Pentacórdio para Domingo, 21 de Abril

por Rui Oliveira

 

 

 

 

 

   Perante a massa de concertos que invade o Centro Cultural de Belém nestes “Dias da Música 2013” dedicados ao “Impulso Romântico” toda a selecção é pessoal.

   Embora em escolha própria vá privilegiar os pequenos agrupamentos estrangeiros (menos susceptíveis de serem ouvidos ao longo do ano) quais o Huelgas Ensemble, La Venexiana (mencionada ontem), o Quarteto Prazak, o Velit Quartett ou o Ensemble Méditerrain, assinalemos “patrioticamente” o Concerto de Encerramento maioritariamente interpretado por músicos portugueses.

 

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f1C5 - Copyf1C5 - Copy (2)   Assim, no Grande Auditório do CCB ouvir-se-á, às 21h deste Domingo, 21 de Abril, a Orquestra Sinfónica Portuguesa e o Coro do Teatro Nacional de São Carlos, sob a direcção musical de Rui Pinheiro, com a participação de Teresa Cardoso Menezes soprano e Paula Morna Dória meio-soprano (fotos à dir.) e a intervenção de Suzana Borges (foto esq.) como narradora, interpretarem de :

 

         Felix Mendelssohn Bartholdy  Sonho de Uma Noite de Verão, op. 61

 

   Não havendo gravação de qualidade desta peça pela nossa OSP, aprecie o leitor a respectiva Abertura, op. 21 tocada pela “Gewandhausorchester” dirigida por Kurt Masur em 1997 :

 

 

   O leitor que queira ouvir a peça integral em outra memorável interpretação, tem aqui a da “Royal Concertgebouw Orchestra” e do “Netherlands Kamerkoor” dirigidos por Nikolaus Harnoncourt no Concertgebouw (Amsterdão) em Abril de 2009, com Julia Kleiter soprano, Elisabeth von Magnus contralto e Gerd Böckmann como narrador :

 

 

Felix_Mendelssohn_Bartholdy 1   Nota esclarecedora : O compositor Felix Mendelssohn Bartholdy (1809-1847) escreveu a peça musical “Sonho de uma Noite de Verão” tendo por base a peça de teatro do mesmo nome de William Shakespeare, mas compô-la em momentos diferentes da sua vida. Entre 8 de Julho e 6 de Agosto de 1826, quando a sua carreira estava no início, compôs uma “Abertura de concerto” op.21 e estreou-a em Szczecin em 20 de fevereiro de 1827. Em 1842, poucos anos antes da sua morte, escreveu Música incidental (op. 61) para uma nova produção da obra de teatro, que inclui a famosa Marcha Nupcial e  nela incorporou a abertura já existente.

 

 

ensemble al-kindi 

   Também no Domingo, 21 de Abril há actividade musical no Grande Auditório da Fundação Calouste Gulbenkian pois o “Ensemble Al-Kindî” regressa às 19h ao seu palco no ciclo Gulbenkian Música “Músicas do Mundo” para um espectáculo que intitulou “Perfumes otomanos”.julien jalal weiss

   A partir do seu trabalho continuado com um reportório da tradição oral árabe na Síria, no Egipto, no Iraque e na Tunísia, Julien Weiss quis eliminar as fronteiras e recuperar um tempo em que as trocas culturais em torno do Império Otomano eram mais frequentes. Assim, Weiss procurou o património comum às músicas árabe, turca e persa no final do século XVII e elaborou um programa assente nas antigas canções de Alepo, no norte da Síria, e em manuscritos de músicos de Topkapi, onde se encontrava a corte do sultão de Istambul.

 

   Constituem o “Ensemble Al-Kindî” os seguintes elementos : Julien Jalal Eddine Weiss (direcção artística & qanun), Omar Sarmini (cantor), Dogan Dikmen (cantor), Bekir Buyubas (cantor), Ozer Ozel (tembur otomano), Mehmet Refik Kaya (kamanche), Ahmet Kaya (ney), Gurkan Ozkan (percussão) e Rila Koksal (percussão).

   Deles partirá música como esta :

  

 

   Se o leitor estiver interessado no canto sufi, pode ter mais de 30 exemplares aqui :

http://www.youtube.com/watch?v=1vNVP-AcK38&feature=share&list=PLDA8865C97A3EBFB3  

 

 

 

   Ainda no campo musical, há neste Domingo, 21 de Abril, na Sala dos Espelhos do Palácio Foz, duas sessões de entrada livre (como é usual) das quais a primeira, às 16h, é da iniciativa do Conservatório de Lisboa para a entrega de prémios desta instituição.

   Desconhecem-se mais pormenores sobre o programa.

  

lisboa a capella 

  Mais tarde, às 18h30, há na mesma sala um Concerto Coral pelo agrupamento “Lisboa a Cappella” que, sob a direcção do maestro Pedro Ramos,irá interpretar obras de Giovanni Perluigi da Palestrina, John Wilbye, Francis Pilkington, Guiseppe Verdi, Felix Mendelssohn, Herbert Howells, Pedro Ramos, Morten Lauridsen e George Gershwin.

   Há um registo de Dezembro de 2012 do agrupamento cantando o tema “O quam gloriosum” de Tomás Luis de Victoria na Igreja de São Luís dos Franceses :

 

 

 

 

  Por último, não esquecer neste dia mais uma mão cheia de estreias no “IndieLisboa’13”, de que não posso deixar de assinalar na secção “Foco Ulrich Seidl” a última parte já de 2013 da trilogia “Paradies” daquela realizadora austríaca, “Paradies : Hoffnung” (Paradise : Hope), a exibir no Grande Auditório da Culturgest, às 21h30.ulrich seidl

   O filme de Ulrich Seidl que, como diz F.F. (crítico do Atual) “anda há longos anos a revolver as boas e as más consciências dos seus conterrâneos” , acompanha Meli que tem 13 anos e excesso de peso pelo que vai para uma colónia de férias para dieta rigorosa. Contudo os jovens obesos, pouco motivados para o exercício físico, unem esforços e fogem à disciplina imposta. Melanie entretanto apaixona-se pelo médico da colónia, amor impossível que no entanto a distrai de toda aquela situação. “Esperança”, como diz o título do filme, ou desespero ?

   É este o seu filme-anúncio :

 

 

   Noutro continente, também suscitam interesse na secção “Observatório”, as películas do realizador alemão Werner Herzog que volta ao tema da pena capital no Estados Unidos através de quatro retratos de criminosos no corredor da morte, no Texas e na Flórida.

Werner_Herzog_Bruxelles_02_cropped   É o tema de “Death Row”– partes I e II exibidos neste Domingo, 21 às 21h45 no CC Classic Alvalade, enquanto as Partes III e IV passam no mesmo cinema no Domingo, 28, à mesma hora.

   Werner Herzog não é defensor da pena de morte, a sua posição é clara; aliás vários dos seus condenados dizem-se inocentes, mas para o realizador isso não é o mais importante. Ninguém deveria ser executado, em caso algum, acredita, e por isso aqui ele é um observador a recolher testemunhos, sem sentimentalismos ou piedade (diz o programa do IndieLisboa’13).

    Estes são alguns exemplos :

 

 

 

(para as razões desta nova forma de Agenda ler aqui ; consultar a agenda de Sexta aqui)

 

 

 

 

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