Pentacórdio para Sexta-feira, 21 de Junho

por Rui Oliveira

 

 

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   Nesta Sexta-feira, 21 de Junho tem início uma iniciativa curiosa integrada nas “Festas de Lisboa’13” que é o festival “Summer Choral Fest / Festival Coral” que inaugura neste dia o Verão de 2013.isabel alcobia 

   No Grande Auditório do Centro Cultural de Belém, às 21h, o seu Concerto de Abertura vai assinalar a estreia do “Summer Fest Choir” recentemente criado e coro residente do Festival, o qual se apresentará em parceria com o “Coro Sinfónico da Universidade de Aveiro” e a “Filarmonia da Beiras”, cantando a “Carmina Burana”, de Carl Orff, sob direcção do maestro Eugene Rogers. russell-john

   Como cantores centrais na peça de Carl Orff estarão presentes Isabel Alcobia soprano (foto) portuguesa, John Russell tenor (foto esq.) americano e Stephen Lancaster barítono (foto dir.) americano.stephan lancaster web

   Acrescente-se que o recem-constituído “Summer Fest Choir” é formado por jovens cantores vindos de todo o mundo, em parceria com o World Youth Choir, a Universidade de Michigan e a Escola Superior de Música de Lisboa.

   Mostramo-vos, das inúmeras gravações existentes, uma curiosa mas não recente (1975) que pretende traduzir o significado do texto cantado, revelador da sua natureza claramente profana.

 

 

   Nos dias seguintes até à data de encerramento do Festival Coral a 24 de Junho haverá a actuação de Grupos Corais ao ar livre no Jardim de Belém, no Museu EDP e no claustro do Mosteiro dos Jerónimos, um Concurso Internacional de Coros e no último dia o concerto de encerramento com o “New Israeli Vocal Ensemble”. (ver programa completo aqui )

 

 

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   Outro evento musical particularmente interessante é o que é proposto pelo jovem compositor Pedro Castanheira para a noite desta Sexta-feira, 21 de Junho exactamente quando forem 22 horas e a que chamou “Lisboa em Si”.PEDRO-castanheira 213x300

   Durante sete minutos (o número não é fortuito, como abaixo se verá) ouvir-se-á uma composição musical que recorre aos apitos de 25 embarcações, viaturas de bombeiros, comboios, sinos de igrejas e campainhas de eléctricos. Cerca de cem músicos irão interpretar uma peça original em directo, coordenados entre eles via rádio e espalhados pela zona ribeirinha da cidade − «nesta orquestra estão bombeiros, mestres, guarda-freios, maquinistas, enfim anónimos de uma cidade que não podia viver sem eles» (é essa a intenção do compositor).

LisboaemSi   Audível (sobretudo) em toda a zona ribeirinha da cidade de Lisboa, definida a Este pela igreja de Santo Estêvão, a Oeste pela igreja de Santa Catarina e a norte pelo Miradouro de S. Pedro de Alcântara, serão 7 os pontos de escuta, que serviram também de referências espaciais para um melhor entendimento da dinâmica dos sons neste palco improvisado – Miradouro de Santa Catarina, Praça Camões, Miradouro de S. Pedro de Alcântara, Miradouro da Graça, Castelo de S. Jorge, Miradouro de Santa Luzia e Praça do Comércio. (para mais pormenores sobre onde ouvir ver o site http://www.lisboaemsi.com/?lang=PT )  

palco_plateia_1   Quanto aos 7 minutos, eles terão sido pensados em referência às 7 colinas, mas a escolha reforçou-se ao verificar que esse fora o período de duração do terramoto de 1755; substituir o “ruido” dessa destruição pelo “som” da cidade passou a ser o objectivo, assinalado pela luz dum very light com que se pretende um maior silêncio para ouvir melhor o concerto.

   Feito o convite, se o leitor ficou com dúvidas veja pela própria voz do músico como será o evento no vídeo abaixo (sugere-se também ver uma reportagem mais bem filmada sobre o mesmo tema aqui ) .

 

 

 

 

   Quase como último evento da temporada clássica de 2012-13 da “Gulbenkian Música” e enquanto o seu Grande Auditório se encontra em obras de renovação, 1002262_466147836807835_920740262_na Orquestra Gulbenkian já sob a direcção do novo maestro Paul McCresh vai nesta Sexta-feira, 21 de Junho, às 21h, até ao Auditório Vianna da Motta da Escola Superior de Música de Lisboa (no Campus de Benfica do Instituto Politécnico de Lisboa) para interpretar excertos das “Bodas de Fígaro” de Wolfgang Amadeus Mozart no âmbito do concerto final do Workshop para Cantores e Pianistas correpetidores.

