Pentacórdio para Sexta-feira 8 de Março

por Rui Oliveira

 

 

 

   Esta Sexta-feira 8 de Março é rica em eventos diversos de valor cultural variado, sem que possamos destacar nenhum em particular.

   Assim quem se desloque à noite ao CCB, terá à sua escolha espectáculos em ambos os auditórios.

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   No Pequeno Auditório, às 21h, actua o projecto Ogre constituído, como se sabe, por Maria João voz, João Farinha  fender rhodes & sintetizadores, Júlio Resende piano, Joel Silva bateria e André Nascimento electrónica.

   O projecto OGRE (esclarece o programa) «nasceu da criatividade destes cinco músicos, que uniram universos sonoros distintos, construindo um todo coerente e… indefinível. Maria João dá voz a este “gigante devorador de várias línguas musicais” (o ogre!), à qual se juntam os teclados de João Farinha, o piano de Júlio Resende, a bateria de Joel Silva e a electrónica de André Nascimento. O quinteto surgido deste encontro promíscuo é algo de estranho e mágico, que aposta numa sonoridade invulgar, em que jazz e música electrónica (drum’n’bass, dub, electroacústica…) se combinam».Ogre electrodomestico

   Neste espectáculo, os OGRE apresentam o seu álbum de estreia “Electrodoméstico “(2012, JACC Records) e um repertório ecléctico, com composições originais e versões de temas de jazz e de pop-rock.

   Do programa constam  Black crow, Ma é do bom, Relógio, A ilha, Reggae da Maria, E-bit, Goodbye pork pie hat e Rarefeito.

   É possível ouvir algumas destas canções aqui, ou o tema de João Farinha e Maria João Ma é do bom através deste link  http://youtu.be/tHdaGG23F64   ou no vídeo abaixo o tema de Djavan A Ilha num registo (deficiente) feito no Ritz Club em Novembro de 2012 :

 

 

Os-Poetas-Rodrigo-Leao-2   Ao Grande Auditório do Centro Cultural de Belém, também às 21h, regressa Rodrigo Leão, um dos mais reconhecidos compositores portugueses contemporâneos, «cuja música já viajou à volta do mundo, recebendo aplausos por toda a Europa, no Extremo Oriente e na América (diz o programa). Para ele, pisar o palco é um pretexto para experimentar novas ideias e para revisitar momentos marcantes da carreira. Ao voltar ao Grande Auditório, sala que esgotou aquando da apresentação do disco A Montanha Mágica, o compositor promete corresponder à expectativa de quem o tem seguido de perto ou de quem queira agora embarcar nessa entusiasmante aventura».

    Na 1.ª Parte “Os Poetas” deve dar-se continuidade a um projecto com este nome de Rodrigo Leão e Gabriel Gomes que tem vindo a percorrer um circuito de divulgação de obras de Mário Cesariny, Herberto Helder, Adília Lopes, António Ramos Rosa, Al Berto e Luísa Neto Jorge iniciado na Casa da Música em 3 de Março passado.

   Embora sem uma relação imediata, divulgamos um vídeo de “Os Poetas” com o nome “O Navio de Espelhos” já de 2007 criado por Rodrigo Leão, Gabriel Gomes e Francisco Ribeiro (todos curiosamente ex-Madre Deus) com poema e voz de Mário Cesariny :

 

joana machado

   No Jardim de Inverno do São Luiz Teatro Municipal, nesta Sexta-feira 8 de Março e no Sábado 9, às 24h, o espectáculo “Blame it on my Youth” visa contribuir para divulgar o álbum do mesmo nome da jóvem cantora de jazz Joana Machado, pelo que no palco estarão além de Joana Machado voz, Bruno Santos guitarra, Óscar Graça piano/teclados, Bernardo Moreira contrabaixo e Alexandre Frazão bateria.

   Trata-se, diz o Teatro, de «um manifesto de regresso às origens. O velho standard de Oscar Levant empresta o seu nome a um projecto em que o Jazz abraça a Pop, o Rock, a Soul e o R&B, estilos em que Joana Machado deu os seus primeiros passos. Aqui incarna os temas da sua juventude e as canções da actualidade, interpretando-os com incessante procura por beleza nas melodias, característica que a define».joana machado disco

   Após 4 discos de Jazz na sua vertente mais erudita – Crude” (2006), “A Casa do Óscar” (2009), “Travessia dos Poetas” e “Rosapeixe” (2010) e “Desnudo” (2011), em “Blame it on my Youth” Joana Machado (professora universitária em Música) afirma-se como compositora de um Jazz mais eclético, contribuindo com as suas próprias criações para a homogeneização de um repertório que combina ainda os universos distintos de autores como Erykah Badu, Feist, James Blake, Pearl Jam e Nirvana.

