POESIA AO AMANHECER – 242 – por Manuel Simões

poesiaamanhecer

JOÃO APOLINÁRIO

( 1924 – 1988)

É PRECISO AVISAR TODA A GENTE

É preciso avisar toda a gente

dar notícia informar prevenir

que por cada flor estrangulada

há milhões de sementes a florir

É preciso avisar toda a gente

segredar a palavra e a senha

engrossando a verdade corrente

duma força que nada detenha

É preciso avisar toda a gente

que há fogo no meio da floresta

e que os mortos apontam em frente

o caminho da esperança que resta

É preciso avisar toda a gente

transmitindo este morse de dores

É preciso imperioso e urgente

mais flores mais flores mais flores

(de “Morse de Sangue”)

Conheceu o exílio no Brasil a partir de 1963 e ali foi presidente da Associação Paulista dos Críticos de Arte (1972-1973). Autor de textos sobre teatro, publicou os livros de poesia “Morse de Sangue” (1955), “O Guardador de Automóveis” (1956), “Primavera de Estrelas” (1960), “Apátridas” (1975). Reuniu toda a obra poética no volume “O Poeta Descalço” (1978). Alguns dos seus poemas foram musicados e cantados por Luís Cília, Francisco Fanhais e outros.

Leave a Reply