   Intervêm os cantores Aleksandra Orlowsaks Jablonska, Bárbara Barradas, Caterina Tartaglione, Inês Simões, João Terleira, Kalvin Kalnins, Kinga Borowska, Margarida Hipólito, Nuno Dias, Ricardo Rebelo, Richards Millers e Sonja Volten.  

    A entrada é livre.

 

 

   Ainda no campo da música erudita, nesta Sexta-feira, 21 de Junho a actividade generosa dos Solistas da Metropolitana espalha-se por nada menos que cinco polos musicais.

 

solistas da metropolitana vários 

   É no Palácio Foz, às 13h na sua Sala dos Espelhos e com entrada livre, quando Madalena Rodriguessala espelhos Pal.Foz 2 violino, Maria Bykova violino, Joana Tavares viola, Nuno Cardoso violoncelo e Manuela Fonseca piano forem tocar de :

        Edvard Grieg  – Quarteto de Cordas em Sol menor, Op. 27

        Antonín Dvořák  –  Allegro ma non tanto, 1.º andamento do Quinteto com Piano em Lá maior, Op. 81

 

 

   É nos Paços do Concelho da Câmara Municipal de Lisboa, às 13h, onde sucessivamente numa primeira parte Ana Rita Pereira, Sílvia Rocha, Flávia Valente e Carlos Araújo constituidos em Quarteto de flautas vão tocar de :sala da CML

        Georg Phillipp Telemann  –  Concerto Ré maior, TWV 40: 202

        Jean-Michel Damase  –  Quarteto

 

   e numa segunda parte Leonardo Furtado violino, Francisco Lima da Silva violino, Paul Wakabayashi viola e Ana Conceição violoncelo irão interpretar de :

        Alexander Borodin  – Quarteto de Cordas n.º 2

 

 

   É ainda na Casa Fernando Pessoa, às 18h30, onde igualmente numa primeira parte o Trio de Cordas formado por João André Martins violino, Aldara Medeiros clarinete e Vladimir Kouznetsov contrabaixo se dispõe a executar de :sala casa fernando pessoa

        Charles Huguenin  –  Trio n.º 1, Op. 30 (original para oboé, clarinete, fagote)

        Wolfgang Amadeus Mozart  – Divertimento n.º 2, K. Anh. 229 (original para oboé, clarinete, fagote)

        Ken Henkel  –  Cinco miniaturas

        Igor Markevitch  –  Serenata

 

   e numa segunda parte Diana Ramada flauta, Samuel Matos clarinete, Lívio Dias oboé e Roberto Erculiani fagote irão interpretar de :

        Jean Françaix  –  Quarteto para Flauta, Oboé, Clarinete e Fagote

 

 

   É na Casa Museu Dr. Anastácio Gonçalves, às 19h, onde Luís Corral dos Santos violino, José Nascimento violino, David Correia violino e Ercole de Conca contrabaixo irão tocar de :sala da CASA_MAG

        Reinhold Glière  –  6 Duos, Op. 49

        Gioachino Rossini  –  Sonata n.º 1 (transcrição de Ercole de Conca)

 

   Mais tarde o Quarteto de Flautas que integra Ana Rita Pereira, Sílvia Rocha, Flávia Valente e Carlos Araújo irá interpretar o Quarteto de Jean-Michel Damase.

 

 

   E é finalmente no Liceu Camões, às 19h (como Concerto Aberto Antena 2, comentado por André Cunha Leal), onde primeiro Francisco Barbosa flauta, Sérgio Coelho clarinete e Tatiana Martins fagote farão ouvir de :sala liceu de camões

        Sérgio Azevedo  – Suite campestre para Sopros, Pelos Campos Fora

        Jacques Ibert  – Cinco peças em trio

 

   Seguindo-se-lhe Pedro Lopes violino, Catarina Gonçalves violoncelo e Ricardo Vicente piano para interpretar de Dmitri Chostakovich  – Trio com Piano n.º 2 em Mi menor, Op. 67

 

   Não havendo registo destes jóvens Solistas da OML, recorramos, para ilustrar este último tema no seu 1º Andamento, ao testemunho de “pesos pesados” como Martha Argerich ao piano, Gidon Kremer no violino e Mischa Maisky no violoncelo :

 

 

atelier musical do conservatório

   Um espectáculo igualmente de juventude que se prevê interessante decorrerá no Teatro Camões às 20h desta Sexta-feira, 21 de Junho (com repetição às 16h de Sábado 22) quando os alunos do Atelier Musical  –  Coro e Orquestra  – da Escola de Música do Conservatório Nacional, cantareentre os 8 e os 12 anos de idade, interpretarem “CANTARE”, um novo olhar sobre canções portuguesas.