  A génese do seu novo álbum “Blame it on my youth” já a explicámos em Pentacórdio anterior e encontra-se em  http://youtu.be/Hd9JRkqnY_o . Hoje deixamos-lhe outro dos seus temas “Do You Know” registado ao vivo no Centro de Artes de Sines em 2012 :

 

sonspelacidade   No campo da música “mais” clássica, a Orquestra Metropolitana de Lisboa participa, em colaboração com a Câmara Municipal de Lisboa, em mais uma iniciativa “Sons pela Cidade” levando, a abrir, nesta Sexta-feira, 8 de Março, ao ISEG – Instituto Superior de Economia e Gestão, às 21h30, o seu Ensemble de Saxofones da Metropolitana  (sob a direcção artística e musical de João Pedro Silva) que ali irá tocar de :

 

      Antonin DvořákDança eslava n.º 7 (arranjo de Richard Jensen)

      Gustav HolstOs planetas, quatro peças da suite op. 32 (arranjo de Richard Jensen)

      George GershwinPorgy and Bess, suite da ópera (arranjo de Stefano Nanni)

      Astor PiazzollaBalada para um loco (arranjo de Lino Guerreiro)

ensemble saxofones metropolitana

   O Ensemble de Saxofones da Metropolitana, agrupamento formado por alunos da Escola Profissional Metropolitana e formação convidada de mais uma edição do ciclo Sons pela Cidade,  percorrerá ao longo de três dias as freguesias de Lisboa, animando espaços de convívio e instituições importantes na vida da cidade.

   Dará formalmente mais dois concertos, um no Sábado, 9 de Março, às 17h00, na Fundação Portuguesa das Comunicações e outro no Domingo, 10 de Março, às 17h00, no Auditório da Junta de Freguesia de Campolide.

   Todos os concertos são de entrada livre e comentados por Rui Campos Leitão.

 

concerto novo futuro   Ainda a 8 de Março (Sexta-feira), na data em que se comemora o Dia Internacional da Mulher, a mesma Orquestra Metropolitana (sob a direcção de Cesário Costa) junta-se a algumas das maiores vozes femininas da música nacional no palco do Pavilhão Atlântico, às 22h, para um “Concerto por um Novo Futuro”.

   São elas Mafalda Veiga, Manuela Azevedo, Marisa Liz, Simone de Oliveira, Luísa Sobral, Cuca Roseta e Maria Bradshaw, elenco musical de excepção que une esforços numa actuação única, cuja receita reverterá integralmente a favor da associação Novo Futuro. Esta instituição de solidariedade acolhe crianças e jovens privados de um ambiente familiar adequado, procurando contribuir para a sua plena integração na sociedade. Ao longo de mais de uma década de trabalho, esta entidade terá conseguido abrir oito lares, para prosseguir uma obra cada vez mais importante (diz a organização).

 

 

wallenstein-b - Copy   Entretanto no Onda Jazz, às 22h30 da Sexta-feira 8 de Março, um espectáculo de “Poetry & Jazz”  terá como centro o “Barry Wallenstein & Jazz Trio” que reune Barry Wallenstein a voz, com Daniel Bernardes ao piano, Massimo Cavalli no contrabaixo e Jorge Moniz na bateria.

   O concerto com o poeta norte-americano Barry Wallenstein (diz o Onda Jazz) « vai  imergir-nos no mundo da palavra, que cruza e interage com a música jazz. Acompanhado pelo trio acima  iremos descobrir a interacção entre os músicos e o poeta, procurando os mecanismos que permitem criar melodias e acompanhamentos aptos a acariciar os versos, dando a enfâse certa às letras, sem as atropelar e também sem as encobrir».

