POESIA AO AMANHECER – 245 – por Manuel Simões

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ALBERTO DE LACERDA

( 1928 – 2007 )

A FLOR DA IDADE

O anel da alegria é cada vez mais vasto.

Quem virá de longe fechá-lo comigo

dançando só pelo prazer de dançar,

libertando numa onda infinita

a luz perfeita que me repete

como a água do lago com a pedra atirada

entre gargalhadas?

A vida sobre os ombros como um manto de oiro,

vou sagrá-la em ritmo, conquistar o tempo!

Aspirar o dia como as rosas soltam

no vento

o nosso olhar.

E não cantemos mais. Guardemos para a noite

a paixão das palavras e dos beijos.

São a luz da noite. Por enquanto é dia,

por enquanto dancemos,

por enquanto adoremos

o mistério de sermos

os eleitos do sol.

(de “77 Poems”)

Foi colaborador e apresentador do “Terceiro Programa da B.B.C. de Londres” (cidade onde viveu desde a década de 50), para o qual organizou três antologias de poesia portuguesa. Obra poética: “77 Poems” (ed. bilingue, 1955), “Palácio” (1961), “Tauromagia” (1981), “Elegias de Londres” (1987), “Meio-Dia” (1988).

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