EXPO-VIRTUAL – HOJE ÀS 14 RORAS: QUINTA FOTO DE FÁBIO ROQUE

Fábio Roque apresenta hoje a primeira das fotos do projecto Awake. Lembramos que o critério deste autor foi o de expor duas fotos de cada um dos seus projectos mais recentes – Os Cubanos, Can you predict the Spring? e Awake. O que caracteriza o projecto Awake. Damos a palavra a Fábio Roque:

«Awake é um projecto de fotografia de autor, é uma viagem que tenta conciliar a visão do autor e os conceitos de fotografia documental e conceptual, porque uma, não tem necessariamente de ser diferente da outra, mas isto são apartes irrelevantes e inerentes à filosofia da obra, a imagem fala por si, seja ela classificada da maneira que for.

 Awake, é como foi dito, uma viagem, uma deambulação, uma situação errante em que qualquer um poderia entrar. Mas não, não foi qualquer um, fui eu.

O que a provocou? Como foi causada? O porquê? É como perguntar o porquê das coisas. Até hoje não consigo explicar, mas o que consigo e sei é descrever o estado de espírito inerente à situação, o que me moveu para todas aquelas noites: a insónia, a deambulação desmedida por aquelas estradas e trilhos de terra batida, caminhos reconhecidos como a palma das suas mãos por pastores com vida mas sem rosto. Angustia movedora de vontades, poderia perfeitamente ter sido um caminho de volta ao álcool, de regresso as drogas, de encontro a tudo! Mas não! Em mim, reflectiu-se num estado de semi-lactencia, semi-consciência, semi-desespero, semi, semi, semi-tudo, e no entanto, dás conta de ti, não parado, não encolhido, não assustado, mas a andar, andar, andar, andar, como se tudo fosse normal, a vida fosse isto, e amanhã voltasse a uma qualquer rotina. Se rotina houvesse…Rotina há, mas outra!E não uma crível opção, tipo estilo vida, mas sim uma crise pessoal, psicológica, talvez subconsciente, talvez não, mas o cerne da questão, é que não se trata de uma escolha, aconteceu!

Assim, se explica o conceito inerente a esta obra, ou então, não…Provavelmente tudo isto é um embuste, o fulano não sofre de qualquer tipo de insónias, ou mal que o valha. Optou isso sim, por fazer este projecto desta maneira, porque do ponto de vista artístico achou exequível, interessante, algo com pernas para andar, um projecto fotográfico como outro qualquer.  É esta verdade das coisas, mas o que é a verdade das coisas? Desde que não durmo que me dá para a repetição. Logo, assim se passa neste projecto como em todas as outras coisas, a verdade está na maneira como as vemos.

Uma coisa posso garantir, durante a execução das imagens não recorri a nenhuma montagem ou encenação, tudo foi encontrado e registado da maneira em que estava».

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