UMA IRREVOGÁVEL FALTA DE VERGONHA

Este comunicado, querendo branquear uma das atitudes mais vergonhosas que vimos ser assumida por um responsável político em quase quatro décadas de democracia, vem demonstrar que no CDS/PP a mentira e a falta do sentido de ética não é um exclusivo do presidente. Leia-se este comunicado da Comissão Executiva e pasme-se perante o primarismo da justificação aduzida:

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Aqui temos, na íntegra o comunicado de Paulo Portas:

1. Apresentei hoje de manhã a minha demissão do Governo ao Primeiro-Ministro.

2. Com a apresentação do pedido de demissão, que é irrevogável, obedeço à minha consciência e mais não posso fazer.

3. São conhecidas as diferenças políticas que tive com o Ministro das Finanças. A sua decisão pessoal de sair permitia abrir um ciclo político e económico diferente. A escolha feita pelo Primeiro-Ministro teria, por isso, de ser especialmente cuidadosa e consensual.

4. O Primeiro-Ministro entendeu seguir o caminho da mera continuidade no Ministério das Finanças. Respeito mas discordo.

5. Expressei, atempadamente, este ponto de vista ao Primeiro-Ministro que, ainda assim, confirmou a sua escolha. Em consequência, e tendo em atenção a importância decisiva do Ministério das Finanças, ficar no Governo seria um acto de dissimulação. Não é politicamente sustentável, nem é pessoalmente exigível.

6. Ao longo destes dois anos protegi até ao limite das minhas forças o valor da estabilidade. Porém, a forma como, reiteradamente, as decisões são tomadas no Governo torna, efetivamente, dispensável o meu contributo.

7. Agradeço a todos os meus colaboradores no Ministério dos Negócios Estrangeiros a sua ajuda inestimável que não esquecerei. Agradeço aos meus colegas de Governo, sem distinção partidária, toda a amizade e cooperação.

Paulo Portas

Lisboa, 2 de julho de 2013

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Logo no ponto 1 a argumentação patética da Comissão Executiva cai pela base. Paulo Portas demite-se do Governo – não deste ou daquele cargo – mas do Governo. O CDS/PP onde parecia haver gente envergonhada com a posição de Portas, no seu conjunto apoia o que pelos vistos mais não foi do que um elemento de chantagem sobre o parceiro da coligação. Foi eficaz, porque um partido eleitoralmente insignificante ascende a um patamar elevado do poder. Porém, fá-lo no pior Governo de que há memória desde 1974 e através de uma manobra indigna de um político sério. Coisa que já se sabia que Portas não era.

Este comunciado esclarece-nos sobre o conceito de ética do partido.

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