EDITORIAL – PORTUGUESES E “PORTUGUESITOS”

Imagem2Hoje, dia 18 de Abril, não nos apetece falar sobre a reunião entre Passos Coelho e António José Seguro, do encontro com a troika e dessas ocorrências do mundo das trevas. Hoje passam os aniversários de dois grandes intelectuais portugueses – Antero de Quental nasceu em 18 de Abril de 1842 e Bento de Jesus Caraça em 18 de Abril de 1901. Neste 18 de Abril de 2013, continuamos à deriva num barco guiado por gente que tendo nascido neste País, se hesita em considerar portugueses. Mas desse défice de inteligência e desse grande défice de honestidade temos falado com abundância.

Antero e Bento Caraça são duas figuras que nos reconciliam com Portugal e nos provam que num país pequeno e periférico, nascem grandes figuras, intelectuais de excelência. Existe um sentimento atávico nos cidadãos do estado vizinho, de menosprezo sistemático dos portugueses – “portuguesitos” é diminutivo usado com generosidade –  Vasco da Gama, Fernão de Magalhães, Pedro Nunes, Camões, Eça de Queirós, Fernando Pessoa, bem como Antero e Caraça, são portuguesitos?

Aliás, as outras nações e culturas mais pequenas e periféricas, produziram todas elas os seus génios – a Catalunha, os Países Baixos, a Escócia e a Irlanda, a Finlândia e a Dinamarca, em todas estas periferias nasceram grandes escritores, pintores, cientistas.

Infelizmente foi um Adolf Hitler e não um Wolfgang Mozart quem, da Áustria, emergiu como dirigente. E aqui, foi um Salazar tacanho, um portuguesito assumido, quem se pôs em bicos de botas e asfixiou a inteligência. Há uma história infantil em que um rei anão manda cortar todas as cabeças que se elevem acima da sua. Nesse reino, proliferavam os anões e os que o não eram rastejavam para não se elevarem acima da cabeça real.

Os portuguesitos estão no poder. Não defendem Portugal, defendem os seus interesses mesquinhos, protegem-se entre si, defendem-se como podem dos portugueses. Antero de Quental suicidou-se e Bento de Jesus Caraça morreu aos 47 anos de doença cardíaca a que não terão sido estranhas as torturas sofridas quando caiu em mãos da polícia política. Todos os dias nascem portugueses. Todos os dias morrem portuguesitos. E vice-versa.

Coelho e Seguro? Dois portuguesitos. O que interessa o que tenham dito um ao outro? Falaram daqueles negócios a que chamam «os superiores interesses da Nação». De qual nação?

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