Pentacórdio para Quinta-feira, 4 de Abril

por Rui Oliveira

 

 

 

david zinman   Com um programa francamente menos recheado, a Quinta-feira 4 de Abril volta, a nosso ver, a ter como destaque o concerto no Grande Auditório da Fundação Calouste Gulbenkian, às 21h, da Orquestra Gulbenkian dirigida pelo maestro novaiorquino David Zinman na prossecução do intuito de celebrar neste ano de cinquentenário da Orquestra o ciclo “Integral das Sinfonias de Brahms”. Para a outra peça, a Orquestra tem a colaboração da violinista Arabella Steinbacher.

   O concerto é repetido na Sexta-feira, às 19h, com programa idêntico.

arabella_steinbacher   A escolha de Zinman como um dos maestros do ciclo “Integral das Sinfonias de Brahms”, depois de Jakub Hrua e antes de David Afkham, deriva de ser hoje “um dos maiores maestros vivos”, actualmente a dirigir a Tonhalle Orchestra de Zurique com quem gravou já quatro sinfonias de Brahms. Recentemente, dirigiu o projecto “Beethoven Moderno” com a Filarmónica de Nova Iorque, as Orquestras Sinfónicas de Sydney e da Nova Zelândia.

51FGEJfH2yL   É reconhecido, como um dos aspectos mais relevantes da carreira de David Zinman, o seu repertório extremamente vasto, a par do seu interesse por interpretações historicamente informadas e pela música contemporânea.

   Por seu turno, a violinista germânica Arabella Steinbacher, de 31 anos, que tem o privilégio de tocar num Stradivarius “Booth” de 1716, é, desde a sua inesperada estreia em Paris em 2004, em que interpretou este Concerto para Violino e Orquestra de Beethoven com a Orquestra Filarmónica da Radio France (dir. Sir Neville Marriner) numa substituição de última hora, indiscutivelmnte uma estrela internacional em ascensão.

 

   Este “Integral das Sinfonias de Brahms III” tem, pois, como programa a interpretação, a abrir, do referido  Concerto para violino e Orquestra em Ré Maior, op.61 de Ludwig van Bethoven, seguido da execução da  Sinfonia nº4 em Mi menor, op.98 de Johannes Brahms.

 

   Começamos por lhe mostrar exactamente a interpretação integral do concerto de Beethoven em que Arabella Steinbacher se “revelou”, agora num registo de Dezembro de 2009 com a mesma violinista e a Deutschen Radio Philharmonie Saarbrücken Kaiserlautern sob a direcção de Fabrice Bollon :

 

 

   Não pudémos aceder ao vídeo das gravações existentes de David Zinman dirigindo a Tonhalle Orchestra em qualquer Sinfonia de Brahms pelo que lhe mostramos a sua forma de direcção daquela Orquestra nas Sinfonias nº 7 em Mi menor D 759 e nº 8 em Dó Maior D 944 de Schubert integrais em Maio de 2011. Para ouvir a Sinfonia nº 4 de Brahms, tema do concerto, numa das boas gravações integrais existentes, eis a da Symphonieorchester des Bayerischen Rundfunks dirigida por Lorin Maazel em 1995 : http://youtu.be/LY2BJYBw7TM

 

 

 

 

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   Também na Quinta-feira, 4 de Abril há no Mosteiro dos Jerónimos, às 21h30, um concerto de entrada livre dado pela Studenten Orchester de Dortmund (Alemanha) sob a direcção do maestro Holger Hellwanger que, acompanhada por António Esteireiro (órgão) interpretará uma Sinfonia nº 3 em Dó menor, op. 78, com Órgão de Camille Saint-Saëns e um Concerto para Órgão em Sol menor de Francis Poulenc.

 


liviu-scripcaru-violino   Ainda na música erudita e no âmbito da actividade divulgadora da Orquestra Metropolitana, um seu Ad- Hoc String Quartet composto por Liviu Scripcaru violino (foto), Gareguin Aroutiounian violino, Jean Aroutiounian viola e Nelson Ferreira violoncelo oferece no espaço dos Armazens Corte Inglês (no Restaurante, piso 7), às 19h, com entrada livre no limite da lotação disponível, um Concerto Comentado por Alexandre Delgado com o seguinte programa :

 

         Alexander Borodin  – Quarteto para Cordas nº 2 (1º e 3º andamentos)

         Vartapet Komitas  –  Suite on Armenian Folk Songs (arranjo de S. Aslamazyan)

 

 

 

   Quanto aos amadores de jazz e música afim, no Hot Club nesta Quinta-feira 4 de Abril (e também na Sexta 5), às 22h30, podem ouvir “Crosscurrents – a música de Lennie Tristano” tocada por um conjunto que reúne Nuno Ferreira (guitarra), André Fernandes (guitarra), Nelson Cascais (contrabaixo) e André Sousa Machado (bateria).