 

 

maio coopé-10   À mesma hora aproximadamente, na Galeria Zé dos Bois, às 22h, celebrar-se-á (diz a ZDB) «o décimo aniversário da feliz união entre Maio Coopé (voz, cabaça, mbira e percussões) e a sua banda Djumbai Jazz (com Braima Galissá  kora, Sadjo guitarra acústica e Cabum percussão). Maioritariamente constituída por músicos de origem griot, corre-lhes nas veias a música clássica, delicada e contemplativa da cultura milenar e nobre do império mandinga».

   Cantor e percussionista, Maio Coopé (Guiné Bissau, n.1962) é um dos mais distintos representantes de uma das diásporas africanas musicalmente mais ricas, a par de Kimi Djabaté, N’ Dara Sumano ou Braima Galissá. Corre-lhe no sangue a magia gumbé e griot, inovando sempre perante uma tradição cultural pré-moderna.

   Seguem-se-lhes os DJs do Bailarico Sofisticado que garantirão que a festa continua noite dentro.

   Eis aqui um exemplo da sua música no tema “Si ki musica cumsa” :

 

 

   No Coliseu dos Recreios vai estar presente nesta Sexta-feira 8 de Março, às 22h, o cantor brasileiro Martinho da Vila que virá celebrar os seus 45 anos de carreira.MARTINho da vila~2

   Para essa eventualidade, o cantor e compositor lançou o álbum “Martinho da Vila 4.5 Atual”, uma versão mais actualizada do primeiro álbum “Martinho da Vila” (1969), o qual foi regravado e remasterizado para ter uma sonoridade mais “moderna”. A este alinhamento foram adicionados faixas bónus, temas inéditos, o que torna esta edição comemorativa um produto muito especial.

   No concerto iremos certamente também ouvir temas de sucesso duma carreira como cantor profissional que se iniciou em 1969 com o LP “Martinho da Silva”, seguindo-se-lhe grandes êxitos como “Casa de Bamba”, “Pequeno Burguês”, “Quem é do Mar Não Enjoa”, “Laiá do Cais Dourado” ou “Tom Maior”.

   Escute-se o tema remasterizado “Menina Moça” no novo álbum :

 

 

fabienne%20forel   No campo das conferências/exposições, o Institut Français de Portugal, por nesta Sexta-feira 8 de Março ser Dia da Mulher, convida o público para uma mesa redonda (de entrada livre) sobre o tema “Je suis juste devenue citoyenne”, seguida da inauguração da exposição de fotos de Fabienne Forel “Je suis juste née femme”.

   Terá lugar às 17h30 e nela quatro mulheres farão parte, neste Ano Internacional da Cidadania, das suas reflexões sobre o assunto pela leitura de um texto à sua escolha, que depois comentarão. Serão elas Anne Cova, Dulce Rocha, Sara Falcão Casaca e Maria João Cabrita.

fabienneforel-imagem4   A moderação deste debate fica entregue às jornalistas Nair Alexandra e Fátima Mariano.

   Às 19h será feita a inauguração da exposição fotográfica “Je suis juste née femme”, que ficará patente no Institut français du Portugal até ao dia 6 de Abril.

   Inspirada na Declaração dos Direitos da Mulher e da Cidadã de Olympe de Gouges (1971), Fabienne Forel (foto) propõe-nos, aqui, uma declaração dos Direitos universais da Mulher no dealbar de 2013. Esta homenagem às mulheres que ela encontrou nas suas viagens ao Egipto, à Finlândia, Índia, Marrocos e Portugal, é «um testemunho fotográfico da sua coragem, da sua dignidade, da sua força e da sua beleza» (diz o IFP).

                                       fabienneforel 1         fabienneforel-imagem2

 

   Por último, como prometêramos, lembramos as duas exposições que encerram no próximo Sábado 9 de Março.

 barateiro vista geral

   Uma é a de Pedro Barateiro que volta a expôr na Galeria Filomena Soares (Rua da Manutenção, nº 80), desta vez com o título “Feitiço/Spell.

   Do texto do catálogo diz a sua curadora : «O trabalho de Pedro Barateiro tem revelado, desde 2005 para cá, um entendimento muito particular do medium artístico e profundamente consequente com as suas implicações discursivas.

