Uma mensagem do argonauta Júlio Marques Mota
Aos leitores de A Viagem dos Argonautas
Na segunda-feira iniciaremos um debate sobre a saída ou permanência no euro em A Viagem dos Argonautas. Na sequência de correspondência havida com um eurodeputado português, coloquei a questão de ficarmos ou sairmos do euro, no quadro da actual globalização. Enviei a pergunta a uma série de economistas e estamos a recolher as respostas.
Morrer de uma maneira ou de outra , eis a questão. Pensar que para lá da morte, que é certa nos dois casos, ainda há vida para um pais, o que não acontece com os simples mortais, significa questionar qual das vias, a de ficar ou a de sair, torna menos dolorosa a nossa possibilidade de ressuscitar, o mesmo é dizer qual das duas vias nos deixa em menos mau estado para partir para outra, é a questão que fica no ar, mas sempre tendo em conta o contexto da actual globalização.
Contamos com a participação certa de A-J-Holbecq, Jéan-Luc Gréau, da revista Le Causeur, de Phillipe Murer, de Peter Whal, de Thomas Coutrot, de Bernard Bouzon, de François Morin, de Joaquim Feio, de Stuart Holland, de Gouveia Pinto, de João Ferreira do Amaral, de Michel Husson, de Jacques Mazier e de Jorge Bateira., Contamos com a possibilidade de participação de José Almeida Serra, João Cravinho, Rui Tavares, aguardamos ainda resposta de Mario Nuti , Joaquin Arriola e Armando Steinko.
Entretanto apresentamos uma série de textos sobre as saídas da crise, vistas por Gaspard Koenig, Carles Gave e Nicolas Goetzmann. Agradecemos à Dr.ª Osita e à Fundação Mário Soares a oferta da fotografia de Mário Soares, uma vez que não gostámos da foto que ilustrava os debates publicados em França.
Trata-se de textos da maior importância, um, o Gaspard (acaba em d) é um neoliberal puro e terá sido a mão direita de Christine Lagarde. Um intelectual de grande gabarito, de direita, a falar-nos do que entende por solução da crise. Como neoliberal francês cruza a sua análise com pontos de vista gaulista. Nicolas Goetzmann é um bom ponto de referência face ao neoliberalismo quer de Gaspard quer de Gave. Charles Gave fica picado com alguma concessão à esquerda feita por Gaspard e reage, reage fortemente, e mostra a saída gaullista face ao euro, defende a saída do euro em conjunto com mais neoliberalismo ainda na economia real. Seria a política da União Europeia, mas sem euro. Se de um lado faz muita chuva, do outro não faz menos e tudo isto dá para ver as nuvens negras que o neoliberalismo nos coloca sobre a cabeça. Um debate a seguir, é o que aqui vos aconselho, o terreno de preparação para o debate que iremos colocar a partir da nossa pergunta: ficar ou sair do euro.
Boa leitura
Júlio Mota
