EDITORIAL: E AGORA, SENHOR PRESIDENTE?

Imagem2Para um executivo como o de Passos Coelho, sem qualidade política, desprestigiado, desgastado, não há boas soluções – tudo o que faça, aumenta a sua impopularidade. O presidente da República tem sido um  cúmplice evidente de uma situação que a todos os observadores  parece insustentável. E Passos Coelho exibe a arrogância que o desespero (e a incapacidade) alimenta – tudo aconselhava uma substituição discreta por alguém desconhecido, por alguém que no mínimo, não fosse aumentar a polémica. Pois escolhe Maria Luís Albuquerque – pior era difícil.

Num post de 13 de Maio passado, pedíamos que nos ajudassem a perceber o seguinte:A REFER contratou swaps tóxicos quando Maria Luís Albuquerque era a sua directora financeira. Quando é nomeada secretária de Estado e tutela o IGCP, este organismo, sujeito às orientações de Maria Luís Albuquerque, define o que são swaps tóxicos.. O IGCP, tutelado por MLA, vem dizer que os swaps tóxicos contratados pela REFER enquanto ela era directora financeira não são, afinal, tóxicos — apenas exóticos. . A REFER fica com os prejuízos e Maria Luís Albuquerque continuou a ser secretária de Estado de Vítor Gaspar. Até ontem, quando o substitui. Aquilo a que nos governos de Salazar se chamava um «pontapé pela escada acima».

Na sua carta de demissão, Vítor Gaspar, ao enumerar as causas da sua descisão, ao explicar por que razão não existem condições para que prossiga, faz um diagnóstico da incapacidade do executivo. No que diz, está implícita a conclusão de que o tempo de Passos Coelho chegou ao seu termo. Como diz hoje Manuel Alegre, poderá manter-se «ligado à máquina», enquanto Cavaco Silva não tomar a decisão que há muito se impõe, mas já morreu e a carta de Vítor Gaspar equivale a uma certidão de óbito.

As atenções concentram-se em Belém.

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