A semana passada, nos arredores de Dacca, capital do Bangladesh, Rana Plaza, um enorme edifício de oito andares desabou, provocando um número espantoso de vítimas. Segunda-feira, dia 29 de Abril, já teriam sido retirados 400 cadáveres dos escombros, falando-se em centenas de desaparecidos. Quanto a feridos fala-se em um milhar. Os três andares superiores eram clandestinos. Funcionavam ali empresas de confecção e costura, a maioria trabalhando por conta de grandes marcas, como Bom Marche, El Corte Inglés, Joe Fresh, Benneton, Primark, Mango e outras. A maioria das vítimas eram mulheres trabalhadoras dessas empresas, ganhando em média 32 euros mensais.
O sector têxtil do Bangla Desh emprega cerca de 3,6 milhões de trabalhadores, e vale 70 % das exportações e 17 % do PIB do país, segundo informa El País de sábado passado. A maioria são mulheres auferindo salários baixíssimos. Deste o outono passado, é o terceiro acidente deste tipo que ocorre no país. A organização Clean Clothes/Ropa Limpia, através do seu site
informa amplamente sobre esta matéria. Também ocorreram acidentes semelhantes no Paquistão, na Indonésia e noutros países. Os esforços de organizações como Clean Clothes/Ropa Limpia conseguiram alguns avanços como por exemplo lançar um programa Bangladesh Fire and Building Safety Agreement, mas tudo indica que os avanços são escassos.
É cada vez mais importante informar sobre estas trágicas situações, para que todos tenham uma ideia mais precisa do tamanho da exploração do trabalho. A deslocalização das indústrias, a teia das subcontratações contribuiu de sobremaneira para agravar a exploração de centenas de milhões (talvez já milhares de milhões) de trabalhadores. Hoje, no Primeiro de Maio, recordemos os Mártires de Chicago e também as vítimas do Rana Plaza, mais o exército dos desempregados que constituem a reserva de mão de obra criada pelo capitalismo.

