“Itália perde um dos seus maiores campeões: Pietro Mennea“
Quando morre um grande campeão o seu país, todo ele e não somente os seus esportivos, perde igualmente uma parte de si mesmo. Principalmente se o morto é um grande do atletismo, o esporte dos deuses. Por isso mesmo, nesses dias toda a Itália chora pelo fim de Pietro Mennea, aquele que representou ao máximo a capacidade dos italianos de chegarem a grandes metas.
Porém, para a alegria desses mesmo italianos, a morte de um campeão máximo é o ato de inscrição de um novo herói na mitologia nacional. Mennea é desde agora um herói esplendente no Panteon da Itália.
Nascido em Barletta, no profundo sul da península itálica, aos 28 de junho de 1952, Pietro Mennea não se apresentava na sua primeira juventude como um modelo físico próprio dos campiões. De estatura média, pernas tortas e musculatura inicialmente normal, muito cedo conseguiu compensar qualquer diferença com os potentes atletas com os quais se confrontou a partir de uma capacidade de treinamento que muitas vezes parecia uma forma de extravagância. Para satisfazer a sentida necessidade de melhor apresentar-se chegava até mesmo a suspender o sono noturno e partir para novos esforços preparatórios. Também nesse sentido não teve rival, não somente entre os italianos. Corria, corria sempre. Mas ao mesmo tempo mantinha uma lucidez de pensamento que a todos surpreendia.
Assim trabalhando, já em 1972, nas famosas Olimpíades de Munique, conquistou a medalha de bronze nos 200 metros. Em toda a sua carreira gloriosa, as medalhas de bronze conquistadas foram seis.
O jovem atleta já estava pronto para títulos maiores. Em 1974 conquista o primeiro ouro de uma gloriosa carreira que lhe dará vitórias absolutas e um total de 15 medalhas de ouro. Esta cifra fantástica revela como Mennea entrava sempre em pista para vencer, pois as suas medalhas de prata aconteceram somente em três oportunidades.
Atingindo lenta, mas tenazmente o máximo de suas condições físicas, em 1978 e por ocasião dos Jogos Europeus realizados em Praga, o imenso velocista conquista a medalha de ouro seja nos 100, seja nos 200 metros.
Alguma coisa de excepcional ele então já pressentia, algo que iria abalar a atlética mundial. Tudo isto aconteceu no dia 12 de setembro de 1979 nos Jogos Universitários realizados na Cidade do México. Na prova dos 200 metros, quando o herói italiano partiu relativamente mal na corrida dos primeiros cem metros, como um relâmpago tudo recupera nos cem outros complementares e vence com o tempo record de 19’’72. Com o seu fantástico tempo, Pietro Mennea superava o record anterior, de Tommie Smith, (USA), com 19’’83, realizado no dia 12 de setembro de 1968 nas Olimpíades do México. Mennea abatia desta maneira um record que durara 11 anos e o faz com 11 centésimos de segundo de diferença.
A fantástica conquista mexicana de Mennea permaneceu imbatível por dezessete anos, quando o dito record mundial retorna aos seus padrões de sempre, os atletas negros. Tal proeza foi realizada por Michael Johnson, (USA), com 19’’66, depois melhorado para 19’’32.
Certo dia, quando apresentado a Mohammed Alì, este lhe disse: “Sempre pensei que você fosse negro.“ Mennea respondeu: “Sou negro dentro“.
No plano europeu, o record dos 200 metros de Pietro Mennea permanece insuperado ainda hoje, quando são passados 34 anos.
Mennea morreu com apenas 61 anos de idade. Um tumor ao cólon, descoberto a menos de um ano atrás destruiu aquela máquina de velocidade construída com tanta tenacidade e vontade pessoal. A mesma velocidade e força de vontade que lhe permitiram de completar e conquistar os correspondentes títulos finais em quatro diferentes especialidade: Ciências políticas, Direito, Ciência da educação motora e Letras. Mais uma vez ele demonstrava alguma coisa de pouco usual, a de que o esporte não coloca qualquer tipo de limites às atividades intelectuais de um atleta. Mais do que nunca ele demonstrou desta maneira que o esporte é uma forma ativa igualmente da cultura.
Completanto tais atividades culturais, Pietro Mennea escreveu e publicou 20 livros.
Além disso, demonstrando igualmente a sua consciência civil, exerceu a função de docente universitário de 1991 a 2006, com funções nas Universidade de Cálhare, Quiete, a Águia do Abruzo e na Estatal de Milão, bem como extendeu essa mesma consciência à política, parlarmentar europeu que foi de 1999 a 2004.
Assim viveu e criou o herói da modernidade italiana, Pietro Mennea.

