Reflexões em torno de um encontro ocasional num entreposto comercial – por Júlio Marques Mota

Reflexões em torno de um encontro ocasional num entreposto comercial

por Júlio Marques Mota

 

Para a altura em que iria completar 83 anos tinha pensado fazer uma peça sobre o ensino da FEUC, tomando como referência a correspondência trocada entre mim e três figuras que considero de referência da FEUC: José Manuel Mendes (diretor), José Reis e Luís Cruz. Não sei o que sairia dali, mas tinha em mente analisar, colocar em contraste, três gerações, a mais velha, a minha, a geração dos Professores José Reis e José Manuel Mendes e, por fim, a geração mais nova, a do Professor Luís Cruz, e referidas ao mesmo objeto: a história da FEUC. Talvez fosse curioso fazer esse texto porque ele representaria, bem ou mal, o tempo histórico português pela lente que seria a visão de universidade de cada uma destas gerações.

Trata-se de três gerações diferentes, a terem vivido a mesma realidade, são garantidamente três posições diferentes que se refletiriam na construção/desconstrução dessa entidade a que damos o nome de Velha e Nova FEUC. A geração mais velha, a minha, digo hoje, terá empenhado a bandeira da esperança, a geração do José Manuel Mendes e do José Reis terá empunhado a bandeira da complacência e a geração do Luís Cruz, com os catedráticos de aviário a assumirem o poder, está agora a empunhar a bandeira da negação de  tudo o que fundamentava a nossa própria esperança. A demonstração desta afirmação é simples: para a minha geração tomemos como exemplo o plano de curso estabelecido na segunda metade dos anos 70 e que foi considerado, num relatório de um professor do ISEG à ministra da tutela, como o plano de curso mais equilibrado do país; para a geração de José Reis e José Manuel Mendes, veja-se a complacência com que lideram com a reforma de Bolonha em comparação com a minha posição publicamente assumida  de contestação á mesma reforma e, por fim, quanto à geração a que pertence o Luís Cruz, veja-se o monstruoso plano de curso com que se quis criar a Nova FEUC e tudo o que a esta reforma esteve ou está a associado.

Mas esse texto não o fiz e nem penso  fazê-lo. E porquê? Porque afinal a crise do ensino e do respeito pelo trabalho de cada um e da relação com os outros é uma crise geral e, portanto, não vale a pena realçar individualmente a FEUC. Uns tempos antes de fazer 83 anos mudei de ideias e nesta data publiquei uma peça feita em conjunto com Eugénio Ferreira e Manuel Ramalhete, sobre os nossos tempos de infância e adolescência, por sermos de gerações próximas, por termos vivido em regiões próximas e porque tivemos muitas semelhanças no nosso ponto de partida: a escola primária.

A escolha do tema não foi por acaso. Fiel a uma história, a minha, interroguei-me sempre sobre o que fazia e sobre as circunstâncias em que o fazia e foi assim que sobrevivi aos meus tempos de marçano em Lisboa. Diria hoje com alguma ironia que se tratava de entender Marx avant la lettre, pois só no fim da adolescência é que tive conhecimento das suas teses sobre Feuerbach e do 18 de Brumário, onde se fala do homem e das suas circunstâncias. Nesse texto de 2026 debrucei-me sobre as minhas circunstâncias de vida naquela faixa etária, os meus marcadores para os tempos que seriam então os do meu futuro. Dito de outra forma mais direta, debrucei-me sobre o período que formatou o que eu viria a ser no futuro e não podemos esquecer que cada criança, cada jovem, é o invólucro do adulto que dele há de nascer.

Sobre esta matéria vale a pena citar aqui Maryanne Wolf quando nos diz:

“Aprender a ler começa na primeira vez que um bebé está ao colo e lhe é lida uma história. A frequência com que isso acontece — ou deixa de acontecer — nos primeiros cinco anos de vida revela-se um dos melhores preditores da leitura futura.”

