EDITORIAL: E A VIDA CONTINUA…

Diário de Bordo - II

O Partido Socialista faz o seu congresso para Seguro brilhar, Cavaco Silva vai de mal a pior e o governo prepara-nos mais algumas, por entre tentativas de remendar os buracos na sua reputação. Enchem os jornais, rádios e televisões. Entretanto, estes cuidadosamente procuram não falar de outras coisas, mesmo quando escaparam ao controlo sem querer, como o caso recentemente descoberto dos investimentos de risco nas empresas públicas, ou, já há mais tempo, das verbas do Fundo de Estabilização Financeira da Segurança Social que foram parar à bolsa.

Pouco ou nada disseram da estadia de Alexis Tsipras em Lisboa. Mostraram uns relances de um comício e de uma visita à CGTP. O homem é assim tão perigoso? Talvez sim, talvez não. O problema é que ele diz umas coisas que não cabem no “consenso” mencionado por Cavaco Silva. Uma vai francamente contra: é impossível os países periféricos conseguirem pagar a dívida. Muito grave. Embora toda a gente, incluindo Passos/Portas/Gaspar, o saiba. Assim como Seguro… Mas Tsipras  não fica por aí. Propõe uma união dos países do Sul contra Merkel e os seus aliados. Coisas das quais  a Forte Senhora e os seus amigos (há quem lhes chame coisas piores) não querem ouvir falar. Ao fim e ao cabo têm ganho tanto com a União Europeia e com a zona euro… Quanto já terão ganho só em juros da nossa dívida (nossa porque a pagamos)? Mas como vêem o Alexis é um inconveniente…

Também da greve da fome dos presos em Guantánamo pouco se fala. Porque será? Parece que boa parte dos detidos na famosa base militar está ali sem culpa formada. Que farão ali? Talvez seja para o Obama conseguir provar que é um duro. Ele fala em reduzir as facilidades no que respeita à venda de armas nos EUA, mas é muito duvidoso que os presos de Guantánamo tenham alguma relação com esse problema. Talvez sirvam de moeda de troca. As perspectivas para eles não são boas. Será por isso que falam tão pouco sobre eles?

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