Se ainda se lembra, em artigo anterior um tubarão disse a um cavalo-marinho que andava à procura de fortuna, que tomasse um atalho e entrasse para a sua imensa boca.
O cavalo-marinho agradeceu e lançou-se para o interior do tubarão acabando devorado. A moral desta história é a de que se não sabe com certeza para onde vai, é muito provável que se engane no caminho.
A situação em que nos encontramos, num país que parece andar à deriva com governantes a dizerem e a desdizerem o que vão fazer, é bem o exemplo de que não se sabe muito bem onde se quer chegar. Muitas empresas que faliram provavelmente também não tinham bem noção do que pretendiam e outras, sabendo onde queriam chegar, não tomaram o caminho certo e por isso quando os obstáculos apareceram não souberam que atalho deviam tomar. Muitas seguiram em frente até baterem numa parede quando a prudência aconselhava a voltarem atrás. Outras seguiram para a direita quando deviam ir para a esquerda, ou foram para a esquerda quando deviam ir para a direita.
Todavia há quem defenda que tentar definir com muito rigor o sítio onde se pretende chegar pode ser castrador da criatividade. Assim são de opinião de que é possível gerir através de processos em que as ideias, as escolhas e as ações se auto regulam e daí a necessidade de se apoiarem em explicações mais dinâmicas para lidar com a confusão, a ambiguidade, os conflitos e a desordem em que têm que agir.
O pior é que muitas vezes estas teorias acabam por originar o caos, criando confusão total e ausência completa de teorias ou normas.
Porém, verdade se diga que certos sistemas são capazes de se comportarem de maneira aleatória. O que quer dizer que são intrinsecamente não previsíveis a longo prazo a um nível específico. Sendo assim o sucesso depende da inovação da espontaneidade e da iniciativa muitas vezes ad hoc, dos indivíduos.
Ao centrar a atenção no irregular, no incerto, no diferente, é-se encorajado a rejeitar uma visão mecânica, simplista do mundo empresarial.
Sendo assim a definição de objetivos pode ter dificuldade em se enquadrar em sistemas aleatórios!
Volto agora ao início do que escrevi num outro artigo e de que este é a continuação. Se se recorda disse então que a chuva me tem impedido de fazer aquilo de que mais gosto: passear desprendidamente sem chegar a algum lado.
Como deixou de chover aí vou eu sem destino, mas na gestão de uma empresa também poderá ser assim?
