ANTÓNIO JOSÉ DA SILVA (O JUDEU)
(1705 – 1739)
SONETO
Essa que em cacos velhos se produz
manjerona misérrima sem flor;
esse pobre alecrim, que em seu ardor
todo se abrasa por sair à luz,
ainda que se vejam hoje a fluz
desbancar nas batalhas do amor,
cuido que elas o bolo hão-de repor;
se não, negro seja eu como um lapuz.
O malmequer, Senhores, isso sim,
que é flor que desengana, sem fazer
no verde da esperança amor sem fim.
Deixem correr o tempo, e quem viver
verá que a manjerona e o alecrim,
as plantas beijarão do malmequer.
(de “Guerras do Alecrim e Manjerona”)