Não foi por acaso a escolha do tema para esse dia 20 de fevereiro de 2026, ficando para mim claro que iria mais tarde editar uma série de textos sobre o ensino superior. Mas esse texto de fevereiro mostrou-me a importância dos ciclos de ensino e de formação mental que precedem o ensino superior e, portanto, se queria seriamente analisar o desastre que estava a ser o ensino superior em Portugal teria de olhar para a formação havida daqueles que chegam à Universidade. Voltar atrás, significaria voltar a um quadro geral do ensino que vai desde o pré-primário ao fim do ensino secundário. É o que tenho estado a fazer e, se aprendi muito com o texto de fevereiro de 2026, garanto, estou a aprender muito com a série que estou a criar, sobretudo sobre os erros que se têm cometido sobre as formas de aprender.

Sobre a necessidade de voltar atrás, para aquém da chegada dos jovens à Universidade, dou um exemplo tirado do caso inglês. Diz-nos James Marriott:

“Enquanto isso, uma reportagem no The Times de algumas semanas atrás revelou que os adolescentes britânicos passam mais tempo a jogar videogames toda a semana do que na escola. Haverá um momento em que essa disparidade se tornará um problema sério para o Ocidente. Talvez já o seja.”

Pensar a Universidade sem pensar sobre o resto, sobre a realidade de formação daqueles que nela entram, isto é, ter em conta a realidade a que se refere Marriot, seria um absurdo e nisso não quero eu cair. Eis o esquema proposto para a nova série:

Crises de civilização e de ensino, num mundo em profunda policrise

  1. Morte da cultura e o regresso à barbárie e ao pensamento mágico

  2. Da educação da infância à de jovem adulto. O grande fiasco das sociedades atuais

  • Linhas de resistência e de mudança- relembrar e reaprender com o passado

  1. A crise da Universidade, com a sua dissolução dos saberes, a expressão máxima da crise na Democracia

Quanto ao ponto 1, deixem-me citar de novo James Marriot: A Era da Estupidez

“A edição mais recente da New York Magazine traz o título desarmante de «A Questão Estúpida» (The Stupid Issue). Na reportagem de capa, o redator especial da revista, Lane Brown, defende o argumento de que estamos, de fato, a viver na Era da Estupidez.

A evidência mais notável é a reversão do chamado Efeito Flynn, que descreve a maneira como o QI subiu consistentemente ao longo do século XX.

O QI está agora em declínio. Recentemente, Elizabeth Dworak analisou os resultados de 394.378 testes de QI. Os seus dados mostraram quedas em três categorias importantes de testes:

  • Raciocínio matricial (quebra-cabeças visuais abstratos);

  • Séries de letras e números (reconhecimento de padrões);

  • Raciocínio verbal (resolução de problemas baseada na linguagem).

As duas primeiras categorias, nas quais as perdas foram mais profundas, medem o que os psicólogos chamam de inteligência fluida — ou seja, a capacidade de se adaptar a novas situações e raciocinar de forma rápida e lógica.

Este ponto sobre o desaparecimento do estigma em torno da ignorância é muito bom:

Não se trata apenas do facto de as crianças estarem a fracassar nos seus testes padronizados (as notas do ACT estão ao seu nível mais baixo em mais de 30 anos, e a média de matemática dos formandos do ensino médio em exame nacional foi a menor desde 2005) ou ainda de que mais de um quarto dos adultos nos EUA agora leem no nível mais baixo de proficiência. Trata-se também que, em quase todos os aspetos da vida, estamos a optar por rotinas, entretenimento e sistemas de crenças inteiros que exigem cada vez menos dos nossos cérebros. O estigma que antes era associado à ignorância desapareceu, e as vozes mais altas e menos informadas moldam agora as conversas, forçando todos os outros a aprender a falar a língua delas.

Não há muito tempo que pessoas instruídas de classe média costumavam sentir uma certa vergonha em dizer que viam televisão. Era algo antipático e pretensioso em alguns aspetos não o dizerem, mas provavelmente servia para moldar melhores hábitos de consumo dos media. Hoje em dia, não acho que as pessoas sintam qualquer constrangimento em passar horas a assistir a vídeos curtos, triviais e infantilizadores. Talvez o snobismo tivesse a sua utilidade.” Fim de citação.