   Lembramos aqui, para os mais puristas, a gravação inicial (1949) de Lennie Tristano ao piano (com o seu Sexteto) desse seu tema “Crosscurrent” :

 

   Se preferirem deslocar-se ao Onda Jazz, também às 22h30, tomarão conhecimento com mais um projecto que pretende trazer a obra de Zeca Afonso ao contacto público, mas com uma “roupagem” nova, dita actual, sem ofensa às raizes do seu trabalho e da cultura e música tradicional portuguesa. É o que se exprime na sonoridade mais intima e próxima dum jazz muito melódico, com arranjos, de Ruben Alves.

 

 

Retrospectiva-Kim-Longinotto-Historias-no-Feminino 

   No campo do cinema, é exibido no Cinema City Classic Alvalade, às 21h30 desta Quinta-feira, 4 de Abril, o filme “Pink Saris” (2010) de Kim Longinotto, seguindo-se-lhe outros filmes da mesma realizadora até Domingo 7.

   Significa isto que uma das mais aclamadas documentaristas britânicas (Kim Longinotto), filha de pai fotógrafo, vai ser finalmente revelada aos espectadores portugueses através de um ciclo organizado pela “Zero em Comportamento”. Praticante de um cinema documental tradicionalmente de observação, Longinotto (afirma o Ípsilon) “não costuma encolher-se perante os assuntos difíceis que escolhe − quase todos temas centrais do debate social contemporâneo −, mesmo que admita que, por vezes, lhe é difícil assistir ao que está a filmar”.PS

   Já teve a sua obra − quase duas dezenas de filmes desde 1982 − homenageada pelo Museu de Arte Moderna de Nova-Iorque (MoMA) ; contudo o programa deste ciclo (o primeiro dedicado exclusivamente aos seus filmes em Portugal) sob o título genérico “Histórias no Feminino” − visto que a maioria do trabalho da cineasta, formada na National Film and Television School britânica, é a luta contra as convenções patriarcais e a opressão sobre as mulheres, sobretudo em sociedades de forte predominância masculina – exibe apenas sete longas metragens rodadas entre 1993 e 2010, todas elas significativas.

   O destaque poderá ir — dizem os críticos — para “Divorce Iranian Style” (1998) na Sexta 5, às 19h, sobre a luta pelo divórcio no Irão patriarcal, ou “The Day I Will Never Forget” (2002) no Sábado 6, às 19h, sobre a mutilação genital feminina no Quénia, ou ainda “Rough Aunties” (2008), no mesmo Sábado, às 21h30, sobre a luta contra o abuso sexual na África do Sul.

   O programa completo está em http://www.zeroemcomportamento.org/kim-longinotto/kl.html

   Mostramos-lhe aqui um excerto de “Pink Saris” (a exibir na Quinta-feira 4) onde acompanhamos a história de Sampat Pal, uma complexa e singular activista política, líder do movimento “Gulabi Gang”, que trabalha pelos direitos das mulheres na região de Uttar Pradesh, no norte da Índia. Assistimos ao empenho individual de Sampat, referência para muitas mulheres maltratadas, na mediação de dramas familiares, testemunhada por dezenas de espectadores, defendendo pessoas em situações de vulnerabilidade e que desnudam as convenções da sociedade Indiana.

 

 

 

 

   No campo das conferências/debate, tem lugar nesta Quinta-feira, 4 de Abril no Auditório do Museu Fundação Oriente, às 17h, uma Mesa Redonda sobre “Linguagens totalitárias”.

bede70566db00a075967069d9566193c9e56a415   O painel de oradores é composto por Manuel Lucena (ICS), José Pacheco Pereira e André Freire (ISCTE) e terá como moderadora Teresa de Sousa (Público).

   A entrada é livre, sujeita a inscrição prévia.

   Como introdução, afirma-se :

   « Os movimentos totalitários inventaram uma nova linguagem para substituir a realidade pela ficção – na Oceania de George Orwell os relógios tocavam as treze badaladas – e o newspeak tornou-se um traço de união entre todos os totalitarismos para lá das diferenças de cultura e de civilização.

   No âmbito da exposição “Cartazes de Propaganda Chinesa. A Arte ao Serviço da Política”, o Museu do Oriente convidou várias personalidades a debaterem temáticas relacionadas com o maoísmo».

 

 

 

fado   Por último, no ciclo “Há fado no Cais” organizado conjuntamente pelo Centro Cultural de Belém e o Museu do Fado, realiza-se na sede deste Museu, às 19h, uma conferência seguida de debate por David Ferreira e Frederico Carmo intitulada “Cantigas numa língua antiga com públicos novos”.

   A entrada é livre no limite dos lugares disponíveis.

 

 

 

(para as razões desta nova forma de Agenda ler aqui ; consultar a agenda de Terça aqui)

 

 

 

 

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