EDITORIAL – A DESESTRUTURAÇÃO DE PORTUGAL

Imagem2Cavaco Silva informou-nos ontem de que não demite o governo porque acha que a sociedade portuguesa não está em desestruturação. Que não há fragmentação social. È a opinião de alguém com grandes responsabilidades, e que com certeza conhece bem a nossa realidade. Pelo menos tem a obrigação disso.

Ora o desemprego continua a crescer no nosso país. O desemprego é a falta de emprego, que é o que garante à maioria dos portugueses, tal como à maioria dos nacionais da maioria dos outros países, o acesso a meios para ganhar a vida. Os números oficiais dizem que cerca de 18 % da população activa portuguesa está desempregada, e há fortes indícios de que esse número tende a aumentar. Na realidade, há indícios de que esse número é bastante superior aos dados oficiais. E sabe-se que há um número considerável de pessoas em empregos precários, portanto em grave risco de desemprego. Mais bolseiros, estagiários, etc., fora do contingente dos desempregados oficialmente contabilizados. Entretanto, quantos desempregados de longa duração deixaram de contar para as estatísticas? Não há criação de emprego público, excepto nalguns gabinetes ministeriais, ao que se conhece. Fala-se sim em despedimentos maciços. E no sector privado, as perspectivas não são melhores. Os grandes grupos económicos não têm como prioridade a estruturação da sociedade portuguesa e os pequenos e médios empresários vêem os clientes cada vez mais pobres, ou pura e simplesmente deixarem de comprar. O desvio de grandes verbas para a especulação financeira tem sido um factor decisivo para a falta de investimento nos sectores produtivos, e os actuais governantes obviamente que não estão dispostos a pôr cobro a esta situação. Por isso, o desemprego vai continuar a crescer.

A emigração tem crescido consideravelmente. Ao contrário de épocas anteriores, os contingentes emigratórios, nestes últimos anos, incluem elevada percentagem de jovens com preparação académica de nível elevado. Vai-se sentir muito no nosso país a falta destes emigrantes nos próximos anos, melhor dito, nas próximas décadas. O crescimento económico, o desenvolvimento em geral, a taxa de natalidade, a prestação dos serviços públicos, vão ser afectados gravemente pela saída de jovens bem preparados, cuja formação custou bastante ao país. O facto é que aqui não lhes é dada hipótese para organizarem as suas vidas, sob as actuais orientações políticas.

A vaga de privatizações não esmorece. Após a EDP, a ANA e outras empresas bem geridas e que davam lucro ao país, seguem-se os CTT e continua-se a insistir na venda da TAP. A RTP com certeza que voltará à baila em breve. A destruição dos estaleiros de Viana do Castelo idem. Obviamente que este tratamento do sector produtivo põe em causa a vida do próprio país.

Portugal, a sociedade portuguesa estão ser desestruturados, a ser fragmentados. Não é possível que Cavaco Silva não perceba isto. Só um louco não o vê.

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