Pentacórdio para Sábado 23 de Março

por Rui Oliveira

 

 

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   No Sábado, 23 de Março cabe ao Centro Cultural de Belém o mérito do evento mais interessante, a nosso ver. No seu ciclo Barroco propõe-se, no Pequeno Auditório, às 21h, evocar o ambiente de Nápoles à volta de 1700 como “arquétipo da nova música da Europa” e delinear influências suas sobre o próprio “coração europeu”.

   Serve-se para tal do agrupamento Divino Sospiro sob a direcção musical de Massimo Mazzeo , apoiado no cravo de Marcin Swiatkievicz.

vista-napoletana no séc.XVIII   De facto (como relembram), «no primeiro quartel do século XVIII, Nápoles é uma das grandes capitais da cultura europeia. A vida musical é mais rica do que nunca, sendo nesta cidade que os dois ramos da ópera, opera seria e opera buffa, encontram o seu ponto de partida. Compositores como Pergolesi, Leo, Porpora, Jommelli, levam a ópera napolitana a uma posição de prestígio europeu, criando um estilo que todos procuraram imitar… À semelhança da caótica disposição dos seus bairros, é o contínuo enredo de diferentes níveis que caracteriza a cultura napolitana, a qual contamina toda a Europa com um fascínio próprio, que vai influenciar compositores de Lisboa a São Petersburgo, passando pelos germânicos Telemann e Müthel».

   O programa apresentado pretende traduzir essa conexão e tem de :

 

      Francesco Durante (1684 – 1755)  Concerto n.º 8 em La maior “la Pazzia”

      Leonardo Leo (1694 – 1744)  Concerto para 4 violinos

                                  (solistas: Lorenzo Colitto, Leonor de Lera , Elisa Bestetti, Iskrena Yordanova)

      Johann Gottfried Müthel (1728 – 1788) Concerto n.º 3 em Sol maior para cravo e cordas

                                  (solista: Marcin Świątkiewicz)

      Georg Philipp Telemann (1681-1767) Don Quixote TWV 55:G10

 

   Para que o leitor que a ignore tome conhecimento desta música menos usual, mostramos-lhe como os “The Raglan Baroque Players” sob a direcção de Nicholas Kraemer interpretaram em 2001 (CD da Hyperion) os quatro andamentos do Concerto para quatro violinos, cordas e baixo contínuo em Ré Maior de Leonardo (Ortensio Salvatore de) Leo (no programa) :

 

 

 

 

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   Entretanto, às 17h do mesmo Sábado, 23 de Março, os fãs de ópera estarão certamente no Grande Auditório da Fundação  Calouste Gulbenkian onde é transmitida (em diferido) da Metropolitan Opera House (na série Met Live in HD) a ópera “Francesca da Rimini” de Riccardo Zandonai.Opera Francesca da Rimini

   Com libreto de Tito Ricordi, segundo a peça de Gabriele D’Annunzio baseada no Inferno de Dante, a ópera será dirigida por Marco Armiliato numa produção de Piero Faggioni e terá como cantores principais Eva-Maria Westbroek como Francesca da Rimini e Marcello Giordani como Paolo il Bello.

bosfrancescadamsels   O entrecho em 4 actos é a história de Francesca da Rimini (1255–85), (casada com Gianciotto da família Malatesta, mas amante de seu irmão Paolo, o que leva à morte de ambos) a filha adúltera de Guido da Polenta, o senhor de Ravena, que faz parte da secção infernal da Divina Comédia de Dante Alighieri e surge em muitas outras peças e poemas. Gabriele d’Annunzio escreveu a sua tragédia em 1901, em parte como veículo para a representação da amada do poeta, a grande actriz italiana Eleonora Duse.

   Há apenas disponível um vídeo com um curto excerto do 2º Acto e uma entrevista com Eva-Maria Westbroek que lhe mostramos aqui.

   No entanto o leitor merece outros trechos que aqui lhe deixamos.

   A abrir a primeira parte do famoso dueto de amor Paolo/Francesca num recente (Paris, 2011) desempenho do tenor Roberto Alagna e da soprano Svetla Vassileva :

   Depois poderá ouvir o trecho final da ópera numa interpretação muito elogiada de Placido Domingo (Paolo) e Renata Scotto (Francesca) em 7 de Abril de 1984 na Metropolitan Opera com James Levine a dirigir, gravação tão célebre que a deixamos aqui integral (2h 34min) se o leitor para tal tiver interesse e paciência http://youtu.be/K5rtU9PW5Fo

 

 

 

promenade   Ainda (e sempre) na música, a Festa da Francofonia organizada pela Embaixada de França inclui neste Sábado, 23 de Março, às 21h, no Auditório do Institut Français de Portugal, com entrada livre, um concerto organizado pelo Instituto Cultural Romeno e a Embaixada desse país que denominaram “Ponte das Almas – Promenade Portugal – France – Roumanie”.

