POESIA AO AMANHECER – 160 – por Manuel Simões

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JERÓNIMO BAÍA

( ? – 1688 )

A UMA CRUELDADE FORMOSA

Madrigal

A minha bela ingrata,

cabelo de ouro tem, fronte de prata,

de bronze o coração, de aço o peito;

são os olhos luzentes,

por quem choro e suspiro,

desfeito em cinza, em lágrimas desfeito,

celestial safiro;

os beiços são rubins, perlas os dentes;

a lustrosa garganta

de mármore polido;

a mão de jaspe, de alabastro a planta.

Que muito, pois, Cupido,

que tenha tal rigor tanta lindeza,

as feições milagrosas,

para igualar desdéns a formosuras,

de preciosos metais, pedras preciosas,

e de duros metais, de pedras duras?

(de”Fénix Renascida”)

Exercício barroco, um dos melhores exemplos de acumulação, desta vez de metais preciosos.Frei Jerónimo Baía é um dos mais conhecidos poetas dos cancioneiros barrocos, sendo famoso o seu poema “Lampadário de cristal que mandou a Duquesa de Sabóia à Real Majestade da Poderosíssima Rainha de Portugal sua irmã”.

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