Em todos os portos há sempre um velho marinheiro olhando
e perscrutando o que as ondas segredam.
Que sobre as ondas do largo mar não há mais Paz
porque as tinge o sangue de corpos estilhaçados
corpos por minas despedaçados
retesados e hirtos e inchados
boiando sobre as ondas num sonho de Paz…
E velhos marinheiros ouvem águas murmurar
a elegia dos gemidos de jovens marinheiros…
(de “Cantos Cativos”)
Neuropsiquiatra da infância. Foi director do Teatro dos Estudantes da Universidade de Coimbra. Ligado ao movimento neo-realista, foi colaborador assíduo de “Sol Nascente”, “O Diabo” e um dos impulsionadores da revista “Vértice” (1ª. série). Alguns dos seus poemas foram musicados e cantados por Luís Cília. Obra poética: “Voz Velada” e “Cantos Cativos” (1986, com prefácio de Alves Redol).