   … (Nesta) sua exposição individual … Pedro Barateiro volta a explorar esta ideia de performatividade linguística inerente ao próprio medium, para interrogar, com grande subtileza, um aspecto central do nosso quotidiano: a circulação dos objectos (incluindo os artísticos em particular) e as relações que os organizam. Refiro-me não só às relações que definem os objectos enquanto mercadorias, como também às relações que, suscitadas pelos objetos dentro de um quadro de trocas, se subtraiam à lógica da reificação capitalista.

formas de negociação   … No caso da instalação “Formas de Negociação (Forms of Trading)” (à direita), composta por estruturas em ferro e caixas de cartão, o artista encena uma linha de montagem fabril de encaixotamento de objetos. No topo de uma das estruturas, evidencia-se uma caixa de cartão com um símbolo serigrafado a preto que nos lembra de imediato o logótipo da empresa Amazon. A chamada de atenção para um contexto de produção assente cada vez mais em processos de mediação e de consumo acelerado, no qual os objectos artísticos e culturais se implicam a par do próprio conhecimento, é clara. Porém, a estranheza causada pelos três elementos negros e imprecisos, que se juntam às estruturas em ferro e cujas formas se assemelham a livros ou folhas de papel amarrotadas, vem perturbar a lógica encadeada do ritmo do lucro que não tolera os prazeres de um tempo outro, definido pelos desvios e pelas múltiplas ramificações do desconhecido.

1_Feitico-Spell-Bruno-Lopes_AC   … No entanto, é na instalação Feitiço/Spell”(à esquerda), que Barateiro consegue levar mais longe as tensões que informam os objectos artísticos e explorar aí a dimensão desejante que os anima, sem que a mesma surja barrada a novos usos ou que se confunda com necessidade. Este trabalho consiste assim numa narrativa de filme, texto e voz, construída em dois compassos distintos. Enquanto o registo visual se desdobra em imagens a preto e branco centradas sobretudo na documentação de dois objetos icónicos do modernismo brasileiro e da cultura popular santomense, isto é, a Casa de Vidro de Lina Bo Bardi e os tchilolis interpretados pelo grupo teatral Tragédia Formiguinha da Boa Morte; o registo sonoro, trabalhado a duas vozes, feminina (Lula Pena) ou masculina (Allen Halloween), desenrola-se em pequenos fragmentos em torno da nossa perceção sobre as “coisas comuns e coisas extraordinárias” que nos rodeiam … Entre as imagens do filme que perscrutam as possibilidades utópicas dos objetos através de um novo olhar, pausado, que volta atrás, mergulhado na profundidade dos detalhes, e a voz que apela à apropriação, sempre inacabada e incompleta, desse desejo, através das operações de uma imagem ou de uma palavra, se desenha um espaço de gozo, indefinido e potencial, de nome feitiço».

 

 

   A outra, também a fechar a 9 de Março, localiza-se no Museu Geológico (Rua da Academia das Ciências, nº19-2º) e é da responsabilidade de Vasco Araújo que a designou Vulcano.

vulcano   Obra realizada durante o ano de 2012, resulta, em grande medida, da filmagem de vinte e seis cópias de pinturas do séc. XVIII que nos mostram vistas do vulcão Vesúvio, em actividade. Todas estas pinturas foram realizadas por um pintor contemporâneo, a pedido de Vasco Araújo. Seguem o mesmo princípio formal que podemos encontrar em várias pinturas originais do séc. XVIII, e cujo melhor exemplo são as encomendadas por Sir William Hamilton, Embaixador Britânico no Reino das Duas Sicílias, ao pintor napolitano Pietro Fabris sobre a erupção do Vesúvio em 1779.

   Assim, através da utilização destas pinturas, articuladas por uma perturbante narrativa interior desenvolvida pelo artista num texto que ouvimos narrado em italiano, Vulcano estabelece um paralelismo entre a violência de uma erupção vulcânica e a complexidade intelectual e emocional do ser humano, perante a inevitabilidade de mudança exterior e interior. 

   O interesse da exposição desta obra no Museu Geológico relaciona-se com o próprio conteúdo deste museu e com o facto deste servir, de algum modo, como reforço da importância da relação, já estabelecida no vídeo, entre o estudo científico da natureza, a forma como representamos os seus fenómenos, e a evolução dos diferentes estados psicológicos do ser humano, estabelecendo-se, desta forma, relevantes ligações metafóricas entre o comportamento da natureza e o do próprio Homem.

 

 

(para as razões desta nova forma de Agenda ler aqui ; consultar a agenda de Quarta aqui )

 

 

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