por Rui Oliveira
Nesta Quarta-feira, 8 de Maio as iniciativas mais originais parecem provir dos palcos do São Luiz Teatro Municipal onde, sob o lema “O Teatro tem agora ele próprio de reflectir”, a produtora “Máquina Agradável” apresenta um conjunto de espectáculos com o título global “Sobre um Palco desmontado”. Explicando, dizem :
«É questão difícil de qualquer “contemporaneidade”, seja ela passada ou presente e possivelmente futura, rotular-se a si própria mas sabemos que, no seu sentido primordial, o contemporâneo exige a co-existência e, de certo modo, a co-presença parece ser a forma de se experienciar a contemporaneidade.
Este programa apresenta dois espectáculos, duas instalações, um vídeo e uma conversa/concerto que têm como denominador comum investigar essa co-presença. Assistimos ao gesto artístico como uma ferramenta atenta que quer evitar o redundante e que pretende encontrar na presença do espectador a sua própria premência, renovando a identidade deste, procurando reactivá-la e tornando-a indispensável, reivindicativa da sua relação com um espaço que lhe foi sempre principalmente dedicado: uma sala de espectáculos.
O teatro já foi um espaço de reflexão, o teatro já foi reflectido, o teatro tem agora ele próprio de reflectir – como algo que veicula, como sendo um actor que representa mais do que apenas a si próprio».
O primeiro espectáculo “Problema técnico” decorre no Palco da Sala Principal do São Luiz às 21h desta Quarta 8 de Maio (e também Quinta 9) tem a direcção e interpretação de Andresa Soares e a co-criação e interpretação de Carlos Monteiro, Lígia Soares e Sara de la Féria.
São performers convidados Carlos Correia e Joana Gusmão. 
A composição e direcção musical cabem a Diogo Alvim e o desenho de luz a Rui Alves e Dominique le Gué.
Introdução : Com este projecto abordamos e precipitamo-nos sobre os paradoxos que nos constituem, que criam a tensão que nos move e submete. Esses tendem a provocar incómodo e consequentemente discurso para o amenizar. São uma espécie de dor que não é profunda, uma impressão, genérica, geracional, uma moinha e por isso essa constante, essa comichão só pode ser perceptível pela fragmentação e pela ironia.
E o espectáculo “prometido” é algo que não chega realmente a acontecer. Este vídeo sugere-o :
Pela mesma altura, desde esta Quarta-feira, 8 de Maio até Domingo 12 (com excepção de Sexta 10) ocorre com entrada livre das 18h às 20h40 no Sub-Palco a instalação/performance “O Acto da Primavera” concebida por Lígia Soares (com a colaboração de Rita Barbosa).
A sua concretização estará dependente de uma espécie de interface cénico criado para um espaço sem actores a partir de um conceito de encenação que permite a encenação directa, sem antecipação ou preparação prévia. Este projecto surgiu de uma necessidade de deslocar o espectador ou visitante do seu papel habitual para constiuir o próprio corpo performativo.
Assim essa instalação performativa subdivide-se em dois tempos :
I – “Situação Embaraçosa” (Grupos Pares no máximo de 12 cada vez): 18h, 18h40, 19h20 e 20h
II – “Óptimo, Não Há Mais Nada a Esconder” (Grupos de 5): às 18h20; 19h; 19h40 e 20h20
Também com entrada livre e nos mesmos períodos de Quarta 8 a Domingo 12 (excepto Sexta 10) decorre no Camarote A “Macramé”, uma instalação concebida (com texto) por Andresa Soares a partir de processos de criação comuns à construção do espectáculo “Problema Técnico”, num espaço que se comenta a ele próprio.
O espaço está assim aparentemente vazio (ou cheio de invisibilidade) e será na dependência da continuidade da presença do público e da manipulação da sua atenção que os “acontecimentos” surgem.
A composição sonora volta a ser de Diogo Alvim e a luz de Dominique Le Gué.
No campo musical, salientamos mais um Concerto Antena 2 que terá lugar esta Quarta-feira, 8 de Maio no Auditório Caixa Geral dos Depósitos do Instituto Superior de Economia e Gestão (ISEG), às 19h, sendo concertista o jovem pianista Saul Picado.
