Deixai-me apertar, nas mãos, as mãos de todos os homens
E vibrar, na alma, a alma de todos os homens
E cantar, na boca, a boca de todos os homens.
Impossível ficar aqui, no silêncio, – voz sozinha e dispersa.
Impossível andar errante ao sabor duma fantasia inútil
Feita de sonhos estéreis e cometimentos inglórios.
Os meus lábios abrem-se para mais um desejo de sacrifício,
As minhas mãos estendem-se para mais um corpo chagado,
Os meus soluços traduzem-se em mais um cântico de esperança…
… E a língua salga porque anda cheia de mar
E o coração dá-se porque ama e sofre…
– Vida!: Sê toda minha!
Amanhã saberás que não foste a figueira brava tocada de esterilidade.
(de “Luz na sombra”)
Poeta e padre. Colaborou em “Cadernos do Meio-Dia” e em “Árvore”. Obra poética: “Luz na sombra” (1946), “Alfa e Ómega” (1951), “A Vida Suspensa” (1953), “Invenção da Manhã” (1963). “Dizer, Amar” (1971) inclui os livros anteriores e o inédito “O Ciclo de Elsa”.