Vamos hoje apresentar um filme de culto, considerado como um dos precursores do chamado cinema negro, filme noir, dark cinema… M o Vampiro de Dusseldorf realizado em 1931 por Fritz Lang. O realizador alemão, com uma década de avanço, pela forma como usava o recém-nascido cinema sonoro, pela estética baseada nos contrastes entre luz e sombra, pela própria natureza do guião, anunciava já o cinema negro. E estamos perante uma classificação exterior à arte e à indústria cinematográficas. Classificação de críticos e historiadores da sétima arte. Dos chamados especialistas. E, como sempre que se entra num plano de especialização, deparamos com tendências, teses e opiniões diversas – ou seja, os especialistas não se entendem, pois cada um quer marcar o seu território. E o desentendimento começa logo na abrangência temporal do «período do filme negro» – género que eclodiu em Hollywood e que na versão mais consensual decorreu entre os anos 40 e 50 do século XX. A maioria dos historiadores do cinema aponta The Maltese Falcon (A Relíquia Macabra), de John Huston, realizado em 1941, como primeiro filme negro. É baseado na obra homónima de Dashiel Hammett publcada em 1930. A seu tempo falaremos no livro e no filme. Hoje, ainda vamos nos precursores.
M – Eine Stadt sucht einen Mörder (M – O Vampiro de Dusseldorf) é um filme típico do expressionismo alemão. Mais de oito décadas decorridas, ainda impressiona o sábio uso que Fritz Lang faz dos recursos técnicos – o som, a iluminação, jogando com contrastes acentuados entre luz e sombra. Aliás, este uso inteligente das capacidades que a tecnologia punha ao dispor tinham já sido usadas noutros filmes da corrente expressionista. Em M, o Vampiro de Düsseldorf é explorado o tema dos crimes em série que, vinte anos depois estaria na moda em Hollywood. A modernidade de Fritz Lang é visível pelo uso do flashback, e do recurso à narração em off.
Falando do guião de M — O Vampiro de Düsseldorf o tema do serial killer foi interepretado pelos nazis em ascensão como metáfora alusiva aos seus ideais e, em 1932, Fritz Lang refugiou-se nos Estados Unidos. E se isso não tem acontecido, o cinema negro ou não existiria ou teria existido de forma diferente.