Aluno de Pedro Burmester na Universidade de Aveiro, obteve em 2012 o Mestrado em Performance pela Guildhall School of Music & Drama (Londres) nas classes de piano dos professores Martin Roscoe e Peter Bithell. Já em Setembro de 2011, arrecadara o 2º prémio do concurso Prémio Jovens Músicos na categoria Solista – nível superior.
É membro fundador, juntamente com a violinista Carla Santos, do Dryads Duo, vencedor do 1º prémio do concurso Prémio Jovens Músicos de 2011 na categoria de Música de Câmara – nível superior, o qual (Dryads Duo) gravou em Setembro de 2012 o seu primeiro CD.
O programa do concerto inclui de :
Wolfgang A.Mozart – Fantasia nº 3 em Ré menor, Kv 397
Franz Schubert – Sonata nº 13 em Lá maior, D 664
Ludwig van Beethoven – Sonata nº 30 em Mi maior, op.109
Frédéric Chopin – Scherzo nº 2, em Si bemol maior, op. 31
Não há registo da gravação de nenhuma destas peças por Saul Picado; a mais extensa e reveladora do “som” do seu piano é este 1º andamento Allegro Maestoso da Sonata nº 3 em Fá menor, op. 5 de Johannes Brahms (em 1853); para comparação (e/ou deleite) o leitor pode ouvir aqui esta peça integral interpretada por Grigory Sokolov http://youtu.be/qMemgZI6hrE já em 1993 :
Como brinde deixamos-lhe a primeira peça do concerto, a Fantasia nº 3 em Ré menor, Kv 397 de Mozart, na interpretação genial de Glenn Gould, esse “invisível” pianista de concertos :
Ainda na área dos concertos de entrada livre com lugar na Sala dos Espelhos do Palácio Foz, há dois nesta Quarta-feira, 8 de Maio, o primeiro dos quais por iniciativa da Missão do Brasil junto da CPLP.
Será às 17h30m tendo como executante a Orquestra Ouro Preto, dirigida pelo maestro Rodrigo Toffolo(foto), a qual está a efectuar uma tournée por cidades de Portugal e da Galiza, integrada numa volta mais ampla pelos outros países da Comunidade.
Traz no seu repertório (não se sabendo que peças escolherá para este concerto) as seguintes :
Ernani Aguiar – Quanto Momentos nº 3
Heitor Villa-Lobos – Bachianas Brasileiras nº 9 e Prelúdio “Vagaroso e Místico” / Fuga
(no violoncelo: Hugo Pilger)
César Guerra Peixe – Mourão
Rufo Herrera – Concertino para Vibrafone e Orquestra (no vibrafone: Sério Aluotto)
“ “ Suíte Buenos Aires Siglo XX (no bandoneón: Rufo Herrera)
Jorge Costa Pinto – Elegia a Lisboa (estreia mundial)
Ouça-se aqui a Orquestra com Rufo Herrera no Bandoneón tocando o já clássico Libertango de Astor Piazolla :
Também no Palácio Foz, às 21h, há novo concerto, agora de jazz, numa iniciativa da Embaixada do Luxemburgo, onde actuará o Trio Reis-Demuth-Wiltgen, composto por Michel Reis piano, Marc Demuth contrabaixo e Paul Wiltgen bateria, que certamente tocará temas do seu primeiro e recente álbum editado pela “Laborie Jazz LUX” pois é esse o motivo da sua presença em Lisboa neste fim-de-semana no Hot Clube.
Eis o registo duma sua actuação no “L’Inoui” em 2011 :
Por último, pode ser curiosa a leitura encenada com uma conversa entre o público e o Teatro PazAto – Portugal XXI, um grupo de Teatro sobre imigração e integração em Portugal, que terá lugar esta Quarta-feira,
8 de Maio no Café Teatro da Comuna – Teatro de Pesquisa (Praça de Espanha), às 21h30, sobre o texto “Novas Diretrizes em Tempo de Paz” de Bosco Brasil.
Numa encenação de Davoud Ghorbanzadeh, intervêm como leitoras as actrizes Alice Diniz e Ana Isabel Augusto (na foto), tendo como assistente de encenação São Correia e contributo musical de André Moraes.
A entrada é livre.
(para as razões desta nova forma de Agenda ler aqui ; consultar a agenda de Segunda aqui)






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