   O espectáculo propõe um percurso musical por Portugal, França e Roménia, na interpretação da meio-soprano romena Liliana Bizineche, do violinista romeno Liviu Scripcaru e do pianista russo Yan Mikirtumov. Os três artistas pretendem «criar uma ponte luso-franco-romena, em que a voz, o violino e o piano proporcionem um concerto inédito, cujo repertório arrojado mistura o registo clássico, o popular tradicional e o moderno».

 

 

 

   Na área do jazz, o Hot Clube recebe a 23 de Março (Sábado), às 22h30, o compositor e cantor Francisco Pais que vem apresentar o seu recente CD “Raise your Vibration” .

franciscopais2   No palco, acompanharão Francisco Pais (voz), Demian Cabaud (contrabaixo) e Marcos Cavaleiro (bateria) mais alguns convidados, como Filipe Melo (piano), Mário Delgado (guitarra), Joana Espadinha (voz), César Cardoso (saxofone) e Gonçalo Marques (trompete).

   Lembre-se, segundo informa a editora do álbum (Product of Imagination Records) que ele é produto da larga vivência de Francisco Pais, um yogi dedicado oriundo de Sintra, com alguns dos melhores músicos da cena nova-iorquina. Assim o quinteto que deu corpo ao referido CD conta com Myron Walden no clarinete baixo e no sax alto, Justin Brown na percussão, Leo Genovese no piano e fender rhodes e Daniele Camarda no contrabaixo.

   Eis como soa o tema “Broken Open” do recente álbum :

 

 

 

   Entretanto, o Onda Jazz organiza, às 22h30 deste Sábado, 23 de Março, o que considera o seu “concerto do mês” e designa por “Avalanche”, por ter a oportunidade de apresentar, em conjunto dirigido por Victor Zamora piano, outros três músicos de craveira Ricardo Toscano saxofone, Carlos Barretto contrabaixo e José Salgueiro bateria.

   E elogia : « Só a magia consegue criar esse feeling em palco que corre em seguida para o público. Músicos  cheias de ritmos diferentes, composições, loucuras, histórias para contar… Inspirações admiráveis, rítmica sonante, só podia dar um cocktail explosivo… Para uma música fresca que cai sobre nós e nos envolve… Como uma avalanche .

   Foi este o seu registo com a mesma composição em 28 de Julho de 2012 na Fábrica Braço de Prata :

 

 

 

 

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Folheto_FMJ2013_1   Quem passar neste Sábado, 23 de Março pela Faculdade de Medicina Dentária (à Cidade Universitária) poderá assistir no seu Auditório ao Concerto de Encerramento do estágio de Páscoa do Festival Música Júnior que reune estudantes entre os 8 e os 21 anos, oriundos das melhores escolas de música de Portugal e de Espanha, os quais ao longo de uma semana estarão em intensa actividade musical, com master-classes, ensaios de naipe e tutti, adquirindo experiência para vir a integrar a Big Band, a Orquestra de Iniciação ou a Orquestra de Cordas de nível Avançado.

   O Estágio de Verão em 2012 já fora dedicado à música de Jazz e contara com mais de 160 participantes, que partilharam o palco com dois dos maiores músicos nacionais, Mário Laginha e Maria João. O Legado de Piazzola foi o tema desta edição da Páscoa, tendo como convidados especiais o saxofonista Henk Van Twillert e a acordeonista Carisa Marcelino.

   É o resultado final desta semana decorrida nas instalações da Escola de Música do Colégio Moderno que será apresentado nesse concerto pelas 18h00, com entrada livre.

 

 

 

FernandaFragateiro_PensarDestruir-P-252x300   Por último, na linha do alerta às mostras de arte à beira de encerrarem, lembra-se que fecha no Domingo, 24 de Março, a exposição “Pensar é Destruir” que, durante dois meses, a Ermida da Nossa Srª da Conceição (na Travessa do Marta Pinto, nº 21, perpendicular à Rua de Belém) acolheu como uma instalação de Fernanda Fragateiro, antes apresentada em Guimarães, Capital Europeia da Cultura.

    Pretende-se ali simular um achado de um chão de origem árabe, como se uma parte desse chão tivesse sido encontrada e outra perdida para sempre. Os mosaicos cerâmicos usados na obra, conhecidos em Portugal como alicatados, foram propositadamente fabricados em Meknès (Marrocos) de acordo com antigos processos tradicionais. Na penumbra do espaço interior da capela, a peça instala-se como uma clareira de luz.

   A instalação completa-se com o registo sonoro do som emitido durante o processo de montagem dos mosaicos cerâmicos sobre o chão. Este som permanente no espaço, envolve o espectador e faz fixar o tempo da sua construção.

   A entrada é livre até às 17h na Quinta e Sexta e às 18h no Sábado e Domingo.

 

 

 

(para as razões desta nova forma de Agenda ler aqui ; consultar a agenda de Quinta aqui)

 

 

 

 

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