Vivemos uma época da estupidez, dizem-nos, e sentimos que com camadas sobre camadas da população a adicionarem-se à medida que se avança no tempo e na degradação social, a estupidez coletiva aumenta e mais claro se torna que teremos cada vez menos capacidade coletiva de discernir, de julgar, de prever, de equacionar, enfim, teremos cada vez mais a vigorar em massa a estupidez à Kant e sobre esta assinale-se:

 “A deficiência na faculdade de discernir é realmente o que chamamos de estupidez, e não há remédio para isso.” Assim observou Kant, numa nota de rodapé peculiar na Crítica da Razão Pura. A “faculdade” à qual Kant se referia é a capacidade mental da qual, segundo a sua filosofia, dependem tanto o conhecimento como a moralidade: a capacidade de aplicar princípios gerais a casos particulares. (..) Kant argumentou que existem várias maneiras de evitar o exercício individual do raciocínio, como a conformidade ao dogma, permitindo que as pessoas escondam assim a sua estupidez. O mesmo tema aparece na sua conhecida definição de Iluminismo como “a saída do homem da sua menoridade autoimposta”. E menoridade, por sua vez, “é a incapacidade de usar a própria capacidade de discernir sem a orientação de outro”.

A era da estupidez assim entendida podemos vê-la no presente da forma mais dramática com a situação política no mundo e com Trump. Podemos imaginar que em 2016 Trump possa ter chegado ao poder por alguma confusão criada no partido Democrata ao propor-se Hillary Clinton para sua candidata à Presidência. Depois em 2020 Trump perde contra Biden e aqui três observações:

  1. Trump perde contra Biden mas obtém como número de votas mais do que qualquer Presidente até aí eleito obteve.

  2. Na campanha eleitoral de que saiu vencedor Biden, um analista inglês Victor Hill, escreveu mais ou menos isto: duvidava que Biden chegasse ao final do mandado por questões de saúde. Dito de outra maneira, os Democratas estavam a avançar contra o perigo de Trump com um candidato já doente. O final do mandato de Biden foi pavoroso e surgiu a pergunta quem governava então a América. Possivelmente um gangue, um grupo restrito dentro do Partido Democrata.. Arranja-se então à pressa uma candidata, para substituir Biden que desiste depois do estrondoso debate com Trump, uma candidata claramente não preparada para o substituir na corrida presidencial contra Trump e perdeu, mas aqui há uma pergunta importante a fazer:

Face à anárquica presidência de Trump em 2016-2020, não terá havido uma incapacidade brutal de discernimento pela parte do povo americano para votar nele pela segunda vez? Mas não haverá igualmente uma falta de discernimento pela parte dos Democratas ao recusarem uma convenção para escolha do seu candidato, não será uma enorme falta de discernimento pela parte das elites democratas ao terem assim levado Trump ao poder?

Isto é a estupidez à Kant no seu dramatismo máximo e por isso quando falo aqui de estupidez não estou a querer ofender ninguém. Estou sim a criticar uma sociedade que abomina o inconformismo, o pensamento crítico, e que vive no domínio do estar em conformidade com o status quo.

Vem isto a propósito de uma situação em que me vi hoje envolvido. Fui a um entreposto comercial fazer compras. Em dado momento das compras quis de dado produto X comprar duas unidades e só havia uma disponível. Procurei encontrar  um funcionário e pareceu-me ver dois à distância e na conversa. Um homem e uma mulher. Dirijo-me ao homem perguntando se é ali empregado. Diz-me que não e indica-me a senhora com quem está a conversar. Para meu espanto esta diz: empregada não, trabalho aqui, mas não sou empregada. Funcionária, sim, colaboradora sim, empregada é que não.

Fiquei espantado com a resposta obtida e com cuidado perguntei-lhe: não trabalha aqui com contrato de trabalho? Sim, trabalho. Então é aqui empregada. Repare-se: se não tivesse emprego, se estivesse sem trabalho, dir-se-ia que estaria desempregada. Certo? Sim, respondeu. Então, o contrário de desempregada é empregada, retorqui eu. E continuei. A senhora é empregada da empresa, trabalha aqui, é uma trabalhadora que recebe o seu salário como remuneração  desse seu trabalho. Poder-lhe-ão dizer talvez que é uma colaboradora da empresa e isso esconde que a senhora é uma trabalhadora no ativo, que o seu emprego é este, é remunerada pelo seu trabalho, pelo que aqui faz e quando lhe pergunto se é empregada aqui, eu estou a respeitá-la como profissional e como mulher. Depois, divagámos uns minutos à volta disto e a seguir pega no seu tablete, consulta as existências disponíveis em armazém e diz-me: temos mais unidades disponíveis. Tinha um bom domínio do mundo digital, confirmou-se. Foi a seguir buscar-me a segunda unidade do produto que eu queria e diz-me: trago-lhe uma caixa resistente para transportar as suas compras. Agradeci e acrescentei: não se esqueça da nossa conversa. Não esqueço não, diz-me com um sorriso franco nos lábios.

