O interior desaparece e tudo é puxado cá para fora.
Ganha-se a acuidade dos sentidos
perde-se a acuidade da transcendência.
Poesia é transcendência pura.
É o cerrar dos lábios e dos olhos
e o voltar-se para uma vida interior
quase inexpressiva.
E se acaso se exprime é puro e leve.
(de “Poesia e alguma prosa”)
Pseudónimo de Mário Pais da Cunha e Sá. Poeta modernista com íntimas ligações, não directamente à revista “Orpheu” mas à geração que a ela esteve ligada. Estreou-se com “Evangelho de S. Vito” (1917), de influência nietzscheana, e deixou muitos poemas dispersos por revistas de referência, entre as quais “Athena”, “Presença” ou “Tempo Presente”. A obra poética foi reunida por João Rui de Sousa no vol. “Poesia e alguma prosa” (2006).