RETRATOS, IMAGENS, SÍNTESE DOS EFEITOS DA CRISE DA ZONA EURO SOBRE CADA PAÍS

Selecção e tradução por Júlio Marques Mota

Deutsche Bank, o banco mais exposto aos produtos derivados no mundo inteiro

Philippe Herlin

Magnífico! O país que nos é vendido diariamente e a toda a hora  como um modelo a seguir, uma referência absoluta e mesmo o futuro de qualquer um dos países da Europa  tem o seu banco principal não apenas num estado lastimável (o que não é mais nenhum segredo para ninguém), mas esta mesmo banco é  também o  mais exposto   aos produtos  derivados no mundo inteiro , o que significa que se ele se vai abaixo então esse  dia será verdadeiramente  um dia de  Apocalipse financeiro!

Par Philippe Herlin – Chercheur en finance / Contributeur pour Goldbroker.com

É a pequena  informação da semana, que passou sob o radar, mas à qual teremos de  voltar: o banco que tem a mais alta exposição aos derivados em todo o mundo não é JP Morgan, como toda a gente pensava, mas sim o Deutsche Bank. Conforme se indica no seu  relatório anual de 2012, o banco está exposto à altura, atenção,  regressemos à linha:

55.605.039.000.000 euros, ou seja, 55,605 milhões de milhões  de euros,  ufa.

Por comparação, o PIB da Alemanha atingiu em  2012   o valor de 2,6782 milhões de milhões de euros, o que significa que os compromissos do primeiro banco do país em derivados são vinte vezes maiores que a riqueza criada num só ano,  na primeira potência económica europeia . Convertidos em dólares, isso representa 72,8 milhões de milhões  de dólares, ou um pouco mais que o  JP Morgan. A Europa detém o recorde, o primeiro banco no coração do país mais forte, bravo!

Mas não nos devemos preocupar de acordo com os contabilistas do banco alemão, porque todos estes compromissos são compensados e, no final, a exposição é de apenas 20,3 mil milhões de euros. Isso é o que explicam os dirigentes dos principais bancos quando colocamos este tópico sobre a mesa: as posições equilibram-se. Quando um compromisso é assumido sobre um produto derivado, o banco compra uma protecção (posição inversa) para se proteger.

Mas, na verdade, quem é quem é que se  compra essa protecção? A um outro banco… Na realidade, todos os grandes bancos vendem produtos  derivados, o que significa que se um deles entra em situação de falência, todos os outros seguem o mesmo destino! As protecções vendidos pelo banco em falência pura e simplesmente desaparecem   e os outros bancos vêm a  sua exposição líquida explodir e caiem igualmente.  Isso é o que não ocorreu  com a falência da AIG, em Setembro de 2008, que era a contraparte de muitas instituições financeiras, e que foi salva do  desastre pelo Estado americano. O cálculo da exposição líquida é assim puramente teórica. Os depósitos do Deutsche Bank representam um centésimo destes 55,6 milhões de milhões de euros em derivados, e Chipre  ao lado disto é pura brincadeira .

Assim, todos os grandes bancos se mantêm assim   em equilíbrio sobre uma montanha de derivados que se tornam muito pouco fiáveis em  tempos de crise. Há também um ponto positivo neste caso: a  sede do Deutsche Bank é em Frankfurt, como é a do  BCE, e  então Mario Draghi terá apenas poucas ruas para ter de atravessar em caso de problemas.

Philippe Herlin,   Deutsche Bank, la banque la plus exposée aux produits dérivés dans le monde, texto disponível em:

 https://fr.goldbroker.com/news/deutsche-bank-banque-plus-exposee-produits-derives-monde-246.html

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