EDITORIAL – A PONTA DE UM ICEBERG

Imagem2Perante um buraco financeiro criado, segundo Vítor Gaspar pelo facto de termos vivido acima das nossas possibilidades, a solução encontrada foi a de ir buscar o dinheiro onde era fácil – aos contribuintes. E, obrigando todos a ser solidários com o que uma minoria roubou, corta-se subsídios, cria-se taxas de solidariedade social, aumenta-se o desemprego e cria-se um clima de caos e de desespero, bem visível no aumento do número de suicídios. Aquilo que tem sido dito e repetido por quase toda a gente, incluindo figuras de proa do PSD, a evidência de que a austeridade cega, iria resultar num agravamento da situação económica, vai sendo (infelizmente) confirmado. Ontem foi a  OCDE a  dizer que a recessão em Portugal vai ser pior do que o governo previa.

Acrescenta ser improvável que Portugal consiga cumprir as metas do défice para 2012 e 2013. A OCDE prevê para este ano um défice orçamental de 6,4%, acima dos 5,5% previstos pelo Governo. Para 2014 a OCDE faz também uma revisão em alta: o défice deve atingir os 5,6% e não os 4 acordados com a Troika. A recessão também vai ser mais grave que a prevista pelo governo. A OCDE diz que a economia portuguesa vai contrair-se este ano, não 2,3 por cento, mas sim 2,7 cento. Para o ano a economia inverte o ciclo, com um crescimento muito ténue, a rondar os 0,2 por cento.  A dívida pública de acordo com a OCDE, será de 127 por cento do PIB este ano e em 2014- ultrapassa a barreira dos 130% do PIB muito acima dos 123% previstos pelo governo. Porém, Vítor Gaspar desvaloriza a revisão em baixa da OCDE e garante que o pais entrou numa nova fase. Deve ser aquela altura em que estando à beira do abismo, damos um passo em frente.

Dissemos que a austeridade foi cega – não é verdade. Fingiu que fechava ambos os olhos, mas fez batota – só incidiu sobre quem estava mais desprotegido. E não foi onde devia ter ido – investigar contas de gente ligada ao poder, congelando-as. O Gabinete da Luta Anti-fraude da União Europeia (OLAF) está a investigar a Tecnoforma e a ONG CPPC (Centro Português para a Cooperação) empresa de que foi  gestor Pedro Passos Coelho  e do qual o ex-ministro Relvas era sócio, está a ser alvo de uma investigação por suspeita de “uso alegadamente fraudulento de fundos comunitários”. A abertura de inquérito é fruto de uma denúncia da eurodeputada socialista Ana Gomes.  É a ponta do iceberg que transformou Portugal num imenso Titanic

Leave a Reply