O PATO ALGEMADO – XXVI – por Sérgio Madeira

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O ESTRANHO CASO DO PASTOR ALEMÃO – A mecânica Celeste

O Pais palitou um dente após o que, com ar meditativo, lançou uma das suas pérolas de sabedoria;

– Parecendo que não, isto anda tudo ligado.

– Houve um poeta que disse isso – comentou Filipe.

– Ah sim? Pois então não devia de andar nas nuvens, porque isso é uma grande verdade. – meditou durante momentos. Continuou: – Sabe quem é que organizou a fuga do Pedro  Janelas?

– Pedro Janelas?

– Sim, o travesti, o Louca do Caldas.

– Quem foi?

– Celeste, a dona da oficina da Rua da Padaria, a presumível filha do comendador. Contratou o Cabinda, o maluquinho de São Cristóvão. – o Pais fez um sinal para o empregado de mesa – o dedo rodando em torno do pires vazio. Era o gesto convencionado para trazer mais meia dúzia de pasteis de bacalhau e outro café duplo. Retomou a conversa: – Sabia que a Laura tinha um filho?.

– Sim, ela disse-me, Mas não entrou em pormenores.

– Pois – o pires com a recarga de pastéis chegou e Pais enquanto despachava o primeiro olhou Filipe com ar especulativo – O puto, com treze anos já andava ao ataque no Parque Eduardo VII. Fazia parte de um bando chefiado por um tal Igor, um rapazola filho de imigrantes de Leste. Dezoito anos, louro, magro e alto, a Laura apaixonou-se pelo Igor.

– E então’

O Pais pareceu não ter ouvido, pois respondeu com uma reflexão:

– Esta merda é mesmo um Pralim sexto…

– Palimpsesto.

– Foi o que eu disse – E engoliu o segundo pastel da segunda dose.

– Sabe quem é que andava metida com o Igor?

– A Laura.

– Bem, a Laura estava apaixonada, mas quem andava com ele era a Celeste.

– A mecânica.

– Sim, lógico, a mecânica Celeste.

A seguir – Drama no Parque Eduardo VII

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