do Império, de António Chaves

A 23 de Janeiro de 1964, um jovem de 20 anos apanha, na estação de S. Bento, o último comboio da noite, com destino a Santa Apolónia. Chama-se António Carneiro Chaves, é natural da aldeia de Negrões, concelho de Montalegre, e esta será a primeira etapa de uma viagem que o conduzirá, juntamente com um grupo de outros recém-incorporados, tal como ele, no serviço militar, até ao quartel de Mafra, onde irão fazer recruta. Numa escrita por vezes poética na descrição de paisagens e emoções, António Chaves narra cerca de quatro anos que considera de interregno na sua vida; percurso em que, extasiado com o esplendor e a magia do mundo africano, tenta entender a natureza e cultura dessas gentes, tão diferentes das que até ali conheceu. Líder com um claro sentido de estratégia e comando, nunca perde, no mais fundo do coração, a memória e a saudade da sua terra e dos seus. Procura, à luz de documentação histórica, as razões que poderão explicar os caminhos que desembocaram na guerra em que participou. O amálgama de reflexões e vivências narradas, situando esta obra entre o romance autobiográfico e o ensaio, levanta questões comuns a todos que ali aportaram, justificando a sua edição e o interesse na sua leitura.

1 Comment

  1. At que enfim ,a “guerra colonial ” emerge do tabu criado sua volta – Um comportamento que sempre achei “bizarro ” -infelizmente foi uma etapa histrica malfadada -Portugal teve apenas uma preocupao ” PSICO SOCIAL ” de onde se criou uma burguesia mestiada na convio de que deste modo ,a presena de Portugal iria sobreviver -foi uma guerra que destruiu corpos e almas para sempre .Sou lusomoambicana ,me de 6 filhos .Dois assassinados pelo basfond da droga -um que substituiu a droga pelo alcool ,de convulses epiltica,outro ,o mais velho sediado na frica do Sul hoje com 55 anos ,marcado por uma descolinizao que o obrigaram a lutar longe da familia pela vida ,a mais velha ,me de 6 filhos ,licenciada e mestrada sediada na Irlanda e a mais nova na carreira diplomtica -apesar desta diversidade “todos estamos l ” com a eterna incompreeno de uma guerra sem sentido -Portugal vivia o sonho eterno da presena africana -Termino com o verso de Fernando Pessoa - a Hora !Obrigada pelo envio destas duas obras -deve ajudar a compreenso doque nunca nos foi explicado e deixar no ar que o sofrimento no escolhe ,apenas cai em qualquer lar . Maria S

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