EDITORIAL – MENOS GREVE E MAIS TRABALHO?

 Imagem2O casal Rosenberg ao fornecer à União Soviética segredos atómicos dos Estados Unidos, fê-lo por patriotismo. Julius e Ethel Rosenberg acreditavam num futuro em que a nação americana seria socialista. O internacionalismo proletário é uma forma de amar a terra onde se nasceu. Mas a sua pureza utópica não impediu que fossem executados por traição em 1951.

Quando se fala em “interesse nacional” e em “patriotismo”, convém especificar de que interesses e de que pátria estamos a falar. Dir-se-á que estamos a falar da pátria portuguesa e dos interesses do povo português. Não é, quanto a nós, uma resposta esclarecedora. Será que os onze mil milionários nascidos em Portugal e quem vive na sua órbita, pertencem ao mesmo povo e têm interesses comuns com os onze milhões restantes? Numa entrevista dada há dois ou três anos, Ricardo Salgado, o homem do BES, declarou ver com bons olhos a integração de Portugal no Reino de Espanha, pois o seu banco teria grandes hipóteses de expansão nas áreas metropolitanas de Madrid e Barcelona. E este homem, com esta desprezível opinião, considera-se português. O seu conceito de pátria e de interesse nacional anda a reboque da sua condição de banqueiro.

Quando, em vésperas de deixar o seu cargo de ministro da Defesa Nacional, Paulo Portas mandou fotocopiar 60 documentos (diz-se que para os facultar à CIA), Paulo Portas estaria a ser patriota? Ou estaria a trair a sua pátria? Claro, há uma importante diferença relativamente ao caso Rosenberg – Portas reconheceu – “Fotocopiei sim senhor” e “paguei do meu bolso”. Será que o casal Rosenberg pagou as fotocópias que facultou ao KGB?

“Politicamente, o que posso dizer como primeiro-ministro, é que o país precisa menos de greves e mais de trabalho e de rigor, mas o direito à greve é inalienável e quem o fizer não faz mais que exercer esse direito inalienável”, declarou anteontem Passos Coelho no debate quinzenal na Assembleia da República. Aqui os dois países, o de Passos Coelho e o outro, entram em total sintonia – ambos necessitam de trabalho e rigor. Ambos dispensam greves. Porém, Do que o país que fez greve necessita é de um governo que proteja o trabalho e os trabalhadores. Só assim, poderá haver trabalho e rigor e dispensar as greves.

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