Pentacórdio para Terça-feira, 23 de Abril

por Rui Oliveira

 

 

   Ocupados com as múltiplas e atraentes ofertas dos “Dias da Música em Belém” e também da Fundação Gulbenkian, ficou-nos pouco tempo para abordar a programação desta Terça-feira, 23 de Abril onde, por acaso, não se destacam espectáculos musicais de vulto, a nosso ver.

   Sobram os campos do cinema e das conferências/debate sobre temas de âmbito muito distinto. Referiremos alguns.

 

 

ay_carmela   No circuito extra-comercial que temos acompanhado, há no Auditório do Instituto Cervantes (Rua de Santa Marta, nº 43 r/c), às 18h30 desta Terça-feira, 23 de Abril e integrado no ciclo de cinema “Homenagem a Carlos Saura”, a projecção com entrada livre do filme “Ay Carmela” (Espanha, 1990) do realizador Carlos Saura, com Carmen Maura (Carmela), Andrés Pajares (Paulino), Gabino Diego (Gustavete) e Maurizio de Razza (Teniente Ripamonte) nos principais papéis.

   Baseada na popular obra espanhola de teatro de Sanchís Sinisterra sob o mesmo título,ay-carmela-1990-02-g a película conta a história de um grupo de cómicos que ameniza como pode os soldados republicanos durante a Guerra Civil. Cansados de tanto penar, Carmela, Paulino e o seu assistente mudo Gustavete vão para Valência … e entram por engano em território rebelde. Com o risco de serem fusilados, é-lhes proposto por um comandante fascista italiano encenarem uma paródia à República. Será que a patriótica e orgulhosa Carmela aceita ?

   Não tendo encontrado o trailer desta película, deixamos ao leitor um vídeo da sua banda sonora original, mas também a possibilidade de aceder ao filme integral clicando aqui : http://youtu.be/gwNfVTnrJRU

 

 

   Apoiada por outra instituição estrangeira, o Instituto Italiano de Cultura, tem lugar no Auditório do Museu Colecção Berardo, 23%20aprile-1às 17h45 da Terça-feira, 23 de Abril, com entrada livre,  a projecção do filme “Sur les traces de Lygia Clark. Souvenirs et évocations de ses années parisiennes” (2011) de Paola Anziché e Irene Dionisio, organizada pelo Instituto de História da Arte da FCSH da Universidade Nova de Lisboa onde, através das palavras de alguns dos seus alunos e colaboradores, as duas realizadoras entram no universo imaginário de Lygia Clark, artista brasileira expoente do Movimento Tropicalista e fundadora do Neoconcretismo.

   Seguir-se-á uma conferência da Prof.ª Liliana Coutinho e uma mesa redonda com Paola Anziché e Francesca Zappia.

 

 

   Ainda no cinema, lembra-se de novo o manancial que constitui o “IndieLisboa’13” de que um dos muitos aspectos interessantes ocorre na Cinemateca onde é projectada a obra de Patrick Jolley (1964-2012), recentemente desaparecido.   

paddy   «Reconhecido como um dos grandes artistas visuais irlandeses do seu tempo” (diz o programa da Cinemateca), “compôs, como realizador, uma obra formada por duas longas-metragens – “Sugar” e “The Door Ajar” – e treze títulos de curta-metragem, de assinalável coerência formal e um universo distinguível pela primazia da imagem, a rarefacção do texto, o seu espírito viajante, a noção da suspensão do tempo. Com formação em belas artes e fotografia, prática como artista visual e fotógrafo, Jolley intuiu na fotografia o interesse que o levaria ao cinema … e foi durante uma estadia em Nova Iorque, e ao lado de americano Reynold Reynolds que Jolley se iniciou no cinema em Super 8 …».

