ETOSHA – SANTUÁRIO DE VIDA NATURAL. Por JOÃO MACHADO

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A depressão de Etosha fica no norte da Namíbia. Outrora recebia as águas do rio Cunene, que alagaram a chamada Caldeira de Etosha até ao período quaternário, antes de mudarem para o percurso actual. Quem desejar aprofundar esta matéria poderá recorrer ao trabalho O Rio Cunene – Estudo Geomorfológico, de Mariano Feio, disponível em http://www.ceg.ul.pt/finisterra/numeros/1970-09/09_01.pdf.

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No mapa acima, que obtivemos graças à wikipedia, e que data sem dúvida da época da ocupação alemã da região, pode-se ver a localização da Etosha, na parte norte do que actualmente é a Namíbia. Os alemães ocuparam a Namíbia até à Primeira Guerra Mundial, e foi durante a sua ocupação, em 1907 que se criou uma grande reserva de caça na região, para tentar salvaguardar as espécies ali existentes, alvo de caça intensiva. Essa reserva na altura estendia-se até ao rio Cunene, que assinala a fronteira com Angola, e teria mais de cem mil quilómetros quadrados. A reserva natural que existe hoje em dia é bastante  mais pequena, tendo cerca de 22 000 quilómetros quadrados. A depressão da Etocha tem cerca de 5 000 quilómetros quadrados, e de comprimento atinge 120 quilómetros, formando como que uma lagoa durante a época das chuvas, mas mantendo um aspecto desértico durante o resto do ano. Convém recordar que a região faz parte da zona do Kalahari, o grande deserto da África Austral. E que, ao longo da costa, começando mais a norte, desde o território angolano, existe o deserto da Namíbia. Estas características da região devem-se à corrente fria de Benguela, que traz as águas do Antárctico até às costas africanas, e provoca a formação de massas de ar frio e a condensação da humidade sobre o oceano. Etosha é uma designação tradicional que quererá dizer Grande Extensão Branca, o aspecto que é visível na fotografia mais acima, para o qual contribui a grande quantidade de sal depositado, resultado da grande evaporação e do recuo das águas.

Nuvem de pó no Parque Natural da Etosha
Nuvem de pó no Parque Natural da Etosha

A fotografia acima, que também foi obtida graças à wikipedia, mostra os contrastes que se podem observar na Etosha: vida animal pujante, mas clima com manifestações agrestes, e secura intensa em certas alturas do ano. Registe-se que, segundo o Namibia – The Cardboard Box, na Etosha existem 114 espécies de mamíferos, 340 de aves, 110 de repteis, 16 anfíbias, e até uma de peixes (quando ocorrem cheias aparecem muitas espécies). Veja-se em: http://www.namibian.org/travel/namibia/etosha.htm. Subsistem ali espécies ameaçadas de extinção, como o rinoceronte negro. A vegetação é escassa, sendo na maior parte do território a que é característica dos desertos. A welwitschia mirabilis é considerada como um emblema nacional na Namibia. Nalgumas zonas da reserva natural existem várias variedades da acácia, e mesmo prados.

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Gazelas pastando na Etosha
Obrigado à commons wikimedia

Agradecemos aos acima referidos e a todos os que contribuíram de algum modo para a elaboração deste trabalho. É impossível nomear a todos. Terminamos salientando a importância de salvaguardar a Etosha e a sua vida natural, que sofrem grandes ameaças.

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