Fiquei psicologicamente muito incomodado com este incidente. Tratava-se de uma pessoa alfabetizada, isso era evidente, mas profundamente iletrada, o que não era menos evidente, mas senti na iliteracia daquela mulher a iliteracia de todo um país que está cada vez mais assim! O que se passou revela-nos uma outra forma de exemplificar a estupidez à Kant, a falta de discernimento, e não estou a ofender a senhora em questão. Mas este tipo de pessoas tende a ser cada mais dominante no quadro das sociedades ocidentais.

Poder-se-á pensar que o incómodo gerado por aquele curto diálogo se devia mais ao facto de eu ser velho e atribuir importância ao que a não tem do que qualquer outra coisa. A ignorância ali mostrada seria então um caso sem importância vinda de uma mulher sem importância. Não pensei assim, a ignorância que estava ali a presenciar era a de uma mulher que no mínimo teria o nono ano, que sabia trabalhar bem com o mundo digital e era profundamente iletrada, mas a sua iliteracia não era nada diferente da que tenho verificado noutros meios supostamente mais evoluídos do que o meio onde esta trabalhadora estaria a viver.

Fui professor durante quase 40 anos e na alma talvez ainda o continue a ser. O que ali aconteceu trouxe-me à memória outros casos semelhantes:

  1. Que diferença há entre a iliteracia desta mulher e a dona de uma loja de vestuário de topo de gama onde ocorreu comigo a seguinte cena: estava em saldo, havia meias em saldo de 50% e compro dois pares. Eram iguais em tudo, até no preço exceto na cor. Pergunto quanto é e a dona da loja pega na máquina e soma o valor x com o valor x e divide por dois e diz-me que o preço dos dois pares era o valor x!

Há alguma diferença entre a iliteracia da dona da loja de vestuário de topo de gama e a desta mulher do entreposto? Quanto a mim, não há diferença.

  1. Vou a uma loja de alta cosmética. Faço compras. Depois de contas feitas, mas ainda não pagas, decido trocar um dos produtos, 5 euros mais caro. Não houve problema nenhum. A empregada, de 12º ano, pega na máquina e refaz as contas, mas antes de chegar ao fim de introdução dos dados eu disse-lhe quanto seria o valor a vir indicado pela máquina. Como? Perguntou.

Simples, minha senhora: a soma dava x, substitui um produto que custa mais 5 euros e a soma dará o valor anterior mais 5 euros. O senhor é matemático? Não, respondi, simplesmente ensinaram-me de pequeno a fazer contas. Ah, exclamou e disse-me alegremente: sabe, eu só fiquei a saber quanto eram 10% de 100 depois de estar aqui!!! Sem comentários.

Há alguma diferença quanto à iliteracia? Quanto a mim, não há diferença.

  1. Numa faculdade de Economia e numa disciplina fundamental do curso e lecionada do último semestre da licenciatura, hoje transformada em disciplina de opção, um aluno em fim de curso não sabia interpretar a relação entre consumo e rendimento dada pela expressão C= a+bY.

Haverá diferença em literacia entre este aluno a ser diplomado e a nossa empregada do entreposto? Quanto a mim, não há diferença.

  1. Numa licenciatura de engenharia deste país, o professor está no quadro e na exposição tem de fazer uma operação de multiplicar ou de dividir, já não sei bem, e faz. Dois alunos chamam-lhe à atenção que quanto a contas de somar e subtrair não havia problema na rapidez, mas com operações de multiplicar e de dividir, vá mais devagar, professor.

Há diferença na literacia entre a nossa empregada e aqueles estudantes de engenharia? Quanto a mim, não há diferença.

