
Obrigado a Sociocrônica e ao youtube
Vocês bem sabem, eu sou um rapaz de bem…
Hoje ainda vou ser mais chato e menos legível, ainda com menos gente do que é costume a gramar estes bons dias até ao meio, quanto mais até ao fim.
Mas às vezes acorda-se assim. Com memórias súbitas e despropositadas.
Jobim, Gal Costa. João Gilberto, Nara Leão, Vinicius e mais umas dezenas de outros (consoante o grau de “cultura” musical, a idade, o tempo e o modo) são nomes conhecidos – adorados, negligenciados, esquecidos, indiferentes, incompreendidos ou mesmo detestados – mas conhecidos.
Pois bem, com Johnny Alf ainda é “pior”, em termos de desconhecimento.
Nos anos cinquenta/sessenta o Jony Galvão, meu grande amigo de então, ensinava-me acordes e músicas do João Gilberto, que estava então no seu discreto despontar. Fartavámos de tocar e cantar, eu e ele, na descoberta por vezes conjunta daqueles apaixonantes temas brasileiros e únicos.
Curiosamente ele cantava e tocava o “Rapaz de bem”, nós gostávamos à brava daquilo, era “diferente”, tinha acordes inesperados (alguns desesperados, para nós iniciados) e sabíamos lá quem era o autor e cantor.
(Agora usa-se a pirosa expressão de cantautor, é verdade).
Duzentos anos mais tarde, mais coisa menos coisa, dei à costa no Hot Clube.
Ouvi isto e vi aquilo, conheci estes e aqueles músicos, estes e aqueles temas. E conheci o Luís Villas-Boas – mentor indiscutível, divulgador genial e conflituoso, espécie de professor desorganizado, que nos ensinava uma data de coisas importantes, nos chamava a atenção para o que de importante e do porquê se fazia, nos ensinava a ouvir, etc.
Ele era o Homem do Jazz – uma coisa desconhecida ou rara no Portugal dos Pequeninos de então.
E foi quando um dia conversávamos e eu empolgava o João Gilberto e o Jobim como os grandes inventores da Bossa Nova, a tentar demonstrar-lhe que “sabia coisas”, que ele com toda a naturalidade me disse que não. Que não eram. Que havia um indivíduo chamado Johnny Alf, que ninguém conhecia – nem hoje conhece, evidentemente – nunca divulgado mesmo ainda por estes dias, com as sempre más relações culturais com o Brasil e outros países que herdámos desse tempo nocturno do fascismo e da ignorância. Sim, porque nestas coisas da cultura o Salazar também foi importante, não foi só simplesmente fascista…
E pronto. E mais uma vez, como de costume – nesta minha persistência, encantamento e obsessão por heróis desconhecidos (músicos, escritores, actores, soldados desconhecidos, etc.) – e já agora, aproveito para ouvirmos o Johnny Alf a cantar o “Rapaz de bem”.
Obrigado por me lerem até aqui.
Carlos
Johnny Alf 1955 Rapaz de bem – YouTube
Acima, a gravação original em 78 rotações, por muitos pesquisadores considerada a primeira da bossa nova.
Obrigado a Música de Amigo e ao youtube
Para saber mais sobre Johnny Alf, cujo verdadeiro nome era Alfredo José da Silva, clique em:
Johnny Alf – Wikipédia, a enciclopédia livre (wikipedia.org)