   Tendo as curtas metragens sido exibidas no passado Sábado 19, na Segunda-feira, 22 de Abril, na Sala Luís de Pina, às 19h30, são projectados os seus dois primeiros filmes :

14_exposicao_oca_ReynoldReynoldsePatrickJolley_EUA_Burn_videoinstalacao_2002   “Burn”  (Irlanda, Estados Unidos, 2001) de Patrick Jolley, Reynold Reynolds com Heike Bartels, Melissa Cliver, Charissa Harrison, PJ Steve Kondaks, Ed Norris (10 min, sem diálogos)

   “Sugar” (Irlanda, Estados Unidos, 2005) de Patrick Jolley, Reynold Reynolds, Samara Golden com Samara Golden, Nelson  (82 min, sem diálogos)

   Já nesta Terça-feira, 23 de Abril, às 22h, na mesma Sala Luís de Pina, são projectados :

   “Fall” (Irlanda, 2008) de Patrick Jolley (11 min, sem diálogos)

   “The Door Ajar” (Irlanda, 2011) de Patrick Jolley (84 min, falado em inglês e legendado electronicamente em português).

   Este vídeo de “Sugar” elucida o leitor sobre o trabalho de Patrick Jolley :

 

Sugar from Artstudio Reynolds on Vimeo.

 

   Ainda dentro do “Indie”, aconselharíamos na Culturgest, às 19h desta Terça-feira, 23 de Abril, o documentário “Leviathan” (Reino Unido/EUA/França, 2012) de Lucien Castaing-Taylor e Véréna Paravel.

 Lucien Castaing-Taylor e Véréna Paravel  Filmado em alto mar, o documentário resulta de uma pesquisa feita sobre o porto de New Bedford, antiga capital mundial da caça à baleia. Tendo como tema o regresso a uma indústria com anos de história e como mística uma forma quase esmagadora de beleza, decorre a bordo do navio e explora vários pontos de vista dado ter sido filmado com uma dúzia de pequenas câmaras de vídeo que foram usadas como parte do corpo dos pescadores enquanto executavam as tarefas mais árduas, daí a violência das imagens − como se pode apreciar neste excerto :

 

 

 

   Como conferências de possível interesse, assinalam-se :

 

   Na Sala Principal do Teatro Maria Matos, às 18h30 da Terça-feira, 23 de Abril, o conhecido filósofo alemão Anselm Jappe (cuja releitura jappe10da teoria crítica de Marx é considerada importante para a libertar das interpretações cristalizadas numa “vulgata”) profere uma palestra/debate (moderada por António Guerreiro e de entrada livre) sob o título “Après la fin du travail : vers une humanité superflue ?”.

   A conferência “… tratará da questão do trabalho, tal como se apresenta hoje, na época em que o conhecimento se tornou o principal factor de produção e a mercadoria incorpora cada vez menos trabalho humano … tornando-se este escasso e o desemprego um grande problema social. Repensar o conceito de trabalho e retirá-lo do lugar central que detém … é a grande tarefa do nosso tempo … um dos aspectos fundamentais da crise do capitalismo (é ter) de responder a um número crescente de excluídos e supranumerários (o que) está na base do anúncio do fim da sociedade de trabalho”.

 

 

22%20aprile-1   E ainda na Sala Teatro do Instituto Italiano de Cultura, mas na Segunda-feira, 22 de Abril, às 19h, a conferência “La cultura italiana orfana dei grandi del Novecento”, proferida pelo Prof. Goffredo Fofi.

   Como ensaísta, crítico teatral e cinematográfico, e observador político, é (segundo o I.I.C.) “uma das personalidades mais activas e combativas da cultura italiana. Graças ao seu empenho nasceram as revistas Quaderni piacentini, La terra vista dalla luna, Ombre rosse, Linea d’ombra. Dirige a revista “Lo Straniero” e escreve noutras como “Panorama”.

  

 

(para as razões desta nova forma de Agenda ler aqui ; consultar a agenda de Domingo aqui)

 

 

 

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