Pentacórdio para Quinta-feira 7 de Março

por Rui Oliveira

 

 

 

487196_10151495185107702_550261384_n   Na Quinta-feira 7 de Março estreia na Sala Principal do São Luiz Teatro Municipal, às 21h, a conhecida peça “A Visita da Velha Senhora” de Friedrich Dürrenmatt em tradução de João Barrento, com encenação de Nuno Cardoso, cenografia de F. Ribeiro e música original de Rui Lima e Sérgio Martins.

   A interpretação está a cargo de Maria João Luís, Horácio Manuel, Cândido Ferreira, Luís Lucas, Tónan Quito, Pedro Frias,  Daniel Pinto, João Melo e ainda actores da Companhia Maior (a estrutura criada originalmente no CCB para integrar profissionais do teatro, dança e música com mais de 60 anos), a saber : António Pedrosa, Carlos Nery, Celeste Melo, Cristina Gonçalves, Diana Coelho, Helena Marchand, Isabel Millet, Isabel Simões, Iva Delgado, Jorge Falé, Júlia Guerra, Kimberley Ribeiro, Manuela de Sousa Rama, Paula Bárcia e Vitor Lopes.

   Da sinopse distribuida consta :

306109_10151496718827702_1140325156_n   «Em 1956, Dürrenmatt escreve uma peça fulgurante sobre uma cidade arruinada que espera a visita da mulher mais rica do mundo para encontrar o seu resgate económico. Exactamente cinquenta e seis anos depois, seria difícil encontrar um texto que nos devolvesse com maior precisão a confusão ética e política em que o estado de necessidade financeira lança uma comunidade que sempre se regeu por valores convencionais. Claire Zachanassian é o arquétipo do poder, da sua discricionariedade e do seu lado pulsional. É a face do dinheiro, fria e determinada. Esta montagem de “A Visita da Velha Senhora” é, pelo contrário, a face da colaboração e das virtualidades da partilha artística e de investimento com o objectivo de construir um espectáculo a uma escala que já não é habitual, nestes tempos de todas as crises. Duas companhias e dois teatros (para já…) juntam esforços, elencos, equipas criativas e técnicas, para persistir na ideia do Teatro como um mecanismo, negro e cómico, de questionamento de nós próprios».

 

   Em dias subsequentes, 11 e 18 de Março, haverá palestras de tempo.futuro “A Propósito d’A Visita da Velha Senhora” no Jardim de Inverno, às 21h, sobre os temas Polis/Cidadania/Governação e Economia/Justiça/Direitos Humanos.

 

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   Ao Grande Auditório da Culturgest chega nesta Quinta-feira 7 de Março, às 21h30, a  Orquestra Jazz de Matosinhos dirigida por Carlos Azevedo e Pedro Guedes que colaborará no palco com o pianista João Paulo Esteves da Silva.

   É conhecido o já amplo conjunto de obras para big band encomendadas pela Orquestra Jazz de Matosinhos (OJM) ao compositor João Paulo Esteves da Silva. Um reforço de seis músicas da autoria deste pianista integra-se no programa deste concerto, o que inclui temas da autoria de João Paulo, com arranjos de Carlos Azevedo (Certeza e Bela senão sem); Pedro Guedes (Tristo, Fado Menor e Canção Açoriana); Moche Salyo Misraim, uma canção tradicional sefardita harmonizada pelo pianista, com arranjo de Pedro Guedes e um sétimo tema, A Candeia, escrito e orquestrado pelo próprio pianista. scapegrace

   Quanto ao convite feito pela OJM a João Paulo Esteves da Silva surge como o resultado natural de um percurso do pianista e compositor que tem pontos de contacto com o jazz, desde 1979, ano em que participou no Festival de Jazz de Cascais. Depois, em 1996 conhece o produtor Todd Garfinkle, com quem inicia uma longa colaboração, documentada em seis discos, a qual dura até 2001. Nesse ano, grava um primeiro disco a solo, “Roda”. O seu último disco “Scapegrace”, em duo com Dennis Gonzalez, foi galardoado com o prémio “Autores” da SPA para o Melhor Disco 2009.

