Faz hoje 87 anos – foi no dia 28 de Maio de 1926. Presidia Bernardino Machado, um professor universitário, um maçon, que no ano anterior substituíra Manuel Teixeira Gomes na presidência. Aliás, foi a segunda vez que um mandato seu foi interrompido manu militari – em 1917, era também ele o presidente quando Sidónio Pais, à frente de uma junta militar, dissolveu o Congresso e destituiu o presidente em exercício – Bernardino Machado. Menos de dezasseis anos após ter sido proclamada, a República mergulhara no caos – por um lado, os monárquicos nunca perderam uma oportunidade para desestabilizar o novo regime e, por outro, os próprios republicanos estavam divididos. A República agonizava, sufocava no vómito de mil e uma dissensões: greves, revoltas, assassínios como os da «Noite Sangrenta», múltiplas conspirações. Na Europa, Portugal era designado como o «pequeno México». Até mesmo republicanos convictos, como os que formavam o grupo da Seara Nova reconheciam a necessidade de pacificar a vida nacional.
Naquele dia 28 de Maio de 1926, a partir de Braga, desencadeava-se um movimento militar – este golpe não seria uma intentona vulgar como houvera dezenas desde 5 de Outubro de 1910. Este puscht modificaria radicalmente o País e influenciaria o curso da sua história durante quase meio século. . De Braga, nessa madrugada saiu uma coluna militar comandada pelo general Gomes da Costa, herói das campanhas africanas e da I Guerra Mundial. As guarnições militares do Porto, de Coimbra, de Santarém, de Lisboa, de Évora, foram aderindo… Aquilo a que se chamaria a Revolução Nacional, triunfou sem quase um tiro ser disparado.
Dias depois, a 6 de Junho, Gomes da Costa desfilava triunfalmente em Lisboa, na Avenida da Liberdade à frente de quinze mil homens. O povo da capital, aplaudia-o freneticamente. Os democratas mantiveram a serenidade – tratava-se apenas de arrumar a casa. Mas menos de um ano depois, em Fevereiro de 1927, eclodia uma revolta militar e civil de grandes proporções, com principal expressão no Porto e depois em Lisboa onde além de muitos mortos nos combates, houve depois fuzilamentos. Em 1933, a Ditadura Nacional, supostamente transitória, dava lugar ao Estado Novo referendado e aprovado pela maioria dos cidadãos eleitores. Um Estado Novo, corporativista, anti-parlamentar, católico, com inspiração na Itália fascista, dominado por um ditador mesquinho e tacanho que redesenhou o País à imagem da sua aldeia.
A longa noite fascista começara nessa madrugada de 28 de Maio. Foi há 87 anos.
Tão horroroza é a noite fascista quanto as bruxas de Macbeth!
Mas a vida é dialética: houve o dia ensolarado dos Cravos vermelhos. Viva Portugal!
abraços calorosos,
Rachel Gutiérrez
Tão horroroza é a noite fascista quanto as bruxas de Macbeth!
Mas a vida é dialética: houve o dia ensolarado dos Cravos vermelhos. Viva Portugal!
abraços calorosos,
Rachel Gutiérrez