POESIA AO AMANHECER – 228 – por Manuel Simões

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ARQUIMEDES DA SILVA SANTOS

(1921)

FRAGMENTO DE “RAPSÓDIA DA GUERRA”

Em todos os portos do mundo

há sempre um velho marinheiro olhando olhando

íris esbranquiçada do sal do mar.

Em todos os portos há sempre um velho marinheiro olhando

e perscrutando o que as ondas segredam.

Que sobre as ondas do largo mar não há mais Paz

porque as tinge o sangue de corpos estilhaçados

corpos por minas despedaçados

retesados e hirtos e inchados

boiando sobre as ondas num sonho de Paz…

E velhos marinheiros ouvem águas murmurar

a elegia dos gemidos de jovens marinheiros…

(de “Cantos Cativos”)

Neuropsiquiatra da infância. Foi director do Teatro dos Estudantes da Universidade de Coimbra. Ligado ao movimento neo-realista, foi colaborador assíduo de “Sol Nascente”, “O Diabo” e um dos impulsionadores da revista “Vértice” (1ª. série). Alguns dos seus poemas foram musicados e cantados por Luís Cília. Obra poética: “Voz Velada” e “Cantos Cativos” (1986, com prefácio de Alves Redol).

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