  1. O nosso ministro atual prepara-se para elitizar a Universidade com a exigência de inglês de nível B2. Um caso curioso ocorrido não sei onde e também já não sei em que Faculdade, já não me lembro. O custo da velhice dá nisto. Abre-se concurso para professor. É selecionada uma dada pessoa. Quando foi informada de ter sido a candidata selecionada dizem-lhe que irá dar aulas em inglês. A senhora recusa. Dada a qualidade da candidata, dizia-lhe: não faça isso, aceite. Olhe, as aulas são dadas em power-points. A senhora professora faz o texto em português. Depois dá-nos o texto e nós fazemos-lhe os power-points em inglês. Não sabe ler bem em inglês? Não faz mal, os alunos também não sabem distinguir! Não sei se a professora aceitou ou não, mas tudo me leva a crer que não aceitou.

Estes simples exemplos — poderia apresentar muitos mais — mostram à evidência como é que se produz iliteracia neste país, seja no ensino secundário, seja no ensino profissional, seja no ensino superior, mas pelo que iremos mostrar em muitos artigos o problema não é só em Portugal. É mundial.

Percebe-se então que o meu incómodo não era tão injustificado como se poderia pensar. Tudo isto me veio à memória e tudo isto me diz que com a ignorância que produzimos e em massa só estamos a fazer auto-estradas para o Chega chegar ao poder. Complacência com isto? Nem pensar nisso.

Anteriormente falei em gerações e o professor Adam Kotsko diz-nos o seguinte quanto a responsabilidades sobre a iliteracia que se está a desenvolver de uma forma que é preocupante:

“Não podemos recuar no tempo e lidar com a pandemia de forma diferente neste momento, e muito menos existe um caminho realista para colocar o génio do telemóvel de volta na garrafa. [Embora eu deva notar que nós, como sociedade, ao menos tentamos manter outros produtos viciantes fora do alcance das crianças (n.t. mas não o telemóvel)] Mas preciso de acreditar que podemos, no mínimo, parar de andarmos a impedir ativamente que os jovens desenvolvam a capacidade de acompanhar narrativas e argumentos extensos em sala de aula. Independentemente de sua profissão ou nível de escolaridade final, eles precisarão dessas competências. O mundo é um lugar complicado. As pessoas — as suas histórias e identidades, as suas instituições e processos de trabalho, os seus medos e desejos — são simplesmente complexas demais para serem capturadas numa ficha de atividades com um parágrafo e algumas questões de compreensão de leitura. A prosa em larga escala é o melhor meio que temos para capturar essa complexidade, e o sistema educativo não deveria estar a funcionar no sentido de impedir os alunos de aprender a envolverem-se com ela de forma eficaz.

Esta é uma questão não de snobismo, mas de justiça básica. Reconheço que nem todos centram as suas vidas em livros tanto como um professor de humanidades. Acho que estão a perder algo, mas são adultos e podem escolher como passar o seu tempo. O que está a acontecer com a geração atual não é que eles simplesmente estejam a escolher o TikTok em vez de Jane Austen. Eles estão a ser privados da capacidade de escolher — sem nenhuma razão ou benefício real. Podemos e devemos parar de perpetrar esse crime contra os nossos jovens.” Fim de citação

Adam Kotsko claramente aponta gerações de responsáveis e aponta para a urgência de soluções. Se temos andado a estragar a parte final da geração Y e sobretudo geração Z, faremos ainda muito mais estragos com a geração que aí vem, a geração alfa, se não pararmos com as práticas educativas que temos vindo a aplicar nas últimas décadas. O que agora temos é, pois, o resultado das práticas políticas praticadas sobretudo pelas duas gerações anteriores, a geração X e a intersecção da geração X com a parte mais velha da geração Y, ditos os Xennials.

Como expressão teórica para este incidente que me incomodou muito e em forma de desabafo escrevi este comentário. Podem não acreditar, mas mesmo assim, com este desabafo escrito, custou-me muito a adormecer. E a terminar sugiro que tenham alguma condescendência para comigo quando começar a editar a série em quatro partes intitulada:

Crises de civilização e de ensino, num mundo em profunda policrise.

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