OS COLABORADORES E A EMPRESA
“Ninguém é grande para o seu criado de quarto”. Este ditado tem passado de geração em geração. Quando os “senhores” tinham criados de quarto, estes, por muito herói que o amo fosse, viam-no na intimidade, de cara suja, rameloso, despenteado, com a barba por fazer, com dores de cabeça, e por vezes, deprimido. Naturalmente porventura questionar-se-iam: Mas isto é que é um “homem grande”?!
O que se passa com os colaboradores das empresas tem algo de semelhante. Eles conhecem o seu modo de funcionamento em pormenor, reconhecem-lhe os defeitos, as inconsequências, a desorganização e os pontos fracos. Daí desconsiderarem muitas vezes aquilo que é desenvolvido e os processos de trabalho.
No entanto há coisas que nem sempre têm presentes: é que a organização também é feita por eles e que a sua influência tem reflexos na sua cultura e, claro, no seu modo de funcionar. Se é verdade que as empresas não podem desconsiderar os que nela trabalham, estes não podem limitar-se a ser críticos sem darem o seu contributo para a melhoria do que acham menos correto, ou porem-se à margem da organização quando as suas ideias não são seguidas. Porque se eles têm o direito de dar opiniões e sugestões, quem decide tem o direito de não as seguir.
Passa-se mais tempo na empresa do que com a família. A organização e o indivíduo estão de tal modo ligados que quando sentem tristeza ou alegria têm dificuldade em explicar se isso se deve ao próprio ou ao trabalho que desenvolve.
O local onde se exerce a profissão ocupa um espaço grande na vida das pessoas. Quando duas pessoas da mesma empresa se encontram fora dela têm dificuldade em deixar de falar dela, pois é nela que passam a maior parte da sua vida. É por isso importante que se tenha um bom conceito acerca dela e se dê mais enfase aos seus aspetos positivos. Que se tenha orgulho naquilo que se faz e se sinta parte da equipa, vestindo a camisola e dando o seu contributo para levar a bom porto o projeto da empresa e criar condições para que ninguém se sinta excluído.
No futuro os colaboradores mais bem-sucedidos assemelhar-se-ão cada vez mais ao jogador de futebol, que é tanto mais valorizado quanto mais contribuir para o aumento da qualidade e quantidade de jogo desenvolvido. Os que revelarem mais lealdade para com a empresa, despenderem mais energia, revelarem mais capacidade para vencer obstáculos, para tornar a empresa mais agressiva num mercado cada vez mais concorrencial, serão certamente os mais bem-sucedidos e terão menos possibilidade de cair no desemprego.

