Já aqui escrevi por diversas vezes sobre Lou Andreas von Salomé, sobre a sua ligação a Freud, Nietche, Rilke. Relembro só que nasceu em São Petersburgo no ano de 1861, sendo a sexta criança da família e a primeira menina, filha de um general, oficial do czar russo, com quem tinha uma grande relação afectiva. Lou foi educada na fé em Deus, em quem via um amigo invisível, auxílio e protecção, fé, mais tarde perdida. Iniciou cedo leituras tradicionalmente não ensinadas nem nas escolas, nem às mulheres: filosofia, lógica, teoria do conhecimento, metafísica, teologia, literatura francesa e filosofia alemã.Aos 19 anos, instalou-se em Roma onde começou uma série de relações culturais e afectivas muito marcantes.
Em 1892 escreveu o primeiro estudo feminista sobre as mulheres da obra de Ibsen. Em 1911 começa a estudar a psicanálise. Analisando a sua obra, há quem se interrogue como é que foi possível ela ter convivido e influenciado homens tão importantes, sem por eles ser dominada… Ao todo, Lou escreveu 20 livros e mais de 100 ensaios e artigos. Morreu em 1937, quase a completar 76 anos. Dias depois da sua morte, os nazis confiscaram toda a sua obra e documentos pessoais.
Não tenho presente a sua ligação à música. Só relembro as suas obras. Mas podemos falar sobre a sua influência na música, nomeadamente em duas situações.
Um poema que escreveu – o Hino à Vida (1881)- inspirou Nietzsche, que compôs uma música para acompanhar .
Tão certo quanto o amigo ama o amigo,
Também te amo, vida-enigma
Mesmo que em ti tenha exultado ou chorado,
mesmo que me tenhas dado prazer ou dor.
Eu te amo junto com teus pesares,
E mesmo que me devas destruir,
Desprender-me-ei de teus braços
Como o amigo se desprende do peito amigo.
Com toda força te abraço!
Deixa tuas chamas me inflamarem,
Deixa-me ainda no ardor da luta
Sondar mais fundo teu enigma.
Ser! Pensar milênios!
Fecha-me em teus braços:
Se já não tens felicidade a me dar
Muito bem: dai-me teu tormento.



