Tu, ó Alexandre O’Neill. tiraste o curso na Escola Náutica mas não te deram a carta de piloto por causa da tua miopia. Frustrado, gemeste em verso:
Eu andei para marinheiro
mas pus óculos e fiquei em terra.
Antes que vás naufragar em seco, pergunto:
– O’Neill? Mas que raio de nome é esse?
– Sou filho de um lorde irlandês. Tomarei posse do condado verde quando o meu pai bater as botas. Espera que me desespera, pois gosto muito de irish coffee e do trevo de quatro folhas…
Gargalhadas e depois, em Lisboa, marchamos, lado a lado, pelo Chiado. Poderíamos ter abancado n’A BRASILEIRA. Com os seus espelhos e o painel modernista, o Café é sedutor. Mas o que lhe estraga o ambiente é volta e meia aparecer por ali o inspetor Seixas, o torturador da PIDE, a exibir ora a sua truculência, ora a sua troupe de noviços acabados de sair da tropa. Portanto, o mais saudável é descermos a rua Garrett. Do lado esquerdo, um pouco mais abaixo da livraria Sá da Costa, fica o CAFÉ CHIADO.
E aí vamos nós, tu a saltitar como se houvesse pocinhas no passeio e sempre com um discurso sincopado. Se fosses pianista, serias certamente campeão de stacato.