ARMINDO RODRIGUES
(1904 – 1993)
ROMANCE DO CHÃO VERMELHO
1
A planície tem os olhos
cheios de espanto e de fogo
rasgados de lés a lés
na face de vagabundo
e pensamentos que são
caminhos arremessados
aos quatro cantos do mundo.
Enraizada no chão,
uma gente triste canta,
com abstractas nostalgias
na dureza das palavras,
por que as searas se alongam,
por que pairam os milhafres,
por que amargam as papoilas,
por que as ovelhas se perdem,
por que os amores se acendem,
por que luzem as navalhas.
Há nos troncos dos sobreiros
vermelhos de hemorragia
e um verde vil nos bonés
dos guardas-republicanos,
majestosos e solenes,
feitos de crueza e medo,
com a morte recalcada
na mudez das carabinas
(de “Quadrante Solar”)


Forte a poesia desse Armindo Rodrigues que descubro agora, graças à Viagem dos Argonautas.
Obrigada!
Rachel Gutiérrez