A Liberdade, a cultura, a democracia e a justiça social são as nossas paixões.
No País imprevisível, foi o discurso previsível de um presidente democraticamente improvável. Cavaco Silva é o avesso daquilo que durante a ditadura, com um presidente como Américo Tomás, esperávamos de um supremo magistrado da Nação logo que o sistema democrático imperasse. Cavaco Silva seria perfeitamente compatível com Salazar e talvez fosse ultrapassado pela esquerda por Marcelo Caetano. Ontem, na sua declaração ao País, gastou uma boa parte do tempo a explicar por que é que a sua proposta para ultrapassar a actual crise seria a solução «melhor numa perspectiva imediata e num horizonte de médio prazo». Se aceitarmos as condicionantes, se validarmos as premissas do silogismo em que a direita encerra o seu conceito de democracia, naturalmente, o presidente tem razão. Mas…