   Temos aqui um exemplo (feliz) da colaboração da Orquestra de Jazz de Matosinhos dirigida por Pedro Guedes e o pianista João Paulo Esteves da Silva na Casa da Música em Fevereiro de 2011 :

 

 

 

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   Na Sala Principal do Teatro Maria Matos, às 21h30 da mesma Quinta-feira 7 de Março, a coreógrafa caboverdiana Marlene Monteiro de Freitas , “criadora e intérprete (como bem refere Cláudia Galhós no “Actual” desta semana) de duas das mais estimulantes peças de dança (Guintche e (M)imosa)”, estreia uma sua nova criação “Paraíso – colecção privada” que conta com cinco intérpretes – Yair Barelli, Lorenzo De Angelis, Luís Guerra, Andreas Merk e a própria.paraíso 3

   Aí, esta integrante do colectivo Bomba Suicida trabalha as diferentes dimensões da ideia de Paraíso, num espectáculo que classifica de concerto coreográfico, pontuado por elementos estranhos, eventualmente cómicos, articulados ritmicamente. Constrói, assim, um lugar indefinido, desenhado por música, dança, flora e fauna, clima, bebida e comida, onde ocorrem encontros fortuitos com máquinas de costura, alfinetes e outros materiais dissonantes.paraíso - bomba suicida

   Esta é a descrição que a coreógrafa faz do objecto da sua criação artística :

   «Lugar imaginário de génese cristã, no paraíso a vida decorre liberta dos constrangimentos e limitações do quotidiano e da vida terrena. É assim que à escassez alimentar se contrapõe a abundância, ao fardo do trabalho, a vida livre de esforços e obrigações. Há um paraíso anterior à criação, desregrado mas inocente, por não conhecer o pecado original, e o paraíso da virtude, ou seja, a terra prometida no céu para os que levaram uma vida virtuosa. Mas, à medida que se foi libertando da esfera moral-religiosa do Juízo Final, para, progressivamente, ir entrando na esfera das artes, o paraíso tornar-se-ia no lugar do exótico e do maravilhoso. Percurso indissociável do inferno, sendo que ambos constituem lugares por excelência da imaginação artística».

   A primeira parte (1 min 30) desta Circular do Festival de Artes Performativas de Vila do Conde em Setembro de 2012 dá uma ideia clara da originalidade deste “Paraíso” de Marlene Monteiro de Freitas :

 

 

 

 

solistas da Jugend Orq 1   Também na Quinta-feira 7 de Março a Gulbenkian Música antecipa a vinda ao seu auditório no próximo dia 10 da Gustav Mahler Jugendorchester (GMJO) organizando com alguns Solistas da GMJO um concerto de apresentação às 19h no Grande Auditório da Fundação Calouste Gulbenkian onde irão ser interpretados de :

 

      Johann Sebastian Bach  Corais para metais

      Wolfgang Amadeus Mozart  Serenata nº 12, K. 388, Nachtmusik

      Franz Schubert  Octeto em Fá maior, D. 803

 

   Lembre-se que, fundada em Viena por Claudio Abbado, Thomas Angyan e Hans Landesmann, em 1986, a Gustav Mahler Jugendorchester nasceu com o propósito de possibilitar que jovens músicos austríacos partilhassem experiências artísticas com representantes dos países do Leste europeu. Após a queda do Muro de Berlim, a orquestra abriu as suas portas a todos os jovens músicos europeus. Muitos dos antigos membros da Orquestra integram actualmente as principais orquestras europeias, alguns deles como intérpretes solistas dos respectivos instrumentos, sendo também excepcionais músicos de câmara.

 

 

 

Logonovo Hotclub   Ainda no vasto campo da música, o Hot Clube de Portugal (Praça da Alegria, nº 48) traz ao seu palco desde esta Quinta-feira 7 de Março até Domingo 10, às 22h30 (novo horário!) o “Romain Pilon Trio” composto por  Romain Pilon (guitarra), Demian Cabaud (contrabaixo) e Marcos Cavaleiro (bateria).

romain pilon   Sendo os seus companheiros figuras presentes habituais, acrescente-se então que Romain Pilon, graduado pelo reconhecido Berklee College of Music, actua há mais de 10 anos em Paris onde tocou e gravou com músicos de nomeada como Christian Scott, Esperanza Spalding, Walter Smith III, Perico Sambeat, Jamire Williams, Alex Sipiagin, Danilo Perez e outros.

   Actualmente faz parte do Paris Jazz Underground Collective, que reune alguns dos mais criativos improvisadores da cidade.

   Com Matt Brewer e Colin Stranahan gravou recentemente o seu último álbum “NY3” que virá certamente divulgar a Lisboa e de que, p.ex. o Jazzmagasine” diz «… ao ouvi-lo vem à memória as alegrias da descoberta de Jim Hall ou do inicial Pat Metheny de “Bright Size Life…” ou onde outros descobrem “um dos melhores guitarristas actuais” (Peter Bernstein).

