ERDOGAN TORNOU-SE INCÓMODO – por Octopus

Nos últimos anos, a Turquia tornou-se cada vez mais um país dividido entre os que defendem um modelo islâmico-conservador e os que defendem um modelo nacionalista-laico, ambos modelos autoritários. Obrigada a uma aliança imposta pelas forças armadas e os Estados Unidos, a Turquia mostra-se cada vez mais crítica para com Israel e quer assumir um papel de destaque no mundo islâmico regional.

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Israel: principal alvo de Erdogan.

Muito apreciado pela “Irmandade muçulmana”, Erdogan gostaria de se tornar uma espécie de califa universal do mundo árabe, os seus discursos destinam-se claramente a seduzir os povos islâmicos.

Nesse contexto, no dia 2 de março deste ano, numa reunião da ONU em Viena, dedicada ao “diálogo das civilizações”, Erdogan disse que “tal como o sionismo, o anti-semitismo e o fascismo, a islamofobia deveria ser considerada um crime contra a humanidade”. Erdogan nunca renegou a sua ideologia islâmica radical cultivada na juventude, assim como o seu ódio para com Israel e o seu desprezo para com o Ocidente judaico-cristã.

No fórum de Davos, em 2009, Erdogan virou-se, num dos seus discursos, para Shimon Peres dizendo-lhe: “quando se trata de matar, sabem muito bem matar…”

No dia 31 de maio 2010, o partido de Erdogan apoio o envio de um navio, fretado por uma associação islâmica turca, com ajuda humanitária destinada à Faixa de Gaza. Após a intervenção israelita, Erdogan acusou Israel de praticar “terrorismo de Estado”, mais tarde referiu que o Estado de Israel era “uma ameaça para a região”.

Turquia: um parceiro incomodo, mas necessário.

A candidatura da Turquia para integrar a União Europeia baseia-se, em grande parte, no facto de ser um país “moderado” e “laico”, quando na verdade, desde a subida ao poder do partido islâmico, este foi pouco a pouco desmantelando as instituições laicas.

Com 800 000 homens, a Turquia possui a segunda força militar da NATO em número de efectivos. Esta constitui uma potência militar fundamental para a União Europeia, numa região particularmente sensível. A integração da Turquia na EU reforçaria a credibilidade de uma Europa fragilizada.

Do ponto de vista geo-estratégico, a Turquia ocupa um espaço fundamental na região, servindo de tampão entre a Europa e o mundo muçulmano, faz fronteira com o Irão e a conturbada Síria.

Um gasoduto estratégico.

A Turquia não possui gás, nem petróleo, mas o projecto Nabucco irá brevemente atravessar o seu território com o gás vindo do Azerbaijão com destino á Europa. Que a Turquia venha a fazer parte ou não da EU, ela só poderá vender esse gás á EU. O projecto Nabucco, financiado pela EU e USA, tem uma importância estratégica fundamental para reduzir a dependência europeia do gás russo.

Recentemente, Erdogan tem-se tornado numa personagem incomoda para a política americana e israelita na região, e é considerado por estas potências um alvo a abater.

Há pouco tempo, Erdogan, numa das suas intervenções no parlamento turco dizia: “Muitos dos meios de comunicação servem aos judeus e a Israel para difundirem notícias falsas do que se passa em Gaza e terem desculpas absurdas para bombardearem escolas, mesquitas e hospitais”. Também acusa Israel de “utilizar bombas de fósforo branco contra a população civil de Gaza”, e de “cometer actos inumanos”.

“Como aceitar que um país (Israel) que ignora totalmente, e não aplica, as resoluções do Conselho de Segurança da ONU, faça parte das Nações Unidas?”

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