POESIA AO AMANHECER – 155 – por Manuel Simões

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TOMÁS DE NORONHA

(  ?  – 1651 )

A UMA FREIRA QUE LHE MANDOU PEDIR MEIAS E SAPATOS

PARA ENTRAR EM UMA COMÉDIA, E UM VESTIDO

Canção (fragmento)

Vestido, meias, sapatos

me pedis, senhora Inês,

para entrar numa comédia

e sair num entremez.

À fé de poeta honrado,

que ficareis desta vez

despida de todo o ponto,

de cabeça, perna e pés.

Porque pedir tal vestido

a quem vestido não tem,

será deixar-vos em branco

vestindo-vos em papel.

(…)

Buscai, senhora, outro amante,

que tal vestido vos dê,

porque vos não quer vestida,

quem só despida vos quer.

(…)

(De “Poesias Inéditas de D. Tomás de Noronha”)

Cognominado “o Marcial de Alenquer”, grande parte da sua produção poética conserva-se manuscrita. Na “Fénix Renascida”, uma das duas colectâneas que reúnem a poesia barroca, foram incluídos alguns dos seus poemas.

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