   Ouça-se o tema “Then she blinked” desse novo “NY3” :

 

 

 

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   No campo do cinema, o realce tem de ir para a inauguração da “MONSTRA 2013”, o 12º Festival de Animação de Lisboa que decorrerá desta Quinta-feira 7 de Março até ao Domingo 17 em Lisboa no Cinema São Jorge e em múltiplas outras salas (City Classic Alvalade, Fundação Gulbenkian, Teatro Meridional, Teatro da Marioneta, Museu Nacional de Etnologia, etc.).

monstra 2013   Reza o seu Comunicado de Imprensa : « Em 2013 a MONSTRA comemora os 105 anos de Hotel Eléctrico, de Segundo de Chomon, pai do cinema Espanhol /Catalão e o trigésimo aniversário de Boi Aruá de Chico Liberato. Daqui partimos para uma retrospectiva da animação da vizinha Espanha e do irmão Brasil composta por mais de 400 filmes.

   Temos também em competição longas metragens, curtas de estudantes, curtíssimas e o premio “Vasco Granja/ SPAutores”. Acrescentamos em 2013 o “Prémio de Apoio à Produção” patrocinado pela Same day Solutions /SDS. Mais um incentivo à produção de animação em Portugal.

   Na Fundação Calouste Gulbenkian realizamos um programa especial dedicado à animação e às artes plásticas e o “Primeiro Encontro Internacional de Formadores e Oficinas de Cinema de Animação”.

   Na MONSTRINHA levamos às escolas e cinemas os “bonecos de luz”, com a mesma  intensidade e prazer que encontramos nos jovens que os recebem.

   Grandes mestres vêm de Moscovo, Madrid, Tóquio, Montreal, Lièges, Paris, Berlim, Beijing, Barcelona… para trocarem o seu conhecimento, metodologia e formas de pensar e realizar.

   Em parceria com o Museu da Marioneta apresentamos originais de marionetas e cenários do estúdio I+G Stop Motion de Barcelona e da produção galega “O Apostolo”.

   Do Japão destacamos A Letter to Momo, From Up on Poppy Hill, O Tumulo dos Pirilampos e a obra prima da manga e do anime japonês AKIRA de Ôtomo Katsuhiro. Entre nós estará o multipremiado realizador Japonês Mirai Mizue…»

   Para conhecer a programação integral procure em : http://www.monstrafestival.com/Programa/Programa.pdf

 

   Neste primeiro dia 7 de Março, como referimos acima, a Sessão de Abertura às 21h30 no Cinema São Jorge será uma Abertura Oficial Brasil onde serão projectados o filme de Thomate (Thomas Larson) intitulado “Rai Sossaith” (Brasil, 2011, 10’00), um divertido pretenso relato da vida social do colunista Atail Menezes e o filme de Chico Liberato chamado “Um Outro” (Brasil, 2008, 17’00), além de também ser apresentada uma encomenda da Monstra para uma curta de animação portuguesa (em estreia).

   Mostramos ao leitor o trailer do filme de Thomate :

 

 

   E também prestamos a nossa homenagem  ao pioneiro animador Chico Liberato que, em 1970, construi a história dum fazendeiro orgulhoso que por sete vezes é desafiado pela extraordinária aparição do “Boi Aruá”, o nome do filme cujo excerto inicial (e seguintes) aqui lhe mostramos :

 

 

 

paulo rocha 1   Ainda no cinema não queremos deixar de assinalar a homenagem que a Medeia Filmes vai prestar a um pioneiro e personagem importante do novo cinema português recentemente falecido, Paulo Rocha. Co-fundador da cooperativa “Centro Português de Cinema”, estudara cinema em Paris onde veio a ser assistente de Jean Renoir (e, mais tarde, do seu amigo Manoel de Oliveira).

   Após a Cinemateca Portuguesa que o fez logo após a sua morte, é agora no Espaço Nimas que até a 13 de Março (Quarta-feira) se exibirão dez dos seus filmes editados, que posteriormente seguirão para o Porto onde a projecção terá lugar no Teaatro do Campo Alegre .

   Assim a quem esta iniciativa interessar, saiba que pode começar nesta Quinta-feira 7 de Março, às 21h30, por ver “Os Verdes Anos” (1963) com Isabel Ruth e Rui Gomes nos principais papéis:

   Eis o filme integral (com agradecimentos a Filmes Portugueses, YouTube) :

 

 

 

 

(para as razões desta nova forma de Agenda ler aqui ; consultar a agenda de Terça aqui )

 

 

 

 

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