QUEM O VIU E QUEM O VÊ- por António Mão de Ferro

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Outra das personagens que criei para os artigos que escrevia para o Diário de Noticias foi o Abrunhosa. Não, não tem nada que ver com o célebre músico e compositor Pedro Abrunhosa.

Este Abrunhosa é um self made man e, se quisermos ser sinceros, faz parte de determinada geração de empresários portugueses. Tem poucas habilitações literárias e começou a trabalhar por volta dos11 anos de idade quando terminou a escola primária. Do nada, foi fazendo crescer a empresa sem seguir teorias ou ideias produzidas por outros. Era um desses empresários com algum sucesso. que conseguiu à custa de muito esforço atingir uma razoável posição  no mercado . Começou mesmo a ser convidado para falar em encontros e, sempre que o fazia, falava desinibidamente e sem se preocupar com aquilo que os outros pensavam.

Uma vez num encontro com pessoas que defendiam o relacionamento e a comunicação como fatores de coesão e do desenvolvimento das empresas, não esteve com meias medidas, e com convicção afirmou: As situações não se resolvem com paninhos quentes. Eu com três palavrões e dois murros na mesa resolvo todos os assuntos e quem não pensar assim, está errado! E perante algumas críticas ao que dizia, respondia: Fiquem-se com as vossas teorias que eu fico com as minhas.

Eu falo a linguagem do povo, dizia com orgulho. Quando saí da escola primária com onze anos comecei a trabalhar, aprendi na escola da vida. O que eu sei foi aprendido na prática e por isso não me venham cá com teorias.

As coisas foram correndo mais ou menos até que a concorrência começou a produzir o mesmo que ele e a praticar preços mais baixos. O Abrunhosa não desanimou, leu alguns livros consultou vários sites, participou em foros de discussão e recorreu à formação, primeiro frequentou ele alguns cursos e, depois, pediu para organizarem outros para os seus colaboradores. Mudou completamente a sua postura.

Agora tem um discurso completamente diferente e diz que a formação é condicionada pela forma de organização, pelas relações existentes, pela comunicação que se estabelece e pelo trabalho que se efetua. Para criar um clima que facilite a iniciativa, o diálogo e a reflexão sobre as práticas, é preciso que a formação não seja abordada a partir de programas centrados nos conteúdos de determinado posto de trabalho, pois tirar partido de todo o potencial de uma organização exige a utilização de metodologias complementares àquilo que vem sendo feito. Isto de modo a dar resposta aos problemas através da utilização de estratégias formativas não apenas antecipativas, mas também pró-ativas. Ou, trocando as coisas por miúdos, diz ele com vaidade, definir estratégias inovadoras que criem oportunidades de negócio que se antecipem à evolução do ambiente e reduzam o risco e a incerteza.

Nada fazia prever que pelas suas caraterísticas o Abrunhosa tenha tomado esta atitude, o que só vem dar razão ao ditado de que nem sempre o que parece, é.

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