   Irão cantar e tocar, nestes dois espectáculos únicos, o Amor, o Sonho, a Saudade, a Tradição e o Trabalho, em suma, a Canção Manifesto e a Canção Esperança, um retrato cantado do Portugal de hoje e de outros dias.

   A eles juntam-se vários alunos mais velhos, como solistas convidados, numa encenação de Bruno Cochat e Ruben Santos, com direcção coral de Teresa Cordeiro e direcção de Orquestra de Ricardo Mateus.

 

 

 

   Ainda na música, verifica-se a apresentação a solo de Pedro Cardoso, membro dos Ornatos Violeta, no palco da Sala Principal do Teatro Maria Matos (MM), às 22h desta Sexta-feira, 21 de Junho, num espectáculo que o Teatro designou como “Peixe”peixe_ffoz 

   Considera (a opinião do MM) que «o ano de 2012 (foi) particularmente generoso para Pedro Cardoso … pelo regresso apoteótico aos palcos dos Ornatos Violeta, obrigando a rever o verdadeiro peso da banda na história da música portuguesa, mas também pela estreia a solo de Pedro com o seu nome de combate de sempre», pois foi como Peixe (que) assinou “Apneia”, peixe_apneia“um álbum luminoso, de melodias sinuosas, cheio de optimismo apesar dos seus tingimentos melancólicos que inseriu o seu autor num pequeno panteão de jovens músicos que professam solitários a sua arte na guitarra e viola acústica».

   Prevê-se agora que Peixe aborde o desafio do Teatro Maria Matos apresentando uma ponte para um novo álbum, dividindo o palco com a companhia de convidados especiais e de arranjos inesperados.

   Recorde-se ao leitor o tema central de Apneia gravado face ao edifício da Câmara do Porto (outro tema brilhante de estúdio Escape pode ouvir-se aqui ) :

 

 

 

   Por fim os amantes de rock e seus descendentes, poderão ir às 22h à Galeria Zé dos Bois onde se apresentam os Night Beats, norte-americanos que, segundo a ZDB, «descendem sonoramente night beatsdessa geração de proto-punkers e amantes folk desajustados do sistema, que se entregam, de alma e coração, a esse propósito “maior-que-a-vida” que é alimentar o velho animal do rock n’ roll. Uma santíssima trindade alinhada com a mais básica e mais infalível estrutura de guitarra, bateria e baixo. Dos devaneios fuzz, às canções suadas para horas altas da noites, existe por aqui uma diversidade de referências pouco ou nada habitual».

   O seu disco homónimo de 2011 teve sucesso e será seguramente ele centro desta primeira actuação em Portugal da banda de Seattle.

   Ouça-se dele o tema “Puppet on a String” :

 

 

   Segue-se-lhe no palco da ZDB Fast Eddie Nelson que vem apresentar, após mais de vinte anos a tocar Blues e Rock em bandas como Gasoline, The Sullens ou Los Santeros, o seu último trabalho “There’s no Place Like Nowhere” (uma edição conjunta Raging Planet e Vinil Experience).

 

 

 

   Por último, uma chamada de atenção para a “Festa da Literatura e do Pensamento do sul da África” comissariada por António Pinto Ribeiro que terá lugar desde esta Sexta-feira 21 de Junho até Domingo 23, na Cabana no jardim da Fundação Calouste Gulbenkian, com entrada livre.

festa da literatura   Explica o seu Comissário que «depois de, em 2012, termos organizado um debate público em torno das questões culturais, políticas e artísticas específicas do Norte de África e do Médio Oriente, este ano o mesmo tipo de debate mais alargado vai centrar-se na região do sul de África, ou seja, a região alargada da África Austral. O ano de 1994, que marca o fim do apartheid em África, a cedência do poder de Frederik Willem de Klerk e a eleição de Nelson Mandela como presidente, não foi só o fim de um regime inumano para a África do Sul. Teve repercussões por toda a África e, muito em particular, na região da África Austral. Dezanove anos depois qual é o panorama destes países do Sul da África? Que melhorias houve? Que dinâmicas existem? Que frustrações se acumulam? Que perspectivas há para o próximo futuro?».

   Em torno destas questões um conjunto vasto de protagonistas desta área e especialistas que acompanham as dinâmica destes países propõe-se participar no debate desta Festa da Literatura e do Pensamento do sul da África que terá a sua 1.ª sessão sobre “O estado das artes” às 19h nesta Sexta 21.

   Sob a moderação de Lígia Afonso (Portugal), encontrar-se-ão Patricia Hayes (África do Sul), Joan Legalamitlwa (África do Sul) e Tiago Correia-Paulo (Moçambique).

 

 

 

(para as razões desta nova forma de Agenda ler aqui ; consultar a agenda de Quarta aqui)

 

 

 

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